Campanha eleitoral de Dória
Dória, o governador genocida de São Paulo, comemora uma vacina que atinge 1,4% da população e que, caso tudo de certo, o que é altamente improvável, atingirá mais 11% até abril.
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Começo da vacinação no Brasil, que a principio só atingirá 1,4% da população. | Foto: Reprodução
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Começo da vacinação no Brasil, que a principio só atingirá 1,4% da população. | Foto: Reprodução

Apesar do festival de propaganda em cima da vacina realizado pelo governador fascista de São Paulo, João Dória, não existe nada próximo de um plano real de vacinação para a população do estado e de todo o Brasil. Até hoje no país chegaram apenas 6 milhões de doses de CoronaVac importada da China e não há data certa para que se inicie a produção em massa no Brasil, sendo assim apenas 3 milhões de pessoas tem garantia de que serão vacinadas com as duas doses, um equivalente a 1,4% da população brasileira. Fica ainda mais escancarado que por parte dos golpistas não existe um real interesse na saúde da população e sim apenas uma disputa política para usar o irrisório início da vacinação como campanha eleitoral para 2022, e mesmo assim um grande setor da esquerda fica a reboque da política genocida de Dória.

Primeiramente é preciso deixar claro que a vacinação não deve ser considerada a salvação para a pandemia. Esta é a política da burguesia que quer reduzir ao máximo os gastos com a saúde para abocanhar mais ainda os recursos do Estado garantindo seus lucros.

Os países que controlaram a pandemia o fizeram sem a vacina, Cuba e Venezuela, que são muito mais pobres que o Brasil deram um exemplo com 184 e 1129 mortes respectivamente, lá a vacinação será apenas o golpe final para acabar de vez com o Covid-19. Enquanto isso no Brasil onde há mas de 300mil mortos de acordo com as estimativas (visto que os números oficiais são completamente subnotificados) não há investimento real nenhum na saúde e só se fala da promessa da vacina. A política da esquerda deveria ser de se inspirar no modelo cubano e lutar pela garantia da saúde da população e não de ficar a reboque do golpista Dória.

Em quase todo o mundo os principais interesses por trás da vacina não são o de imunizar o povo e sim de lucrar econômica e politicamente, no Brasil essa disputa se expressa entre Bolsonaro e o principal setor da burguesia que é representado pelo governador fascista João Dória. Se estabeleceu todo uma enorme operação de propaganda em defesa da frente ampla encabeçada por Dória em que este seria o cientifico que luta contra a extrema direita negacionista, o seu grande trunfo era justamente a vacina. Domingo houve um enorme alarde devido a vacinação se inciar no Brasil que na realidade foi uma pura operação de propaganda que usou até do identitarismo para aumentar o prestigio de Dória, a esquerda pequeno burguesa frente amplista caiu de cabeça elogiando o governador golpista que representa os maiores inimigos dos trabalhadores no Brasil.

Passada a festa a realidade se impõe, existem somente 6 milhões de doses no país, os insumos para se produzir mais estão presos na China por “problemas técnicos” de acordo com o golpista Rodrigo Maia, o que demonstra a total incapacidade da burguesia brasileira de garantir algum tipo de saúde pública, como também se viu no amazonas onde a compra de um item básico como tubos de oxigênio se transformou em uma epopeia. Caso se resolvam os “problemas técnicos” os insumos virão ao Brasil e serão produzidas 46 milhões de doses até abril, ou seja, será possível vacinar mais 23 milhões de pessoas o que imunizaria 11% da população, que somado aos números atuais alcançaria o total 12,5%. Depois disso não existe nenhum plano real, apenas a expectativa de que se compre insumo para mais 54 milhões de doses. A grande festa da vacinação propagandeada pelo fascista Dória, caso de tudo certo, o que é improvável, vacinará pouco mais de um décimo da população até abril e depois não há nada garantido, é uma farsa completa.

Enquanto isso a revolta começa a crescer nos setores que seriam os primeiros beneficiados pela vacina, os trabalhadores da saúde. A atual etapa da vacinação no Brasil é tão ineficiente que nem todos os trabalhadores que estão na linha de frente do combate ao covid serão vacinados, na realidade, menos da metade. No Rio de Janeiro por exemplo o plano de vacinação atinge 34% apenas desse setor, já em São Paulo é de 40% desse pessoal essencial.

Não só isso, como se inicia a disputa para quais pessoas serão as vacinadas, muitos altos burocratas do Estado, como os secretários de saúde e seus assessores, responsáveis por administrar a destruição do SUS, estão passando a frente de enfermeiros e outros trabalhadores da saúde. Além disso certos estabelecimentos recebem prioridade como o Hospital das Clínicas de São Paulo que já vacinou 9mil funcionários enquanto outros como o Instituto de Infectologia Emílio Ribas não recebeu todas as remessas prometidas, em suma não existe programa real de vacinação mas uma luta por migalhas.

Ante a tamanha farsa que é a “campanha de vacinação” encabeçada por Dória, é um absurdo total que a esquerda entre em uma frente com o governador genocida, responsável por pelo menos 50mil mortes que crescem às centenas todos os dias. A esquerda deve ter um programa real para a saúde pública com investimentos massivos em infra estrutura, contratação de mais trabalhadores, auxílio emergencial dentre outras medidas. A vacina deve ser apenas uma das pautas da esquerda e deve estar sob o controle dos trabalhadores que decidirão pela melhor opção e garantirão assim a produção e distribuição em massa no Brasil.

Todas as mortes pela pandemia de covid estão na conta dos golpistas que derrubara Dilma em 2016, não só Bolsonaro mas também Dória, Maia, Baleia Rossi, o STF, Mourão e os demais generais. É preciso mobilizar a população não só para lutar pela saúde pública universal e de qualidade, mas também pela derrubada total do regime golpista e por novas eleições, com Lula candidato.

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