Espanha: direita “democrática” se une aos fascistas para defender opressão da Catalunha

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Uma grande manifestação convocada pela direita teve lugar em Madri na Espanha neste último domingo. Convocada pelo Partido Popular (PP), pelo Cispadanos, Vox além de outros partidos menores o ato visou protestar contra a atitude do Primeiro-Ministro Pedro Sánchez (PSOE) de aceitar dialogar com partidários do separatismo da Catalunha e pela unidade do país e a convocação de eleições gerais. A despeito da concessão feita pelo primeiro-ministro de abrir conversações com os separatistas ele deixou claro que não pretende aceitar o resultado de um possível referendo que decida pela secessão.

Embora alguns integrantes do PP e do Ciudadanos tenham se sentido constrangidos em subirem no palanque junto com o VOX, partido da extrema direita, isso não impediu que os líderes dos três partidos posassem juntos para fotografias ao final do ato. Em Madri a manifestação contou com a presença do escritor direitista peruano Mario Vargas Llosa e do ex- primeiro-ministro socialista da França o cidadão catalão-franco-suíço, Manuel Valls. Os partidos da direita espanhola classificam como traição a atitude do primeiro-ministro de dialogar com representantes dos separatistas.

A manifestação em Madri marca a formação de uma coalizão de direita que une o Podemos partido que gosta de se apresentar como de centro ou centro direita com o PP que apesar de ser abertamente fascista é a direita tradicional no país e o Vox que é abertamente de extrema direita. Essa formação revela que apesar das divergências pontuais a direita na verdade é uma só quando se trata de trabalhar contra ideais democráticos, no caso a legítima aspiração dos catalães à independência. A recente crise do referendo pela independência da Catalunha escancarou que a democracia na Espanha é uma farsa assim como é uma farsa a democracia da União Europeia.

A Catalunha assim como o País Basco foram alvos preferenciais da burguesia imperialista espanhola que estava por trás do regime fascista de Francisco Franco. Após sua morte o arremedo de democracia que se instalou na Espanha afrouxou um pouco as amarras mas mostrou seus limites durante a crise na Catalunha quando reprimiu com violência os eleitores catalães que compareceram às urnas. Além do mais vários líderes políticos encontram-se presos em razão de suas posições pró independência e pela mesma razão o ex primeiro ministro catalão Carles Puigdemont encontra-se refugiado na Bélgica. O movimento independentista catalão insere-se no espaço das lutas contra hegemônicas em face do imperialismo espanhol e de seus superiores europeu e estadunidense. Portanto merece o apoio da esquerda que tem como perspectiva a libertação dos povos da opressão do capital.