Brasileiro que atua no basquete norte-americano revela racismo em sua chegada aos EUA

NBA: Playoffs-Oklahoma City Thunder at Houston Rockets

O basquete norte-americano e sua multimilionária liga nacional, a NBA, embora tenha em sua composição times com ampla maioria de atletas negros, registra em sua história inúmeros casos de racismo entre os jogadores dos times que disputam a liga, tanto da costa leste, como oeste do país.

O esporte é um dos mais populares dos Estados Unidos, senão o mais popular, junto ao beisebol e o futebol americano. A seleção norte-americana é reconhecida como uma das mais fortes do mundo, disputando a hegemonia mundial com a seleção russa e também os sérvios, com grande tradição neste esporte.

Os negros norte-americanos são maioria absoluta na formação da seleção dos Estados Unidos, com várias conquistas importantes em torneios mundiais e nas olimpíadas. Os atletas brancos que se destacaram na liga norte-americana são alguns poucos ao longo dos vários anos de existência da NBA, não indo além de uma meia dúzia de nomes que ninguém consegue recordar.

Um caso de racismo que ganhou notoriedade envolveu um atleta brasileiro que hoje é destaque na liga norte-americana. Trata-se do jogador Nenê, paulista de São Carlos, que defende a equipe do Houston Rockets. Nenê chegou aos Estados Unidos em 2002 para defender o Denver Nuggets, onde permaneceu por dez anos, até 2012.

O atleta brasileiro relata a forma desrespeitosa como foi recebido em seus primeiros anos nos EUA e principalmente quando chegou ao país. “Eu tinha 18 anos. Sem falar inglês. Sem família. Eu era um verdadeiro estranho. Estava com medo. Se algo desse errado, para onde eu iria correr? “Falar inglês era uma coisa; falar gíria e xingar é uma coisa diferente. Quando cheguei aqui, foi um grande, grande choque cultural” (ESPN, 20/12).

Ao longo de todos esses anos atuando em uma das ligas mais fortes do basquete mundial,  Nenê se tornou um ícone entre os negros estrangeiros que marcaram seu nome e ajudaram a criar uma perspectiva única para a liga. “O racismo ainda está acontecendo em todo o mundo. Há muitas mentes fracas que tentam separar pessoas usando a cor como desculpa. Quando cheguei aqui, usei a oportunidade. Usei minha fé. Eu tratei as pessoas muito bem e com respeito”, declarou o atleta brasileiro (idem, 20/12).

O fenômeno do racismo está presente em todos os momentos da vida norte-americana ao longo de várias décadas, seja no esporte, na política, na música, no cinema, na literatura. Os negros sempre foram vítimas da perseguição e da discriminação por parte da direita fascista ianque. Neste momento, a população negra norte-americana é a mais atacada e vilipendiada sem seus direitos, em função da ofensiva dos capitalistas e do grande capital financeiro que agoniza em todo o mundo.