Escolas sucateadas
Pesquisas mostram que as escolas não têm condição de retornar às aulas presencias
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Sala de aula
Exemplo de uma sala de aula | Foto: Reprodução

Assim como acontece na grande maioria das escolas do setor público e privado em todos os estados e cidades do país, no Estado de São Paulo, pesquisas realizadas pelo Instituto de Arquitetos do Brasil e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos apontam que 99% das escolas em todo o estado não possuem qualquer sistema de segurança sanitária interna que seja eficaz na contenção da pandemia diante da realidade imposta de um possível retorno às aulas presenciais mesmo com a  Covid -19 no seu ápice. Os indicadores mostram que, em São Paulo, 99% das escolas não possuem consultório médico, enfermaria ou profissionais da saúde à disposição dos estudantes e dos trabalhadores da educação. Outro sério problema é a inexistência de locais onde os alunos possam realizar práticas de higiene básico, pois com os dados dos institutos citados, cerca de 82% das escolas em todo o estado de São Paulo possuem apenas dois vasos sanitários disponíveis para uso de todos os estudantes. 

Para piorar, a pesquisa realizada mostra que mais de 10% das escolas não possuem pátio, não há vestuário em quase 80% delas, 13% das escolas não possuem ambientes destinados aos desportos e 48% são desprovidas de sanitários adaptados para pessoas portadoras de deficiência. O levantamento das realidades escolares apresentado pelos institutos foi solicitado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo – APEOESP, que juntos divulgaram uma cartilha chamada “Manual Técnico para Escolas Saudáveis” que visa traçar protocolos comportamentais e estruturais dentro do ambiente escolar que devem ser obedecidos pelos alunos e professores e executados pelos governadores e prefeitos, coisas que obviamente não acontecerá. 

No manual lançado pelo APEOESP, os cuidados estruturais sugeridos como protocolo de segurança perante a doença se configuram em tudo que as escolas não são. Ou seja,  no documento, recomenda-se que as aulas e rotinas escolares aconteçam com distanciamento e ao ar livre, como em pátios ou quadras desportivas. Mas como uma escola sem ambiente de socialização coletiva, uma escola que apenas possui salas, faria isso? Também é sugerido que deve-se manter um distanciamento significativo entre as pessoas e promover circulação de ar ao manter as portas abertas, inclusive para evitar contato dos alunos com a maçaneta. Mas como escolas com salas superlotadas e em ambientes insalubres, abandonadas pelo poder estatal, realizariam tal façanha?

Em escolas onde frequentemente há mais de 35 alunos matriculados por turma e o espaço interno da sala de aula é minúsculo, torna-se impossível manter o distanciamento, a menos que se reduzissem as turmas para 20 alunos ou que cerca de 93% das salas de aulas das escolas do estado de são paulo fossem adaptadas para respeitar o distanciamento e as demais normas de circulação de ar.  Tais recomendações estão, inclusive, apresentadas no manual, mas todos nós sabemos: Doria não executará qualquer recomendação de adaptação estrutural. Reduzir as turmas significa ampliar as escolas, contratar mais professores, investir na educação. E isso não é do interesse do governador de São Paulo. 

Para o manual, durante o intervalo, momento em que os alunos geralmente socializam e se alimentam, deve-se manter um distanciamento mínimo de dois metros entre cada pessoa, uma vez que ao se alimentar, retiram-se as máscaras e também deve-se sugerir aos alunos outras práticas de engenharia social, como evitar conversar uns com os outros. E novamente questiona-se, como os estudantes praticarão distanciamento social em refeitórios tão minúsculos como as salas de aula? Isso quando a escola possui refeitório. 

Em relação ao risco de infecção ao tocar objetos contaminados, o documento indica instalação de sensores de acionamento automático em torneiras de banheiro, bebedouros, saboneteiras, descargas e afins. Mas como o próprio documento nos leva a inferir, podemos notar que, se mais de 80% das escolas não possuem nem vasos sanitários suficientes para os alunos, é bastante improvável que existam também outros recursos básicos de higiene pessoal, aos quais possam se instalar sensores automáticos de acionamento.

Percebe-se que a pandemia explicitou o problema das estruturas precárias das escolas, evidenciou a baixa qualidade dos espaços de ensino e o investimento pífio dos governadores à educação público, que deveria ser de ótima qualidade. A crise do capital, intensificada pela crise pandêmica,  mostrou que frequentemente escolas são lugares insalubres, abandonadas à própria sorte pelo poder estatal que foi tomado pela direita golpista. Enquanto entidades neoliberais querem transformar o ensino público em fonte de lucro privado, os governantes golpistas sucateiam as escolas para gerar na sociedade um sentimento negativo em torno da escola pública com fins de legitimar as propagandas constantes de privatizações sucessivas do ensino público, de modo a tirar o ensino da lista dos direitos sociais e transformá-lo  em serviços oferecidos por empresas privadas. 

Nem Dória e provavelmente nenhum outro governador adaptarão os espaços escolares para uma  retomada segura das aulas presenciais durante a pandemia. Nesse sentido, é preciso levar aos  trabalhadores da educação, os alunos e a sociedade o pensamento de que o retorno às aulas presenciais deve acontecer apenas com vacina e com teste em todos. Deve-se exigir o Fora Bolsonaro, pois este presidente golpista abandonou a população à própria sorte diante da contaminação por covid, levou  a população ao abate sem assegurar isolamento social e teste para todos e ao fazer de tudo para manter comércios não essenciais funcionando, mesmo que isso custasse a morte de mais de 100 mil de cidadãos brasileiros em números oficiais. É preciso também pedir “fora Dória”, que fingiu se preocupar com a população no início da pandemia apenas para antagonizar com Bolsonaro objetivando autopromoção,  mas em pouco tempo mostrou que também se preocupa apenas em seguir ordens capitalistas em troco da morte da população paulista contaminada com o vírus, ou seja, a política de Dória e de Bolsonaro é a mesma. E ambos devem ser derrubados pela sobrevivência da população diante da pandemia.

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