Na Itália, torcida de extrema direita fascista ataca jogador negro do Milan

Bakayoko

As páginas da imprensa revolucionária do Partido da Causa Operária tem buscado explorar, de forma frequente e com denúncias corrosivas e contundentes, a temática do racismo, não somente no futebol, mas de forma ampla, em todos os aspectos do cotidiano e da vida social onde o fenômeno se manifesta.

O recrudescimento da extrema direita fascista em várias partes do planeta fez emergir também as práticas e manifestações racistas, como um dos desdobramentos dessa ofensiva, que expressa, em última instância, a decadência e a crise terminal do capitalismo, sistema que se organiza ao redor do lucro e da exploração das classes trabalhadoras, submetendo e subjugando o conjunto da sociedade à ditadura do capital.

Na Europa, o continente que foi o berço e origem do fascismo e do nazismo, se assiste neste momento uma avalanche de manifestações de exaltação a esses movimentos de perfil nitidamente reacionário, policial e direitista, estimulado pela ascensão de governos e personagens políticos que sustentam o discurso alicerçado na perseguição e no ataque às minorias, negros, mulheres, imigrantes, ciganos, homossexuais e outros.

Um dos terrenos onde estes ataques da extrema direita – não só racistas, mas outras de caráter discriminatório – têm encontrado um certo espaço para manifestação é o futebol, particularmente na Espanha e na Itália. A chegada de muitos estrangeiros de diversas nacionalidades oriundas dos continentes africano, americano e asiático para compor o elenco dos clubes europeus fez crescer exponencialmente a cólera dos fascistas do velho continente contra esses imigrantes.

Na Itália, esses ataques vêm ocorrendo de forma mais frequente, onde o número de jogadores de outras nacionalidades é particularmente alto. Há estrangeiros em praticamente todos os times da primeira e da segunda divisão do futebol italiano, estando estes também presentes em outras divisões. Também há jogadores de origem africana compondo o elenco da seleção   principal do país, nas disputas das competições europeias.

Na última quarta-feira, dia 24 de abril, em partida válida pela Copa da Itália, confrontaram-se Milan x Lázio. A partida foi realizada na cidade de Milão, no norte da Itália, região rica e próspera do país. A equipe romana visitante (Lázio) venceu os anfitriões (Milan) por 1 x 0 e avançou à próxima fase da competição. A partida foi marcada por mais uma manifestação de racismo, dentre as muitas que ocorrem na Itália. Torcedores ligados a extrema direita fascista da torcida da Lázio hostilizou o meia atacante milanês Bakayoko, francês de descendência africana, dirigindo ao jogador insultos e cânticos racistas. Foi a segunda vez que o jogador do Milan sofreu ataques racistas, sendo a primeira na partida contra a Udinese, no dia 13 de abril, esta válida pelo campeonato italiano. Na ocasião, Bakayoko foi novamente xingado e atacado pelos mesmos fascistas romanos torcedores da Lázio.

Uma das economias mais importantes do velho continente, a Itália tem neste momento um governo composto pelos populistas do Movimento Cinco Estrelas em coalizão com um setor da extrema direita italiana, representada pela Liga Norte, de Matteo Salvini. Nas eleições de 2018, uma das bandeiras da extrema direita foi exatamente o problema da imigração, onde o discurso dos direitistas e populistas esteve centrado na necessidade de se criar barreiras ainda maiores para a entrada de refugiados africanos na Itália.

O avanço da extrema direita fascista, não só europeia como de resto em todo o mundo, somente poderá ser detida através de um amplo movimento popular e operário, que abra uma etapa de lutas vitoriosas das massas, que devem estar orientadas e dirigidas por uma política classista, independente, anti-imperialista, revolucionária e socialista.