Coronavírus
A burguesia fez o cálculo que sem esse tipo de medida, a tendência à explosão social com mobilizações, saques, quebra quebra, seria inevitável.
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Comércio camelô nas 25 de março em São Paulo. Paulo Pinto/Fotos Públicas |

A aprovação pela Câmara Federal do auxílio de R$ 600,00 – podendo chegar a R$ 1.200,00 para mães que sustentam sozinhas suas famílias – para trabalhadores informais e para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC) que aguardam na fila do INSS, por três meses, causou um verdadeiro alvoroço nos meios políticos.

Partidos da direita e da esquerda defendem cada um para si a paternidade da aprovação do benefício. No caso da esquerda, inclusive, nenhuma palavra sobre a proposta unificada dos partidos da esquerda que variava originalmente entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00.

O que também não é dito pelos “pais” do projeto é que em troca da concessão do auxílio ficou para 2021 a ampliação do BPC para pessoas (idosos e deficientes) com renda de até meio salário mínimo, hoje é de 25% do salário.

Existe ainda a questão dos beneficiários. O PT chegou a falar em quase 100 milhões de pessoas. O governo estima que no máximo esse número alcança 24 milhões, tamanho é o número de exigências para que as pessoas tenham direito, chegando ao ponto que os beneficiários do Bolsa Família (recebem em média R$ 190,75) tenham que optar entre um ou outro benefício.

A medida é absolutamente insuficiente e o valor do benefício uma verdadeira esmola diante da gravíssima crise social e econômica por que passa o País, ainda mais quando se compara aos R$ 1,2 trilhão concedido aos banqueiros.

Em todo caso, a aprovação da medida por consenso, ou seja, a direita bolsonarista e não bolsonarista que são responsáveis pelo caos do País, pela destruição da saúde (PEC da morte) e da renda da população (reforma trabalhista, reforma da Previdência) e o próprio Bolsonaro terem aceitado com tanta facilidade a aprovação do benefício se explica não por conta de uma pretensa pressão no parlamento, como quer fazer crer a esquerda, mas no temor da explosão social que está em vias de ocorrer no Brasil.

A burguesia fez o cálculo que sem esse tipo de medida, a tendência à explosão social com mobilizações, saques, quebra quebra, seria inevitável. É isso que explica a aparente guinada de um governo que tem aproveitado a própria crise causada pela pandemia, para impor mais ainda ataques ao conjunto dos explorados, como é o caso da medida provisória 927/2020 e da que está em gestação que permite a suspensão do contrato de trabalho por parte dos patrões.

Se a condição do Brasil já era de extrema gravidade antes da epidemia do coronavírus, com a sua explosão, transformou-se numa verdadeira bomba-relógio prestes a ser detonada.

É por isso que é um erro gravíssimo da esquerda e dos sindicatos fazerem coro com uma ala da burguesia – a ala mais pró-imperialista – na defesa pura e simples da quarentena, quando outras questões fundamentais deveriam ser atendidas, inclusive para garantir a eficácia da quarentena.

A infraestrutura da saúde (hospitais, testes, matérias de higienização, entre outros) e a própria sobrevivência da população nem de longe vão ser supridas com medidas paliativas, como essa do abono de R$ 600,00.

Na atual etapa, a esquerda e os sindicatos que se reivindicam dos povo, dos trabalhadores,C devem estar à frente da organização dos explorados, pois a tendência a mobilizações e ao enfrentamento com o regime golpista é muito grande e ela vai ocorrer  com ou sem organização. Caso prevaleça a segunda opção, os resultados serão imprevisíveis. 

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