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Frente Ampla

Esquerda brasileira sai em defesa do imperialismo norte-americano

A esquerda brasileira saiu em apoio as medidas ditatorias do imperialismo norte-americano e uma análise que não condiz com o que aconteceu

Tempo de Leitura: 5 Minutos

Manifestantes “golpistas” dentro do capitólio – Foto: reprodução

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Na quarta-feira (06), os EUA e o mundo viram um dos episódios que revelam a crise social e política que está vivendo um dos países centrais do capitalismo mundial. Pela primeira vez na história dos EUA, o Capitólio é invadido por parte da população e tem uma repercussão mundial.

O Capitólio foi ocupado por uma multidão enfurecida que não reconhece o resultado das eleições realizadas no ano passado em que Joe Biden derrotou Donald Trump alegando fraude. O Capitólio é o centro legislativo dos EUA e no momento da invasão estava ocorrendo a certificação de Joe Biden e reconhecendo o resultado eleitoral pelos deputados e senadores norte-americanos. No momento da invasão se encontrava o vice-presidente Mike Pence, que juntamente com outros parlamentares tiveram que se esconder e sair escoltados pelos fundos do Capitólio.

E nessa briga entre duas facções da burguesia golpista e fascista dos EUA, a esquerda brasileira passou a apoiar novamente o candidato de Wall Street, Joe Biden, e em defesa da “democracia” norte-americana e das medidas ditatoriais no coração do imperialismo mundial.

Invasão ao Congresso e caos social nos EUA. Um país que é o centro do capitalismo e que se autoproclama a maior democracia do mundo vive uma tentativa de golpe. É um escândalo. E é também um alerta da necessidade de impedir a disseminação do germe do fascismo, da intolerância e do ódio”, destacou a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, em suas redes sociais.

E se (ou quando) a invasão golpista, similar à dos Estados Unidos, ocorrer no Congresso Nacional, de que lado ficarão as Forças Armadas? A história brasileira justifica a pergunta. Espero que defendam a Constituição, e não fiquem do lado dos arruaceiros e milicianos”, disse o governador do Maranhão, Flávio Dino.

Trump tem que ser preso. Essa é a resposta que as instituições americanas precisam dar a democracia e ao mundo”, disse o psolista Marcelo Freixo.

O dia de hoje entrará para a história como uma tentativa de golpe nos EUA. Donald Trump é responsável pelo atentado à democracia e pela morte de uma pessoa durante a invasão ao Congresso incentivada por ele”, disse Guilherme Boulos.

Não foi tentativa de golpe, mas um protesto contra as eleições fraudulentas

A primeira coisa para ser avaliada é não exagerar nos fatos políticos. Não foi de maneira nenhuma uma tentativa de golpe organizada por Donald Trump e pela extrema direita dos EUA. O que houve foi um protesto contra a fraude nas eleições realizado por trumpistas que tomou uma grande dimensão e houve a invasão do Capitólio. Dizer que foi uma tentativa de golpe, uma espécie de Marcha sobre Roma, é um enorme exagero.

Esse exagero impulsionado pela burguesia dos EUA e também a brasileira é extremamente funcional para este momento político. A direita tradicional se aproveitou deste fato para justificar a política de apoiar os piores elementos da direita dos EUA, como Joe Biden, um dos elementos mais repugnantes do imperialismo.

Ao contrário de Donald Trump que não fez nada de significativo, Joe Biden é um representante fiel do imperialismo fomentando guerras e golpes por todo o planeta, como o golpe de estado no Brasil financiado por este e o presidente Barack Obama.

Um fato que precisa ser esclarecido é esse. Apesar de ser um fato político importante e que demonstra uma enorme crise dentro dos EUA, a invasão do Capitólio foi no rigor das palavras um protesto democrático e não um golpe, que está sendo usado para justificar uma política mais suja ainda de manutenção da direita genocida no poder.

Uma das eleições mais questionáveis dos EUA

As eleições norte-americanas nunca foram um processo muito confiável e nesses últimos anos o questionamento tem se intensificado. Um exemplo anterior foi em 2000, numa enorme crise do sistema eleitoral norte americano até esta última, entre o Partido Democrata e o Partido Republicano, Bush venceu Al Gore, o candidato favorito no voto popular, mas que durante as eleições foi derrotado num estado controlado por um parente de George Bush que governava a Flórida. O fato do irmão de Bush ser governador da Flórida, e de uma das principais encarregadas pela campanha do republicano ser a responsável por contratar a empresa que contabilizaria os votos naquele estado, deixou claro que as eleições haviam sido manipuladas. A oposição tentou contestar pedindo uma recontagem de votos, porém após uma guerra jurídica, a suprema corte declarou vitória para o Partido Republicano no dia 26 de novembro de 2000.

As eleições que elegeram o democrata Joe Biden foram ainda mais questionáveis. A burguesia tentou em todos os momentos evitar o ascenso de Donald Trump, tanto que até mesmo um setor importante do partido Republicano apoiou Biden, até George W. Bush. Toda a burguesia, a imprensa tradicional, os monopólios das redes sociais estiveram com Joe Biden.

Foram criados diversos critérios e exigências para limitar a participação da população nas eleições do ano passado. Foram exigidos mais de um documento oficial para a votação, poucos locais de votação que não suportavam a quantidade de pessoas votantes, milhões de votos pelo correio, fomentando um processo eleitoral esdrúxulo com uma séria de denuncias e provas de fraude.

O fato que corrobora essa afirmação é que toda a imprensa e a burguesia dos EUA gastaram milhões e milhões de dólares, páginas de jornais e horários de televisão par mostrar que não houve fraude nas eleições.

Esquerda não pode ser um rabicho da direita

A esquerda saiu correndo atrás para defender o imperialismo norte-americano. As declarações já citadas no início deste artigo revelam que a esquerda não tem a mínima ideia do que está ocorrendo no mundo e quem está apoiando.

Aceitam qualquer medida para combater o fascismo para beneficiar o setor que é pai do fascismo. No caso da invasão do Capitólio apoiaram as medidas ditatoriais do imperialismo norte-americano, como toque de recolher, prisões, manifestantes assassinados, censura contra lideranças políticas. Medidas estas que fortalecem o setor fundamental e mais genocida do imperialismo dos EUA, como a burguesia central do capitalismo, como os banqueiros de Wall Street e os grandes monopólios internacionais.

Quem está afirmando que não houve fraude nas eleições e que foi uma tentativa de golpe de Donald Trump são os especialistas em dar golpes, desestabilizar dezenas de países e matar milhões de pessoas. Assim como Bolsonaro tem o direito de falar sobre a fraude eleitoral e organizar o protesto que quiser, ou MDB, DEM, PSDB não fazem fraude eleitoral e nem deram golpes? É preciso perguntar por que esses elementos da política brasileira e a direita ligada a Joe Biden se tornaram defensores da democracia.

É uma farsa apoiar essa direita para combater o fascismo. Apoiar essas medidas utilizadas pelo imperialismo para “combater o fascismo” reforça o caráter ditatorial do regime para lutar “contra” o fascismo, mas é justamente esse regime ditatorial a porta de entrada do fascismo.

O que ocorre nos EUA é uma guerra de quadrilhas onde os dois lados fazem parte do regime fascista, sendo a diferença é que um tem apoio da imprensa e da principal ala da burguesia financeira. É uma disputa entre uma burguesia trumpista, secundária nos EUA, contra a burguesia principal e responsável pelo que ocorre no mundo, como os banqueiros e Wall Street, apoiadores de Biden.

A esquerda não pode cair na armadilha de apoiar Joe Biden ou a “democracia” dos EUA quando é preciso ter uma política independente para os trabalhadores e denunciar que o Partido Democrata e o Partido Republicano são dois lados da mesma moeda. Não consegue estabelecer um campo próprio e bem demarcado entre a extrema direita e a quase extrema direita, sempre ficando na posição de vassalo do regime golpista.

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