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O sítio Gazeta Revolucionária publicou um artigo logo quando foi revelado o complô entre Moro e a Lava Jato para prender o ex-presidente Lula (há quase um mês), no qual adere à tese segundo a qual tais revelações seriam uma manobra do imperialismo para derrubar Moro e Bolsonaro do governo. Ou seja, para derrubar seus próprios funcionários e, em última instância, derrotar o golpe promovido pelo próprio imperialismo.

A prova disso? O Intercept seria um jornal imperialista! De acordo com a Gazeta Revolucionária, “temos que levar em conta que o site The Intercept e seu dirigente Glenn Greenwald não são e nunca foram paladinos da esquerda. Pelo contrário sempre foram peças de manipulação controladas pelo imperialismo norte-americano”.

É verdade que Greenwald não é nenhum paladino da esquerda. Trata-se de um jornalista burguês, com um pensamento liberal e que ganha grande fama e reputação ao publicar revelações do nível daquelas sobre a espionagem da NSA ou as conspirações da Lava Jato.

Entretanto, não é uma peça controlada (ao menos integralmente) pelo imperialismo norte-americano. O que os imperialistas fizeram foi trabalhar para impedir Greenwald de revelar tudo o que poderia ter revelado, o qual acabou – por motivos ainda pouco claros – revelando apenas parte do seu potencial. Mas o que foi divulgado já foi suficiente para que o público tomasse conhecimento das arbitrariedades do imperialismo, especialmente o norte-americano. Foi, mesmo que pequeno, um golpe contra o governo dos EUA.

O fato de o Intercept ser financiado por um capitalista – Pierre Omidyar – não significa que ele é um veículo do imperialismo em si. Esse sítio não pode ser comparado com os grandes jornais que representam a política e são controlados pelas principais alas do imperialismo – como o Washington Post, o New York Times, a BBC, o Financial Times ou o The Economist. Ou, se trouxermos para o âmbito nacional, não pode ser comparado nem mesmo com a Globo, Folha, Estadão, Veja, etc., sucursais da burguesia imperialista.

Para a Gazeta Revolucionária, “o vazamento divulgado por The Intercept faz parte da guerra híbrida promovida pelo imperialismo norte-americano contra o Brasil e que vai no sentido de aprofundar o desgaste de Bolsonaro para, na hora exata, dispensá-lo da presidência da República, por bem ou por mal”.

Se formos acreditar nesse posicionamento, então deveríamos reconhecer que o Intercept é um representante do imperialismo, enquanto que a Globo, não. Um pequeno sítio contra o maior monopólio das comunicações do Brasil. Já que a Globo apoia ferozmente a Lava Jato e Sergio Moro. Logo, a Globo estaria contra o golpe e o imperialismo, que estaria promovendo este golpe por meio de um pequeno portal na Internet – que, a propósito, denunciou o impeachment de Dilma e a prisão ilegal de Lula.

É uma alucinação.

Diz a Gazeta: “É fato que o imperialismo precisa impor um governo mais estável, que instaure um regime político mais duro, que consiga impor a pauta de interesse dos EUA de ajuste fiscal radical que garanta a transferência de riquezas para a potência do norte de uma forma eficiente e que tenha condições de fazer frente a qualquer movimento mais forte de resistência operária. E esse só pode ser um governo militar. Nesse sentido se prepara o fim do governo Bolsonaro com o fim da Lava Jato e de seus agentes devidamente descartados depois de cumprir seu papel no seu devido tempo.” 

Contudo, é de se questionar profundamente se o imperialismo orquestraria tamanha desestabilização em um governo que faz tudo que ele manda, para substituí-lo por outro fantoche. Primeiro, porque Bolsonaro, apesar de sua incompetência, está fazendo “barba, cabelo e bigode”. Segundo, porque as revelações do Intercept aprofundaram a crise não somente do governo Bolsonaro, mas colocaram em xeque o golpe como um todo. Terceiro, porque essa desestabilização impulsiona de modo decisivo a mobilização dos trabalhadores para derrubar Moro e Bolsonaro e libertar Lula. Em última análise, impulsiona a luta contra o golpe e o imperialismo – logo, contra os militares, os mesmos que seriam os privilegiados com a queda de Bolsonaro, segundo o pensamento maluco propagado pela Gazeta.

O maior inimigo do imperialismo são os trabalhadores. E as revelações do Intercept permitem a mobilização destes contra o imperialismo, trata-se de um choque direto. É uma política incompatível e suicida do imperialismo apoiar a queda de Bolsonaro pela mobilização popular.

Ao se “opor a esta política” – a da derrubada de Bolsonaro -, essa parcela da esquerda está, na prática, apoiando Moro e Bolsonaro. Apoiando o imperialismo, seu patrão. Apoiando a extrema-direita, o golpe e os imperialistas contra a mobilização dos trabalhadores. Os trabalhadores, por sua vez, devem aproveitar essa oportunidade para colocar abaixo o governo Bolsonaro e o golpe, porque as condições são as mais favoráveis desde que o golpe foi dado.

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