A morte lenta do futebol brasileiro, refém de esquemas táticos fracassados

copa de 70

Ainda antes de sagrar-se campeão mundial de futebol pela primeira vez, em 1958, o futebol brasileiro já era reconhecido, respeitado e admirado em todo o mundo pelo seu encantamento, sua estética, magia e plasticidade. Não fomos os inventores, é verdade, mas com certeza somos os melhores praticantes daquele que é o esporte mais popular do mundo.

Fomos a primeira seleção tricampeã do mundo, além de sermos o único país que ostenta a condição de pentacampeão mundial de futebol. O time mais conhecido em todo o mundo, a despeito da mundialização do futebol, ainda é um time brasileiro, o Santos, que reinou soberano na década de sessenta, liderado pelo maior jogador de todos os tempos, o inigualável e incomparável Pelé.

Enquanto manteve-se fiel ao futebol arte, mágico e encantador, o Brasil esteve no topo do mundo, imbatível em sua condição de líder no ranking internacional de seleções, ainda que os esforços para destronar o nosso futebol desta condição já venham sendo feitos há algum tempo.

Depois de 2002, quando conquistou pela última vez um título mundial, o futebol brasileiro entrou definitivamente na alça de mira e na rota de ataques dos inimigos do futebol, os agentes do grande capital e das grandes corporações financeiras que tomaram de assalto e passaram a controlar o esporte mais popular do planeta.

Não é casual, portanto, o fato de que a última copa do mundo conquistada pelo futebol brasileiro aconteceu em 2002. Estamos há dezessete anos sem conquistar a cobiçada taça, ainda que tenhamos realizado o evento mundial em 2014, quando ficamos em quarto lugar.

A gigantesca pressão exercida pelos grandes patrocinadores; a desorganização interna; a falência da maioria dos grandes clubes; o êxodo dos nossos melhores valores para o futebol estrangeiro, estão na lista dos elementos que contribuem de forma contundente para a perda de identidade do nosso futebol.

Também o abandono daquilo que sabemos fazer de melhor, como o uso da criatividade, o improviso, o drible, a ginga, vem concorrendo para esta morte lenta do nosso futebol. Estamos acorrentados a esquemas táticos rígidos, pobres, sem criatividade, defensivo, congestionado, inflexível, seguidores de uma ortodoxia de cartilhas fracassadas que só tem trazido derrotas e feito malograr o melhor futebol do mundo.

Está mais do que na hora de romper com esta mentalidade, com esta filosofia do fracasso e retornar às origens, às raízes, fazendo valer a tradição e a magia que alçou o país à condição de melhor futebol do mundo, vitorioso, vibrante, vencedor e empolgante.