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Polêmica com Gustavo Conde
Esquerda entrega 2013 a Bolsonaro
A esquerda pequeno-burguesa se recusa a entender o que aconteceu em 2013
Protesto contra aumento da tarifa em SP
Polêmica com Gustavo Conde
Esquerda entrega 2013 a Bolsonaro
A esquerda pequeno-burguesa se recusa a entender o que aconteceu em 2013
O aumento da passagem foi o início da mobilização.
Protesto contra aumento da tarifa em SP
O aumento da passagem foi o início da mobilização.

No sítio do Brasil 247, o colunista Gustavo Conde é mais um que procura interpretar os acontecimentos de 2013. A declaração de Lula em entrevista à TeleSur, denunciando que o movimento de 2013 teria sido manipulado pela CIA e que portanto foi o início das manifestações golpista no País, e a ligação feita entre o integralista acusado pelo atentado à produtora de Porta dos Fundos, Eduardo Fauzi, com participantes daquele movimento, despertaram em uma parte da esquerda uma espécie de histeria interpretativa, alguns correndo para acusar Lula e outros correndo para entregar para a direita aquele movimento.

No segundo caso se enquadra Gustavo Conde. Segundo ele, as mobilizações de 2013 não devem ser defendidas por ser um “movimento fascista”. Se levarmos a sério tal caracterização deveríamos explicar porque um movimento fascista se ampliou a partir da repressão da Polícia Militar do PSDB em São Paulo. Infelizmente, o autor não explica tal concepção, devemos portanto apenas confiar em sua afirmação.

A imprensa do Partido da Causa Operária, desde aqueles dias de 2013, vem explicando milhares de vezes o que aconteceu naquele movimento. Expliquemos, contudo, mais uma vez. As mobilizações de 2013 foram típicas manifestações de esquerda e populares, iniciadas tendo como centro a palavra de ordem contra o aumento da passagem. Se tornou ainda mais popular quando Geraldo Alckmin do PSDB colocou sua polícia (essa sim fascista) para “arrepiar” os manifestantes nas ruas de São Paulo. Com isso, o movimento transbordou e a luta contra a repressão também se tornou uma palavra de ordem do movimento.

Até aí, como fica claro, todo o movimento está voltado contra a direita e a burguesia.

Mais ainda, esse movimento se tornou tão imenso que colocou a burguesia em estado de atenção. Preocupada, a burguesia e a direita decidiram agir. Aproveitando da desorientação política dos setores que exerciam uma direção (capenga) do movimento (Movimento Passe Livre composto por anarquistas e integrantes de partidos da esquerda pequeno-burguesa como PSTU e Psol), a burguesia colocou em marcha um mecanismo de sequestro da manifestação. Infiltrou elementos de extrema-direita, policiais, partidos de direita para fazer uma imagem artificial da manifestação, colocando palavras de ordem que nada tinham a ver com as manifestações, entre elas a “luta contra a corrupção”. Os infiltrados também trataram de colocar em marcha uma política contra a esquerda que foi materializada no refrões: “sem partido” e “abaixa essa bandeira”.

É nesse ponto e apenas a partir desse ponto que devemos concordar com Lula. Ele está certo quando diz que o imperialismo estava por trás disso e que o golpe começou aí. A direita, que já preparava o golpe, aproveitou-se disso para iniciar o que conhecemos hoje como os coxinhatos. Mas os coxinhatos não são produtos das manifestações de 2013 por si só, são resultado da infiltração da direita nesse movimento, o que criou uma polarização política e extraiu desse movimento uma base direitista.

Aparentemente, Conde e outros que analisam as manifestações de 2013 não estiveram lá acompanhando todo esse processo e não sabem o que houve. Apenas ouviram falar, provavelmente o que a própria Rede Globo, que foi a principal propagandista de que os atos eram “contra a corrupção e o governo do PT” disse na época.

Em sua ânsia de atacar o movimento, Conde chama também as manifestações de “catarse anti-política de ricos brancos do Sudeste”. Mais uma vez, o colunista mostra que não esteve lá e não acompanhou o que aconteceu. Os coxinhatos que pediam o impeachment de Dilma eram feitos por gente branca de classe média (não apenas do Sudeste), mas as mobilizações de 2013, não. Eram populares no conteúdo social assim como eram populares em suas reivindicações. O que Conde faz é caluniar o movimento.

O movimento de 2013 foi uma grande mobilização popular, com condições inclusive de colocar em risco o regime político direitista, em particular os governos estaduais de São Paulo (PSDB), Minas Gerais (PSDB) e Rio de Janeiro (PMDB). A burguesia, sabendo desse risco, aproveitou-se da política capituladora da esquerda para tomar para si os rumos do movimento. Entregar todo aquele movimento popular para a direita é dar um atestado de que a direita é popular, tem apoio e que portanto talvez o golpe deve até ter sido merecido e Bolsonaro seria o herdeiro legítimo de tudo isso.