Extrema-direita cresce
PSOE e Podemos formação uma coalizão, de modo que o Podemos poderá absorver para si todo o desprestígio de um partido em franca decadência, ao qual aparecerá associado
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Pedro Sánchez e Pablo Iglesias, líderes do PSOE e do Podemos, respectivamente. Foto: Twitter |

Terça-feira (12) o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), vencedor das eleições do fim de semana na Espanha, e o Podemos, partido de esquerda que seria a alternativa ao PSOE, anunciaram uma coligação para tentar formar um novo governo. As eleições espanholas deixaram uma situação de impasse, sem que nenhum partido conseguisse maioria e a formação de coligações ficasse muito complicada. A coligação entre PSOE e Podemos soma 155 cadeiras ao todo, de modo que ainda faltariam 21 parlamentares para garantir a posse de Pedro Sánchez, líder do PSOE, como presidente do governo (cargo que equivale ao de primeiro-ministro).

 

Fim da esquerda

O PSOE já é um partido muito desgastado depois de vários governos em que aplicou contra o povo espanhol o programa dos banqueiros europeus. Assim como o Partido Popular (PP), que representa a direita tradicional do regime burguês na Espanha, o PSOE representa a esquerda do regime. A crise desses dois partidos, que perderam muito de seu poder eleitoral nos últimos anos, corresponde à crise política do próprio regime burguês na Espanha e na Europa em geral.

O Podemos apareceu como uma suposta alternativa ao PSOE, seria um partido de esquerda que não aplicaria as políticas neoliberais que o PSOE levou adiante. No entanto, agora o Podemos aparece junto com o PSOE em um possível governo. Governará junto com Sánchez, ficando responsável por ministérios e votando as propostas do governo no Parlamento. Se o PSOE já é desgastado junto à população, agora será a vez de o Podemos se desgastar, associado ao PSOE e às políticas impopulares que serão aplicadas adiante, caso se consiga formar um governo.

 

O Vox agradece

Quem se beneficia dessa situação é a extrema-direita. Ao mesmo tempo em que a esquerda não enfrenta a extrema-direita, ela pode aparecer tranquilamente, por meio de muita demagogia, como verdadeira oposição ao regime político. E desse modo a extrema-direita cresce, diante da crise política e da omissão dos partidos de esquerda. É assim que o Vox, partido de extrema-direita espanhol, conseguiu seus primeiros 24 parlamentares nas eleições de abril deste ano, e no domingo mais que dobrou sua bancada, chegando a 52 cadeiras. Um crescimento vertiginoso, que mostra que um novo fracasso para a formação de um governo poderia levar até a uma vitória do Vox.

Esse é um processo político que está se repetindo por toda a Europa. A esquerda está atrelada ao regime político da burguesia em crise, o que a está levando a definhar junto com esse regime apodrecido. Com apoio de setores da burguesia que se deslocam à direita, a extrema-direita está cada vez mais forte nos países europeus, em uma preparação da burguesia para reprimir os trabalhadores em caso de revoltas contra a política neoliberal.

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