Escritores brasileiros repudiam o bloqueio imperialista contra Cuba

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Por Pedro de la Hoz, no Granma* – A União Brasileira de Escritores (UBE) distinguiu em Havana o poeta e etnólogo Miguel Barnet com a Medalha Jorge Amado, o reconhecimento mais importante da organização, em atenção à hierarquia de sua obra literária e como representante da cultura de um país submetido por seis décadas a um implacável bloqueio pelos governos dos Estados Unidos.

Para tornar efetiva a decisão do conselho de administração da UBE, seu presidente, Durval de Nogueiras Goyos Jr., portador de uma mensagem de solidariedade dos escritores de seu país, viajou à Ilha enfatizando que os escritores desse país rejeitam o alinhamento coincidente dos atuais líderes do Brasil e dos EUA em sua política anticubana.

Durante o ato realizado na sede da Uneac, e com a presença de Fernando León Jacomino, vice-ministro da Cultura, Nogueiras lembrou que a organização que preside, já em 1960 e por iniciativa de Jorge Amado, manifestou publicamente apoio ao curso independente da Revolução Cubana e denunciou as agressões imperiais, que até então tinham a nação antilhana em vista.

Em Barnet, escritores brasileiros premiaram o que consideram o mais importante autor cubano vivo, a marca fundamental da Biografia de un cimarrón, as contribuições para o desenvolvimento da literatura testemunhal, o intenso esboço antropológico de sua obra e também a dignidade com a qual ele colocou alta cultura cubana em todas as áreas.

Ao agradecer o prêmio, o poeta explicou como ele encontrou na narrativa de Amado o magma da miscigenação e o que o legado africano representa na sociedade brasileira: «negros, mulatos, pessoas de pele morena e condição humilde, escravos, os peões, os estivadores portuários, o candomblé, a macumba, as mães dos santos, os orixás tão relacionados aos nossos e a irrevogável vocação de justiça e alegria de viver dos pobres e despossuídos naquele país gigantesco, penetraram meus alunos e minha sensibilidade lendo seus romances».

Entre Cuba e Brasil, disse, nada pode ser feito por aqueles que «em tempos de repontes neoliberais e facistóides, pretendem fraturar a proximidade histórica entre nossas culturas e povos». A esses personagens Barnet fez questão de lembrar um verso de uma música muito popular de Chico Buarque, na moda dos anos 60 e totalmente adequada para estes dias: “Apesar de você, amanhã deve ser outro dia…».

* Os artigos reproduzidos não expressam necessariamente a opinião do Diário Causa Operária e do Partido da Causa Operária.