Eleições na Câmara
PT e PCdoB, acompanhados pelos partidos burgueses PDT e PSB, insistem em apresentar a direita nacional como uma solução para o País
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Rodrigo Maia | Foto: Adriano Machado/Reuters

Seguindo a sua política vergonhosa frente às eleições municipais de 2020, a esquerda pequeno-burguesa decidiu utilizar a votação para a mesa diretora da Câmara dos Deputados como palco para seu mais novo ensaio da frente ampla. Os três partidos de esquerda com representação no parlamento — PT, PCdoB e PSOL — já decidiram apoiar o candidato apontado por Rodrigo Maia (DEM), antes mesmo que o candidato fosse escolhido. Os demais partidos de esquerda, que não compõem o parlamento — UP, PSTU e PCB —, operam no mais retumbante silêncio. Coube, portanto, somente ao PCO denunciar a fraude e a traição que consiste em se posicionar mais uma vez ao lado dos inimigos do povo.

Como é típico da atividade parlamentar, a esquerda pequeno-burguesa tem procurado, dia após dia, justificar as suas posições. Isto é, tentar explicar que sua política reacionária não é tão reacionária assim. Houve, inclusive, que evocasse Trótski como testemunha de defesa para a colaboração de classes no seu aspecto mais podre. Embora apoiar vigaristas como Rodrigo Maia e seu futuro sucessor, Baleia Rossi (MDB) seja injustificável, a explicação — melhor seria dizer “enrolação” — é uma necessidade para quem depende dos votos para manter seus cargos.

Uma das tentativas mais recentes da esquerda justificar suas posições foi o manifesto “Por uma Câmara independente e livre”, assinado pelo PT e pelo PCdoB em conjunto com o PDT e o PSB. No texto, os partidos consideram que o momento é de “uma profunda crise social, econômica, política e de saúde pública no Brasil, agravada por um governo federal insensível ao sofrimento do povo, irresponsável diante da pandemia e chefiado por um presidente da República que ao longo de sua trajetória sempre se colocou contra a democracia”. Não há discordância.

O governo Bolsonaro é, de fato, insensível ao sofrimento do povo e inimigo de qualquer coisa que possa se chamar de “democracia”. Contudo, o que o manifesto acaba ignorando é que Bolsonaro não caiu de paraquedas no poder: ele é o resultado da política da direita nacional, que derrubou a presidenta eleita Dilma Rousseff. Bolsonaro não venceu as eleições de 2018 porque havia uma “onda conservadora” no País, mas simplesmente porque a burguesia, que deu o golpe em 2016, precisava colocar no poder alguém comprometido com seu programa, mas que não sofresse da mesma impopularidade dos políticos tradicionais do regime.

Do mesmo modo, a crise social, econômica política e de saúde pública não são de pura responsabilidade de Bolsonaro. Afinal, ele só está no poder há dois anos — desde o golpe, contudo, a crise vem se aprofundando. E a crise não é resultado de uma política especial do bolsonarismo, mas sim da política oficial da burguesia: o neoliberalismo, que tem como principal expoente no governo o ministro da Economia Paulo Guedes. A contenção de gastos, os ataques à saúde e a desigualdade social são resultado direto de sua política, que é também a mesma política de Temer — um dos principais aliados de Baleia Rossi —, de Rodrigo Maia, de Fernando Henrique Cardoso etc.

O que o manifesto afirma em relação aos direitos democráticos e aos direitos sociais também é uma farsa. Segundo os signatários, seu apoio a Baleia Rossi serviria para “defender a Constituição”, “proteger a democracia e nossas instituições contra ataques autoritários de quem quer que seja”, “lutar pelos direitos do povo brasileiro, pautando projetos que garantam efetivamente o direito à vida e à saúde, por meio do adequado enfrentamento da pandemia do novo coronavírus, garantindo-se o acesso à vacina a todos, o direito à subsistência, ao emprego e a uma renda mínima”, “assegurar a soberania nacional, proteger o patrimônio público e nossas riquezas naturais”.

Ora, mas Baleia Rossi, assim como Rodrigo Maia, simplesmente votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff! Com direito aos mesmos discursos toscos da extrema-direita. Nesse sentido, não há porque levar a sério um “compromisso com a democracia”. Rossi, como qualquer outro político burguês, tem apenas um compromisso com a burguesia, pois é a classe que permite o seu ascenso no regime político. A “luta pelos direitos do povo”, por outro lado, também não faz sentido algum. Neste exato momento, Rodrigo Maia, o grande articulador do “bloco dos onze”, está sentado em 56 pedidos de impeachment contra o presidente ilegítimo e genocida que está massacrando e aterrorizando o povo em plena pandemia. Além disso, Rossi e seus demais colegas do “bloco dos onze” estiveram envolvidos em todos os ataques da direita contra os trabalhadores durante a pandemia, incluindo a Medida Provisória 936, que trata da suspensão de contratos.

A direita nacional, como vista no próprio Supremo Tribunal Federal (STF), não está disposta a transformar a vacina um direito. Até hoje não foram a favor da testagem em massa, nem de implementar qualquer medida real de combate à pandemia. Embora não obriguem o Estado a fornecer vacina para o povo, correm para aprovar qualquer medida repressiva: mesmo sem vacina garantida, já aprovaram o direito do Estado impor a vacina à população. Por fim, a proteção ao patrimônio público é tão grande quando se trata do MDB e da direita nacional que, em plena pandemia, os golpistas venderam a água do País para a Nestlé e a Coca Cola!

A esquerda pequeno-burguesa, ao apoiar a direita nacional, não está defendendo o povo. Muito pelo contrário, está abandonando um programa de luta em defesa de seus interesses para levantar a bandeira da direita nacional: o programa do neoliberalismo, de destruição total dos direitos e das condições de vida do povo.

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