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Eleições 2022

Esquerda a reboque de Doria deixa Bolsonaro ganhar “pontos”

A política de seguidismo da esquerda em relação à direita tradicional, profundamente odiada pelo povo, abre caminho para a demagogia dos bolsonaristas.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

A esquerda tornou-se um apêndice político de João Doria e do PSDB. – Reprodução.

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Em sua transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) criticou a viagem do governador de São Paulo, João Dória (PSDB), para Miami.  Após anunciar as medidas mais restritivas da fase vermelha do Plano São Paulo, em virtude do aumento dos casos do COVID-19, no dia 22 de dezembro, Dória viajou para os Estados Unidos para passar férias.

Bolsonaro também aproveitou para se colocar a favor do armamento da população. Assinalou que se um político aliado (Arthur Lira do Progressistas) conseguir ter êxito na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados, pretende enviar um projeto de lei para revogar o Estatuto do Desarmamento. Ele citou que o armamento seria necessário para a população defender a “liberdade” contra medidas do tipo de João Doria. Além disso, citou que facilitou a compra de armas e munições por meio de decreto e disse que um bom exemplo de sua política de armamento no campo é o declínio das atividades do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

Com as críticas que sofreu, Dória retornou para São Paulo e pediu “desculpas” e “reconheceu o erro” nas redes sociais.  O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) aproveitou a oportunidade e ironizou a viagem do governador.

O que está em questão é a disputa das eleições presidenciais de 2022. Há uma disputa política entre a direita tradicional (PSDB) e a extrema-direita bolsonarista, que se evidencia com as declarações de Bolsonaro e seus filhos. Não há escrúpulos de nenhuma parte, uma vez que se trata de quem vai se habilitar para administrar a máquina do Estado em favor dos interesses da burguesia golpista e do imperialismo.

A implementação de medidas extremamente restritivas pelo governador de São Paulo é criticada por diversos setores da população, o que o torna ainda mais impopular. Dória implementa tais medidas e, em seguida, viaja para Miami, num ato de desprezo em relação à gravidade da situação sanitária do Estado de São Paulo, a unidade da federação mais atingida pela pandemia no país e um dos epicentros mundiais da doença. Os Bolsonaros buscam se aproveitar da situação para fazer demagogia, avançar na situação política e tentar ganhar algum crédito junto ao povo.

A esquerda, por sua vez, não denuncia a situação e tampouco procurar intervir em favor dos interesses populares. Em todas as ocasiões, esta se comportou como um apêndice da direita, de forma a passar ares de legitimidade para as falcatruas e manipulações dos piores inimigos do povo. A demagogia do isolamento social foi referendada pela esquerda, que embarcou na campanha do #FicaEmCasa, embora a maioria dos trabalhadores jamais tenha tido condições de se manter em isolamento domiciliar. A esquerda procurou apoiar a política de “lockdown” e a cassação de diversos direitos democráticos promovida pela direita nos Estados e municípios, alguns até com a implementação de toque de recolher, invasão de domicílios pelas forças de repressão, encarceramento de cidadãos que estavam sem máscara.

Há meses desenvolve-se uma guerra de quadrilhas  (e laboratórios) em torno do problema da vacina. Mais uma vez, a esquerda fica a reboque de João Doria e dos setores que querem impor a vacinação por meio de medidas coercitivas que significam uma verdadeira ditadura. Isto é, o mesmo Estado que abandona a população à própria sorte em meio à pandemia, reabre as atividades econômicas, expõe trabalhadores ao contágio cotidianamente, manipula abertamente os dados para esconder a realidade, não distribui os materiais de proteção individual, não investe em hospitais e contratação de médicos e agentes de saúde, não garante emprego e renda…agora quer proteger o povo impondo a vacinação compulsória. A contradição salta aos olhos.

A impopularidade de Dória acaba por contagiar seu apêndice político, os partidos de esquerda (PT, PSOL, PCdoB). Assim, abre-se o caminho para que o bolsonarismo avance e ganhe pontos com a população. Apesar de sua demagogia, ele aparece como defensor dos direitos democráticos e da liberdade. Bolsonaro declara se opor às medidas de lockdown e chama a atenção para a necessidade de preservar empregos. Se contrapõe à obrigatoriedade da vacina. Critica a viagem de férias de João Doria para Miami em plena fase vermelha do Plano São Paulo. Coloca a questão do armamento como um ponto essencial para a defesa da liberdade dos cidadãos contra as arbitrariedades dos governantes.

Devido a política de apoiar a direita científica, como o diado João Doria, a esquerda não faz críticas a sua política e sempre que pode elogia em vez de denunciá-lo.

A esquerda deve romper com a política de Frente Ampla, que representa o seguidismo em relação aos partidos da direita tradicional (PSDB, DEM, PSD, MDB, Progressistas Republicanos), odiados pelas massas populares. Somente a defesa enérgica dos interesses populares, por meio das mobilizações nas ruas, é que pode desmascarar a demagogia do bolsonarismo em relação aos pontos sensíveis. Manter-se a reboque de João Dória terá como consequência o inevitável fortalecimento do bolsonarismo, que aparece como um defensor dos direitos democráticos, o que nunca foi e jamais será.

 

 

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