O imperialismo é hi-tech
No fim do ano, a equipe de transição de Biden contava com nada menos do que nove executivos que trabalharam previamente no Facebook, Google ou Twitter.
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Joe Biden, antigo criminoso de guerra e atual presidente dos EUA. | Foto: Reprodução
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Joe Biden, antigo criminoso de guerra e atual presidente dos EUA. | Foto: Reprodução

Altos funcionários dos monopólios das redes sociais e demais gigantes norte-americanas de tecnologia estão umbilicalmente ligados à viabilização da campanha de Joe Biden à presidência dos Estados Unidos.

A emissora Fox News informou recentemente que os principais monopólios do país Google, Amazon e Microsoft encontram-se entre os doadores do comitê inaugural de campanha do político democrata. Um relatório divulgado pelo Comitê Inaugural de Biden apontou doadores que contribuíram mais de US$ 200 (R$ 1 mil), mas não especificou o valor exato acima disto.

É comum no país imperialista que os monopólios doem grandes quantidades de dinheiro para as campanhas dos dois maiores partidos do sistema. O próprio Donald Trump em 2017 recebeu doações da Microsoft e do Google visando a sua possível reeleição no futuro.

A política de boa vizinhança sofreu um forte revés desde então. O portal Wired também divulgou um relatório onde consta que os empregados das gigantes Alphabet, Amazon, Apple, Facebook, Microsoft e Oracle teriam doado desde o início de 2019 cerca de 20 vezes mais dinheiro à campanha presidencial de Biden do que para a de Trump.

Os valores destas doações foram divulgados pela Comissão Eleitoral Federal que apontou que os funcionários desses seis grandes monopólios doaram assustadores US$ 4,7 milhões (cerca de R$ 25 milhões) para Biden contra míseros US$ 239,5 mil (aproximadamente R$ 1,3 milhão) para Trump.

Como quem em uma “profecia” óbvia alguns políticos republicanos como os senadores Ted Cruz e Josh Hawley foram para a tribuna em dezembro de 2020 alertar que as “gigantes da tecnologia comandariam o governo” caso Joe Biden se elegesse presidente do país, isto porque já no fim do ano a equipe de transição de Biden contava com nada menos do que nove executivos que trabalharam previamente no Facebook, no Google ou no Twitter.

Diversos destes membros da equipe de transição compuseram o governo de Barack Obama (2009-2016) e no final do seu mandato foram trabalhar para os monopólios de tecnologia e agora retornam ao comando do Estado através da equipe de Joe Biden, que outrora foi vice de Obama.

Executivos de alto escalão do Twitter, por exemplo, também estão ocupando diversos cargos de liderança na gestão de Joe Biden, o que acirrou a crítica dos republicanos que alegam interferência direta dos monopólios do Vale do Silício para viabilizar os governos democratas.

De acordo com a emissora Fox News, apenas os funcionários do Twitter e seus familiares doaram 64 vezes mais dinheiro para a campanha presidencial de Joe Biden do que para Donald Trump. Os valores são baixos, no entanto, Joe Biden recebera US$ 193 mil (cerca de R$ 1 milhão), enquanto Donald Trump recebeu US$ 3 mil (aproximadamente R$ 16 mil).

Conforme os dados do Centro de Política Responsiva, os maiores doadores da campanha de Biden seriam a agência de notícias do multibilionário Bloomberg, o fundo de arrecadação Future Forward USA PAC e o aplicativo Asana.

Fraude e apoio dos grandes monopólios contra Trump

O Twitter foi uma das principais redes sociais monopolistas a impor restrições às postagens de Donald Trump sob a acusação de não disporem de comprovação. O então presidente denunciava supostas fraudes no processo eleitoral de 2020 como o voto por correio.

A censura levada adiante contra a direita trumpista elevou os ânimos dos apoiadores do presidente que resolveram invadir o Capitólio dos EUA no dia 6 de janeiro, data em que os parlamentares chancelariam a vitória de Biden na corrida pela Casa Branca.

Imediatamente após o episódio outros monopólios de comunicação como Facebook de Mark Zuckerberg, Youtube e Instagram se juntaram ao Twitter de Jack Dorsey e intensificaram a censura ao ex-presidente e seus seguidores inclusive bloqueando a conta do político republicano.

Lições

A catarse final foi um Joe Biden tomando posse em um Capitólio esvaziado de povo e repleto de militares do exercito norte-americano.

Agora, a política neoliberal defendida por Biden e seus principais apoiadores – bilionários de Wall Street ao Vale do Silício, setores tradicionais dos partidos Republicano e Democrata – se chocará diretamente contra as massas, tanto pela esquerda como pela direita.

Apoiar a censura nas redes sociais e o suposto combate ao “terrorismo doméstico” apenas dará ao Estado norte-americano o poder de reprimir ainda mais a população, que deve se rebelar ainda mais diante do cenário político.

Aqueles que dizem defender os trabalhadores devem, portanto, se opor frontalmente ao aumento da repressão e da censura. A liberdade de expressão e plenos direitos políticos são fundamentais para que se possa oferecer uma saída independente para a crise capitalista.

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