Fim da mobilização
Governo e lideranças dos atos fizeram acordo que desmobilizaram a insurreição popular
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Repressão tem sido brutal no Equador. Foto: Franco Fafasuli |

O movimento grevista e insurrecional que durou de 3 a 13 de outubro no Equador chegou ao fim com o acordo do governo reacionário de Lenín Moreno e as lideranças indígenas, estabelecido no início desta semana.

Segundo o acordo, o governo cancela o fim do subsídio estatal aos combustíveis – impedindo, assim, a alta de seus preços. Por parte dos manifestantes, se comprometeram a encerrar as jornadas de mobilização que incendiaram o país.

O fim do subsídio aos combustíveis era o principal ponto do pacote neoliberal imposto por Moreno, mas ele também incluía, dentre outras medidas, uma reforma trabalhista que reduz em 20% os salários dos trabalhadores terceirizados e de 30 para 15 dias o seu período de férias.

Entretanto, ao contrário do que propaga a imprensa imperialista, as reivindicações da população não se reduziam a isso. Era evidente o clamor popular pela queda do governo, nos gritos, cartazes e faixas. O Fora Moreno estava na ordem do dia. E, certamente, mesmo com esse acordo, o povo continua desejando a saída de Lenín Moreno.

Devido às mobilizações terem sido tão radicalizadas, com sequestro de militares, utilização de instrumentos de autodefesa, incêndio de tanques do exército, e tão massivas, com protestos imensos em todo o Equador, o acordo foi uma derrota.

Dada a intensidade das mobilizações, nessas condições ter feito o governo recuar no pacote econômico não é nenhuma vitória. Moreno recuou para obter um compromisso e dispersar a mobilização.

As lideranças da Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) acabaram, na prática, por serem cooptadas pelo governo, dividindo assim o movimento insurrecional. Foi uma grande capitulação, no momento em que o movimento popular tinha uma oportunidade real de derrubar o governo.

Continuam denunciando a repressão sofrida pela população durante os dez dias que abalaram o Equador, mas esse acordo, que fez com que o movimento revoltoso se dispersasse, facilita a perseguição política seletiva a determinados setores mais frágeis ou mais perigosos para o governo. Isso é evidente ao se perceber o papel preponderante das forças armadas na vida política do Equador com a nova crise: o estado de exceção a nível nacional e o toque de recolher em Quito revelaram que o país já vive uma ditadura, apoiada quase integralmente nas forças armadas e com total respaldo da burguesia e do imperialismo.

Essa é justamente a tendência dos regimes golpistas da América Latina: a crise política imensa, com a movimentação das massas no sentido de derrubar os governos, que são levados a estabelecerem regimes cada vez mais ditatoriais para que a burguesia e o imperialismo mantenham o controle. Eles farão todos os esforços possíveis para evitar que a esquerda volte ao poder. E, nesse sentido, o Equador é outra referência para a região: o ex-presidente Rafael Correa (que pediu eleições antecipadas) está exilado na Bélgica, muitos de seus ex-funcionários foram presos e, nos protestos recentes, quase 1.200 pessoas foram detidas, mais de 1.300 feridas e ao menos oito assassinadas (segundo cálculos oficiais).

O Equador mostrou que a política de “resistência” a medidas parciais do governo é um barco furado. Se não se derruba o governo, as vitórias parciais não adiantam. Moreno pode muito bem recuperar as medidas do pacote econômico de maneira gradual, executando o aumento de uma tarifa, depois o corte de um subsídio, depois o fim de tal direito, até que o ataque brutal à população já foi restabelecido.

Esse é um exemplo para o Brasil: a luta deve se centrar na palavra de ordem Fora Moreno (e no Brasil, Fora Bolsonaro), porque apenas derrubando o governo o povo poderá reaver seus direitos e abrir a possibilidade de impor a sua vontade.

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