Eleições muncipais
A política de submissão aos partidos falidos da burguesia nada tem a ver com a luta contra o bolsonarismo
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Eduardo Paes | Foto: Reprodução

No último domingo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou o resultado da terceira eleição após o golpe de Estado de 2016. E, como não poderia deixar de ser, revelou mais uma gigantesca fraude contra a esquerda e os trabalhadores em geral. Dessa vez, a burguesia utilizou seus inúmeros recursos, incluindo a censura explícita e a proibição de atos de rua, para garantir a vitória eleitoral dos partidos com menos votos no País: os partidos do “centrão”, que estiveram à frente do impopular e odiado governo Temer.

O que chama a atenção, contudo, é que a esquerda pequeno-burguesa, ao invés de denunciar a fraude, decidiu considerar a vitória do “centrão” — principalmente do DEM, partido da ditadura militar — como uma vitória sua. Em artigo de título “A derrota de Bolsonaro e uma Esquerda ampliada”, o jornalista Rodrigo Viana avalia  o resultado eleitoral como um avanço da luta da esquerda contra a extrema-direita. Nada poderia ser mais errado.

Disse ele:

“a direita fascista afundou, a direita moderada avançou, e a esquerda ficou no mesmo lugar – com derrota nos números gerais, mas algumas vitórias políticas que apontam na direção de se construir unidade e um programa atualizado para os novos tempos. Sem motivos para euforia nem depressão, a batalha está no meio”.

Ora, mas a direita fascista não afundou, de maneira alguma. Partidos como o PSL continuaram crescendo. O PP, PSD e o DEM, descendentes diretos da Arena, o partido da ditadura militar, embora sejam do “centrão”, conservam dezenas de fascistas em suas fileiras. E um dado ainda mais importante: a quantidade de militares e policiais candidatos aumentou muito. Na própria esquerda, como no caso da Major Denice, do PT em Salvador, e do coronel Íbis Pereira, do PSOL no Rio de Janeiro, esse avanço é nítido. O jornalista confunde, assim, a realidade com uma impressão: a extrema-direita não apareceu como uma grande protagonista nas eleições simplesmente porque a burguesia assim quis.

Na eleição municipal o aparato do Estado, controlado pela burguesia, vale mais do que outra coisa. Como foi possível manipular as eleições para dar vitória a partidos sobre o qual tem maior controle, que são os partidos do “centrão”, a burguesia não impulsionou a extrema-direita. Já em 2018, como a situação estava muito mais polarizada, a burguesia impulsionou a extrema-direita.

A esquerda não está no mesmo lugar, mas recuou bastante. E os próprios casos levantados pelo jornalista mostram isso:

“O PT se recupera parcialmente do desastre de 2016. Disputará segundo turno em duas capitais (Recife e Vitória), além de ter avançado em cidades de médio porte Brasil afora (Santarém, Juiz de Fora, Contagem, Feira de Santana, Guarulhos, Diadema, São Gonçalo, Caxias do Sul)”.

O PT, na verdade, perdeu 75 prefeituras, considerado o primeiro turno de 2016. E mais: estar presente no segundo turno não é avanço algum, uma vez que o PT também esteve presente no segundo turno. E, em todo o País, o partido está metido em mil e uma alianças desmoralizantes, incluindo partidos como o PSL e o PRTB.

Outra análise equivocada da eleição é o caso do PSOL:

“PT e PSOL parecem ser complementares (e não concorrentes) para enfrentar a direita no Brasil. Pode sair das urnas uma esquerda ampliada, com rostos novos e outras siglas dividindo o tabuleiro com os petistas. Importante ressaltar que o PSOL (e também PT e PCdoB) ajudaram a levar para as Câmaras Municipais uma turma nova de mulheres feministas, negras, militantes LGBT, jovens antirracistas. Em São Paulo, fica clara uma diferença entre as bancadas eleitas do PT (com candidaturas de esquerda “tradicionais”) e o PSOL (com uma bancada que dialoga com novas demandas)”.

Segundo o jornalista dá a entender, o PSOL teria ocupado um espaço que o PT não teria acesso, ou teria perdido. Não é fato. Como destacamos, o PT perdeu 75 prefeituras em relação a 2016, quando já tinha perdido cerca de 400 prefeituras em relação a 2012. O PSOL, até agora, só elegeu quatro prefeitos em 2020. E, se em algum sentido, consegue chegar onde o PT não chega, é porque é um partido puramente oportunista e pequeno burguês da esquerda conservadora. Um dos 4 prefeitos eleitos pelo PSOL é, inclusive, um latifundiário.

A “vitória” da esquerda em 2020 é, portanto, ilusão atrás de ilusão. Não tem um pé na realidade, mas expressa muito mais um desejo do que uma política concreta. E o desejo, nesse caso, expressa uma política, que Rodrigo Viana não esclarece nesse artigo: a política da “frente ampla”. A “esquerda ampliada”, se é a esquerda que está vencendo nas eleições fraudadas de 2020, é a esquerda incapaz de se libertar do regime político. E, portanto, uma esquerda que não terá como ter alguma independência em relação à burguesia.

Se a burguesia precisou fraudar as eleições para eleger o centro, quer dizer que esses prefeitos eleitos não terão uma estabilidade. E, na medida em que a crise aumentar, o “centrão” terá cada vez mais dificuldade de governar. Nesse cenário, a extrema-direita, que permanece fortalecida, cada vez mais influente no regime, desde a Forças Armadas até o STF, terá uma vantagem extraordinária em relação à esquerda, se a esquerda continuar procurando se apresentar como a defensora número 1 dos inimigos do povo.

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