Demagogia fúnebre
A falta de crítica e denúncia da esquerda serve como uma cobertura ocultar a vacinação fajuta promovida pela direita “científica”, cujo programa político é o mesmo de Bolsonaro.
Presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante encontro com os governdores eleitos, no CICB. Brasilia, 14-11-208. Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Dória e Bolsonaro aplicam o mesmo programa, de "deixar morrer quem tiver que morrer". | Sérgio Lima | Credit: Poder 360
Presidente eleito, Jair Bolsonaro, durante encontro com os governdores eleitos, no CICB. Brasilia, 14-11-208. Foto: Sérgio Lima/Poder 360
Dória e Bolsonaro aplicam o mesmo programa, de "deixar morrer quem tiver que morrer". | Sérgio Lima | Credit: Poder 360

O governo de São Paulo justifica o atraso na vacinação dos idosos da faixa etária entre 80-84 anos para o dia 1º de Março em virtude da ausência de doses da vacina. Segundo o Plano Estadual de Imunizações (PEI), neste dia os idosos acima de 75 anos deveriam estar tomando a 2ª dose.

Até o momento, foram distribuídas 12 milhões de doses da Coronavac e Oxford/AstraZeneca por todo o país, o bastante para imunizar cerca de 6 milhões de pessoas, ou seja, apenas 3% da população brasileira.

O secretário estadual de saúde de São Paulo, Jean Gorinchteynm, afirmou que as datas foram marcadas conforme a disponibilidade das vacinas e a continuidade do processo de vacinação depende disso.

O Ministério da Saúde, sob administração do general de Exército Eduardo Pazuello, declara ter garantido 354 milhões de doses, sendo 212,4 milhões da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), 100 milhões do Instituto Butantan e  42,5 milhões pelo Covax Facility. Além disso, o general afirma ter firmado memorandos de entendimento com as fabricantes Pfizer, Jansen, Sinopharm, Bharat e Gamaleya. Não obstante, o órgão sanitário federal não apresentou um calendário para a imunização.

A quantidade irrisória de imunizações demonstra que não há um plano de vacinação em operação no país. Os governos burgueses buscam fazer propaganda em torno da questão da vacina, e o maior exemplo é o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). O problema sanitário, que já ceifou mais de 235 mil vidas, tornou-se objeto de disputa para as eleições presidenciais de 2022. Além disso, se verifica processo de privatização da vacinação.

As décadas de aplicação da política neoliberal transformaram a infraestrutura de prestação de serviços públicos em uma verdadeira sucata. Durante todo esse longo período, o sistema de saúde publicou foi dilapidado pelas empresas privadas, que buscaram se apropriar dos leitos e do orçamento público via Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O golpe de Estado de 2016 aprofundou a destruição do sistema público de saúde. Em particular a PEC do teto dos gastos, que congelou o orçamento por um período de 20 anos (2016-2036), impede que investimentos públicos sejam feitos para atacar a raiz do problema. A falta de eficiência na campanha de vacinação e o desvio do medicamento, observado em várias partes do país, são consequências da política de destruição neoliberal.

O presidente fascista Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) também é responsável pela catastrófica situação sanitária e social do Brasil. Contudo, a esquerda não denuncia as responsabilidades nos governadores e prefeitos de direita, dos partidos PSDB, MDB, DEM, Progressistas, Republicanos, PL, MDB.  até mesmo de esquerda, que também não fazem nada de concreto para atacar o problema.

O Estado de São Paulo, governado há  quase trinta anos consecutivos pelo PSDB, é um dos epicentros continentais do coronavírus. Desde o início da pandemia, são mais de 55 mil mortes e 1.800 infectados. A unidade federativa mais rica da nação está tendo que interromper a vacinação por falta de doses do medicamento. Isso sem contar que o governador procura realizar uma operação de marketing pessoal em torno de si mesmo.

A esquerda comemora, de forma absolutamente acrítica, a vacina fajuta do governador tucano. Não se denuncia a demagogia fúnebre dos governos encabeçados pela direita tradicional, a que organizou o golpe de Estado e a fraude eleitoral de 2018, abrindo caminho para a chegada de Bolsonaro na presidência da República.

Um dos principais motivo do silêncio da esquerda são os acordos políticos com a direita tradicional. Nas eleições municipais de 2020, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), por exemplo, se coligou com partidos da direita, como o Partido Social-Liberal (PSL), ex-partido de Jair Bolsonaro e guarda-chuva da extrema-direita. No Rio de Janeiro, a esquerda pequeno-burguesa apoiou a candidatura de Eduardo Paes (DEM) contra Marcelo Crivella (Republicanos), com a desculpa de que se tratava da “luta contra o fascismo”. Em diversos municípios, aconteceu uma aliança entre a esquerda e a direita tradicional, sendo que a primeira se enfraqueceu e a segunda se fortaleceu e avançou no controle das prefeituras.

Setores da esquerda procuram articular uma frente ampla para 2022, que significa uma aliança política com a direita tradicional com o pretexto” da contra o bolsonarismo”. Um exemplo foi a eleição para as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, quando o PT, PCdoB e o PSOL (este de maneira velada) apoiaram Baleia Rossi (MDB) contra Arthur Lyra (Progressistas-AL). No Senado, o PT apoiou o candidato de Jair Bolsonaro, o senador Rodrigo Pacheco (DEM). Depois de que Jair Bolsonaro colocou R$ 3 bilhões à disposição pela liberação de emendas parlamentares e por outros meios, os partidos burgueses mudaram de lado e passaram a apoiar seu candidato, que ganhou com ampla maioria de votos.

A falta de crítica e denúncia da esquerda serve como uma cobertura ocultar a vacinação fajuta promovida pela direita “científica”, que se autoproclama “democrática”, “anti-negacionista” e “contra o autoritarismo”, mas que na prática implementa o mesmo programa fascista  e genocida de Jair Bolsonaro.

 

 

 

 

Relacionadas
Send this to a friend