O PT que a burguesia quer
A companha contra o PT em relação à frente ampla consiste sobretudo em suprimir o partido para usar sua influencia com as massas operárias em favor dos capitalistas
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ISONOMIA - O ex-presidente Lula em depoimento ao juiz Moro: pena dentro da média da Lava-Jato
Lula prestando depoimento à golpista Lava-jato | Foto: reprodução

Na ultima semana acompanhamos mais uma manobra da burguesia em favor da frente ampla da esquerda com a direita. Desta vez, O Globo e a Folha noticiaram uma suposta aliança entre o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) com o “vazamento”, bastante oportuno diga-se de passagem, de um suposto encontro de Lula e Ciro Gomes ocorrido em setembro. Tendo acontecido ou não este encontro e independentemente do seu teor, o que fica claro é que o único interesse da burguesia nisto através da sua imprensa é pressionar o PT pela frente ampla.

Embora o encontro não tenha sido confirmado, bem como o seu teor, o que foi conversado e se de fato a reunião resultou em um acordo de aliança entre os partidos seja desconhecido, a imprensa burguesa e setores da esquerda favoráveis à frente ampla estão usando a situação para apontar que o PT teria indicado uma aceitação da frente ampla e que isto seria um grande acontecimento para enfrentar o bolsonarismo, o que não passa de uma farsa e uma manobra contra o PT e a favor da frente ampla.

A burguesia tradicional que apoia os partidos de centro e da chamada direita “civilizada” é a  responsável pelo golpe de Estado de 2016 e também pela fraude eleitoral que levou o fascismo ao poder com Jair Bolsonaro. Para a burguesia, Bolsonaro nunca foi a opção ideal, no entanto o seu apoio aconteceu apenas para evitar uma vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores que mesmo com o seu maior líder, Lula, sequestrado pelo judiciário burguês, ainda não seria derrotado pelos nomes tradicionais da direita.

É esta mesma burguesia que agora cinicamente faz uma grande propaganda para que a esquerda se una à direita  pela frente ampla contra o bolsonarismo, o que nada mais é que uma tentativa de capturar a força política da esquerda que na frente ampla se coloca a reboque da direita e cujo objetivo principal não é nem de longe combater o fascismo como muitos falsamente insistem em dizer, mas sim para que a esquerda sirva de trampolim para que a direita tradicional recupere os espaços perdidos para a extrema-direita.

Embora alguns partidos e setores da esquerda pequeno-burguesa tenha ingressado na farsa da direita pela frente ampla, o PT – em particular a ala lulista – se colocou contra, uma vez que mesmo sendo um partido reformista e contando com uma série de contradições e limitações, é o maior partido de esquerda do país. Lula, a maior liderança operária do País, se negou a defender a política da “frente ampla”, colocando uma enorme pedra no meio do caminho dos golpistas.

O Partido dos Trabalhadores como maior partido de esquerda e que possui um laço forte com a classe trabalhadora é um dos principais alvos da direita e sofre há anos uma enorme campanha promovida pela burguesia que tenta destruir o PT ou ao menos excluir os seus setores mais radicais para conseguir impor a política da burguesia no partido, dos ataques sofridos o golpe de 2016 e a prisão de Lula são apenas alguns exemplos.

A campanha contra o PT em relação à frente ampla consiste sobretudo em suprimir o partido para usar sua influência com as massas operárias em favor da burguesia. É recorrente por exemplo que a imprensa burguesa quando trata de PT e frente ampla use discursos como o de que Lula por estar impossibilitado de concorrer às eleições em 2022 – por conta da fraude processual que sofreu da própria burguesia- deveria apoiar outros partidos como PDT, PSB e PSOL, que são por sua vez grandes defensores da frente ampla com a burguesia. Fica nítido que a burguesia com estas colocações tenta impor sua política para a esquerda.

Um retrato disto é a situação das eleições em São Paulo, onde a candidatura de Jilmar Tatto não é uma candidatura popular em si, mas é o candidato do PT e está sendo atacada por isto, não porque Tatto não tenha popularidade, mas porque o interesse da burguesia é que o PT seja suprimido e “doe” sua influência para um candidato de escolha da própria burguesia, como é Boulos. Note que quando exigem que o PT abra mão de sua candidatura própria e apoie outro candidato a proposta não é uma política para desenvolver as tendências mais combativas do PT, mas sim afundar o PT e direitizar a esquerda.

A questão do PT nas eleições municipais em SP e da suposta reunião com o PDT fazem parte de um mesmo fenômeno: são tentativas da burguesia de fazer o PT  se submeter à  frente ampla, o que serve não para ajudar os setores mais combativos do PT e da própria esquerda a levarem uma luta real contra os inimigos do povo, contra o governo Bolsonaro e contra a burguesia que esmaga os trabalhadores, mas sim para tentar submeter a esquerda e a classe trabalhadora à política dos seus próprios inimigos suprimindo toda iniciativa de mobilização popular.

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