Eleição na Câmara
Uma das pautas essenciais da esquerda, a questão do aborto é totalmente ignorada nas propostas de Luzia Erundina (Psol) para a eleição na Câmara
SÃO PAULO, SP, 24.07.2016: ELEIÇÕES-SP - A candidata a prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Luiza Erundina, oficializa sua candidatura durante convenção do partido na sede do SINTAEMA, na zona norte da capital. (Foto: Taba Benedicto/Folhapress)
Luiza Erundina, deputada federal pelo Psol-SP | Imagem: Fábio Vieira/Fotoarena/Folhapress
SÃO PAULO, SP, 24.07.2016: ELEIÇÕES-SP - A candidata a prefeitura de São Paulo pelo PSOL, Luiza Erundina, oficializa sua candidatura durante convenção do partido na sede do SINTAEMA, na zona norte da capital. (Foto: Taba Benedicto/Folhapress)
Luiza Erundina, deputada federal pelo Psol-SP | Imagem: Fábio Vieira/Fotoarena/Folhapress

Após polêmica na decisão sobre lançar candidato de esquerda ou apoiar um candidato de direita na eleição no Congresso Nacional, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) decidiu lançar Luiza Erundina, deputada federal por São Paulo, à presidência da Câmara dos Deputados.

Mesmo tendo sido escolhida como candidata, a deputada criticou o partido em publicação no seu próprio Twitter. Se opôs à posição de outros deputados da legenda amarelinha de lançar um apoio “tático” ao candidato do chamado centrão, Baleia Rossi (MDB-SP), em nome de uma suposta luta contra o bolsonarismo.

Segundo ela, a conduta do partido levaria a se integrar ao fisiologismo em troca de cargos na Mesa Diretora.

Ocorre, no entanto, que a candidatura da veterana deputada não está a serviço de uma luta contra o bolsonarismo, mas uma demagogia para controlar uma crise que poderia acontecer caso o partido decidisse apoiar um candidato de direita. É uma fachada, uma manobra para numa segunda oportunidade poder apoiar o direitista.

Ao lançar Erundina, o Psol lançou também um programa que é bastante superficial, se omite numa questão primordial para as mulheres, que é a questão do aborto.

A parte que trata das mulheres é a seguinte:

“A maior participação das mulheres na política é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa, bem como para o combate ao assédio, à discriminação, e à violência contra a mulher. Nosso compromisso é pautar os projetos que assegurem a efetiva representatividade das mulheres na condução dos trabalhos legislativos, como a política de reserva de vagas na Câmara dos Deputados, nas Assembleias Legislativas, na Câmara Legislativa do Distrito Federal e nas Câmaras Municipais; também pretendemos pautar e aprovar projetos que combatam todas as formas de violência contra mulheres e meninas, incluindo a violência política, e que assegurem a promoção da saúde da mulher, que garantam os direitos de mulheres travestis e transexuais e que reconheçam a cidadania, a identidade e os seus direitos sexuais e reprodutivos;  também defendemos projetos que garantam o direito a um parto seguro e humanizado, respeitando a autonomia das mulheres. Em diálogo com a bancada feminina, vamos criar um Grupo de Trabalho em conjunto com a sociedade civil para pensar uma agenda feminista para a Câmara dos Deputados;”

De pronto, já se nota que o texto é bastante superficial e na realidade não defende nada de concreto. Se a deputada psolista for eleita, ela vai lutar por mais “participação” das mulheres, mas não explica como, nem por qual meio,  defendendo uma participação genérica, sem maiores explicações.

A questão do aborto, que é essencial às mulheres, nem sequer é mencionada. Surpreende, no entanto, que essa é uma das pautas em torno a qual o Psol faz a maior demagogia, a questão da mulher e sua defesa.

O Psol é, na realidade, um partido burguês, onde o que importa para a tomada das decisões partidárias são os interesses parlamentares, enquanto a base do partido não decide nada. Para assegurar os cargos de parlamentares, eles esquecem a demagogia e tiram da pauta questões essenciais da classe trabalhadora, como a questão do aborto, fundamental para a luta das mulheres. Eles trocam a defesa da vida das mulheres por votos.

Ao adotar essa política, o Psol deixa de fora uma das pautas mais importantes da esquerda, a questão da legalização do aborto, e adota uma política de mais repressão, como ficou expresso no programa de Erundina replicado acima. Ao ignorar a questão do aborto, o Psol é conivente com a direita, que tem a mulher como cidadã de segunda classe, um ser humano de segunda linha, que não pode decidir sobre seu próprio corpo.

A esquerda pequeno burguesa sempre trata o assunto muito timidamente, ou ignorando totalmente, levando a pauta do aborto sobretudo do ponto de vista moral, como no caso do aborto resultante do estupro; do ponto de vista individual quando dispõe que seria uma forma de a mulher ter o poder sobre seu corpo; e por fim do ponto de vista de que se trata de uma questão de saúde pública, por conta da grande quantidade de mulheres que sofrem com sequelas ou morrem como resultado dos procedimentos realizados de forma insegura.

A defesa do direito ao aborto é essencial, pois se trata de mais um mecanismo da burguesia para massacrar e controlar a classe trabalhadora. Somado a isto fica evidente ainda que a situação das mulheres só pode de fato prosperar com o fim daqueles que mantêm suas amarras, ou seja, a burguesia. Só em uma sociedade comunista as mulheres terão seus interesses verdadeiramente atendidos e o lar e os filhos deixarão de representar um martírio para as mulheres. É obrigação de todos aqueles que se dizem de esquerda, socialistas, defenderem o direito ao aborto em todos as ocasiões e em todas as instâncias.

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