Três dias antes da final da Libertadores, polícia espanhola deporta chefe de torcida do Boca Juniors

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Como já é de amplo conhecimento em todo o mundo, a final da mais importante competição de clubes de futebol do continente sul-americano, a tradicional Taça Libertadores, não será disputada na América do Sul. A entidade que controla e “organiza” o futebol no continente, a Conmebol, conduziu de forma totalmente desastrosa a competição neste ano de 2018. O desfecho não poderia ter ido mesmo outro, senão o impasse vivenciado pela decisão final, onde dois times de um mesmo país, a Argentina, serão os protagonistas da finalíssima.

Depois de muita indecisão, idas e vindas e outras especulações, os dirigentes da entidade decidiram que o segundo e decisivo confronto entre os dois maiores rivais platenses será realizado em Madri, na Espanha, no estádio do Real Madrid, o Santiago Bernabéu. Múltiplos interesses estão envolvidos na ida da decisão para a capital espanhola, incluindo aí, obviamente, dinheiro, muito dinheiro, a mola propulsora que já a algum tempo impulsiona o esporte mais popular do planeta.

A decisão de levar a final para um continente alheio e estranho aos dois times que irão fazer a final já é, antes de qualquer outra consideração, uma aberração, um verdadeiro escárnio contra o torcedor argentino e também um vil ataque ao conjunto do futebol do continente sul-americano, o melhor do mundo.

Somente uma entidade totalmente alheia aos interesses do verdadeiro futebol e completamente prostrada aos interesses do imperialismo europeu, que hoje controla o futebol no velho continente, é capaz de semelhante ato de vilania e sordidez contra o futebol sul-americano.

Um desfecho quase que inevitável de todo este espetáculo protagonizado pelos cartolas dirigentes da Conmebol, já bastante previsível, diz respeito à repressão montada contra os torcedores no país europeu que irá sediar a final. Faltando três dias para a decisão, a polícia espanhola entrou em ação e num ato de total e completa arbitrariedade, deportou de volta para Buenos Aires, um dos líderes de uma das torcidas do Boca Juniors, a “La Doce”, que se deslocou até Madrid para assistir a final. “Maxi Mazzaro, um dos líderes da torcida organizada “La Doce”, do Boca Juniors, foi deportado na noite desta quinta-feira.

Ele havia sido autorizado pelas autoridades argentinas a viajar para a Espanha, mas foi detido imediatamente após desembarcar no aeroporto de Barajas, em Madri. Mazzaro foi interrogado e então despachado de volta para Buenos Aires num voo da companhia Iberia” (globoesporte, 07/12).

Vale destacar que o torcedor não cometeu nenhuma infração, ilegalidade ou qualquer outro ato que justificasse a deportação. Simplesmente ao desembarcar no aeroporto foi levado a interrogatório e depois colocado num voo de volta a Buenos Aires. Uma completa e total arbitrariedade.

O esquema de segurança montado pela polícia espanhola para o jogo decisivo já é o maior para uma partida de futebol na Espanha. Entre 2.500 e 3 mil policiais foram destacados para atuar na operação em seu conjunto, o que evidencia que um grande aparato repressivo está sendo organizado para agir na partida, particularmente contra os torcedores, essa é a verdade.

Toda esta operação deixa claro que é grande o temor das autoridades europeias em torno a tensão e a expectativa que ronda a partida final da Libertadores, que será realizada na Europa exatamente num momento em que o velho continente está fortemente conflagrado, com gigantescas mobilizações de massas na França e mesmo na Espanha, onde a luta em torno a questão das nacionalidades (Catalunha, Galícia, região Basca) assume cada vez mais características abertamente revolucionárias.