Unidade Popular
Esquerda pequeno burguesa do jornal A Verdade apresenta o candidato da direita golpista no Equador Yaku Pérez como esquerda revolucionária

Por: Redação do Diário Causa Operária

O Equador está passando por um processo eleitoral em que toda a direita se unifica para atacar o candidato ligado ao ex-presidente Rafael Correa, Andrés Arauz. Um artigo publicado no jornal do partido Unidade Popular (UP), A Verdade, apresenta uma posição que não condiz minimamente com a realidade afirmando que as eleições, que foram ao segundo turno, podem derrotar a política neoliberal porque dois candidatos da “esquerda” podem estar disputando entre eles no segundo turno.

O processo eleitoral aponta uma vitória do candidato de Rafael Correa, Andrés Arauz, no primeiro turno e uma disputa no segundo turno entre o indígena ‘ecossocialista’ Yaku Pérez e o candidato oficial da direita neoliberal, o banqueiro Guillermo Lasso.

A UP apresenta como progressista a possível ida para o segundo turno de dois candidatos que seriam da esquerda, sendo um com um programa “revolucionário”, como o indígena Yaku Perez.

“As próximas eleições para presidente da república e deputados nacionais (chamados de assembleistas) colocaram a figura de Yaku e o programa da esquerda revolucionária, conhecido como Minga por la vida, no centro do debate político e com chances reais de disputar o segundo turno”, diz a publicação do jornal A Verdade.

A matéria publicada apenas exalta Yaku Perez e o apresenta como socialista, embora suas declarações e suas posições políticas sejam extremamente direitistas não denunciando o golpe da direita no Equador e ainda apoiando golpes do imperialismo em toda a América Latina, desde o Brasil, passando pela Bolívia, Argentina e Venezuela.

Não bastasse a promoção de um apoiador de golpe e perseguições contra a esquerda na América Latina, a Unidade Popular ainda entra na campanha da direita do “combate” à corrupção e a justificativa de derrubada desses governos. “O grupo de Rafael Correa, ainda que consiga apoio para passar ao segundo turno, segue sendo rechaçado pela grande maioria da população em função da enorme corrupção e perseguição aos movimentos populares que protagonizaram em seu governo”, afirma a matéria.

Tal posição do grupo stalinista segue exatamente a cartilha da propaganda imperialista contra o nacionalismo burguês, derrubado por golpes em todo o continente. No Brasil, os morenistas do PSTU adotaram a mesma concepção, de que o PT era rechaçado pelo povo devido à sua corrupção e violência contra os movimentos populares.

Isso é demonstrativo de uma profunda ignorância do cenário político latino-americano no último período. Correa, tal como Chávez, Kirchner e Lula, chegou ao governo graças a uma ampla mobilização das massas populares que se insurgiram contra o neoliberalismo. A burguesia e o imperialismo foram obrigados a fazer um pacto com eles a fim de conter esses movimentos que, em alguns casos, apresentaram características revolucionárias. No governo, o nacionalismo burguês promoveu, devido à pressão popular, políticas de reforma social que manteve sua popularidade, mesmo que não fosse no mesmo nível do início de seus mandatos.

Diante disso, estabeleceram uma certa independência com relação ao imperialismo, impedindo-os, devido à sua ligação com as massas, de aplicar a política exigida pelos grandes monopólios após a crise capitalista de 2008. O imperialismo, assim, viu a necessidade de derrubá-los por meio de golpes de Estado, utilizando-se de uma base social pequeno-burguesa de classe média – não das massas trabalhadoras – radicalizadas e com claras tendências fascistas. Para manipular essa massa de manobra de classe média, utilizou uma forte propaganda demagógica sobre o enganoso combate à corrupção, colocando os governos nacionalistas como se fossem os maiores corruptos de seus respectivos países. A classe operária, em nenhum desses países, se manifestou de maneira organizada ou ampla pela derrubada desses governos.

Após derrubados, foram impostos em seu lugar os verdadeiros corruptos, a direita golpista – que promoveu, e continua a promover, uma verdadeira repressão aos movimentos populares. Os pequenos ideólogos stalinistas da UP poderiam traçar uma rápida comparação para perceberem os níveis de corrupção e de repressão dos governos da esquerda nacionalista e dos governos golpistas da direita neoliberal.

Caem, assim, no mesmo discurso da direita golpista e financiada pelo imperialismo. Discurso que está sendo utilizado na própria campanha dos opositores de Arauz e Correa nessas eleições. Tanto Lasso como Perez acusam o correísmo de ser corrupto.

Quem é Yaku Perez?

Yaku Perez é o nome de Carlos Ranulfo, que mudou de nome recentemente para “reconhecimento” de sua ancentralidade indígena. É o atual prefeito da região de Azuay e liderou as manifestações indígenas nos protestos contra o aumento dos combustíveis e foi um dos principais responsáveis pelo retrocesso dos enormes protestos indígenas contra o governo neoliberal de Lenín Moreno.

Perez deu declarações nas suas redes sociais defendendo golpes e tentativas de golpes por toda a América Latina contra governos nacionalistas burgueses. “A corrupção derrubou o governo de Dilma Rousseff e Cristina“, disse Yaku Pérez. “Agora só falta que Correa e Maduro caiam”. É apenas uma questão de tempo“, disse no Twitter.

Seu partido, o Pachakutik está intimamente ligado a organizações não-governamentais financiados pelos EUA e países da União Europeia. Seus líderes foram treinados pelo Instituto Nacional Democrata, uma subsidiária da CIA que opera sob os auspícios do NED (Fundo Nacional para a Democracia), organização dos EUA financiadora da direita de diversos países latino-americanos.

O NED conta publicamente mais de US$ 5 milhões em subsídios para ONGs no Equador apenas entre 2016 e 2019. Grande parte desse dinheiro financiou grupos de oposição contra Rafael Correa como Pachakutik e seus aliados.

Um importante dado é que o Pachakutik é o braço político do grupo indígena CONAIE (Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador), que ajudou nos protestos contra o ex-presidente Rafael Correa, formando uma aliança não declarada com a direita oligárquica do país na tentativa de desestabilizar e derrubar o presidente nacionalista.

Na verdade, Pachakutik e CONAIE desempenharam um papel importante na tentativa de golpe de Estado de 2010 (com o apoio americano), que esteve perto de remover Correa da presidência da República.

O candidato oficial da burguesia imperialista para o Equador, Guillermo Lasso, já apoiou a candidatura de Yaku Perez em 2017 e lideranças indígenas do Equador denunciam Yaku Perez de ser golpista e não representar os povos indígenas e nem ser de esquerda.

Uma esquerda confusa e oportunista que defende os golpes

A posição defendida pela Unidade Popular através de seu jornal é de uma esquerda pequena-burguesa profundamente atrelada ao imperialismo. As análises sobre a situação se baseiam no que é propagado pela imprensa burguesa e em questões morais como a “corrupção”, “ecologia” e reivindicações identitárias que sempre são utilizadas contra governos progressistas e de esquerda.

Não é por acaso que a esquerda pequeno-burguesa sempre está ao lado da direita golpista e do imperialismo no Brasil e em outros países do mundo. Neste caso, a UP tenta dar um ar esquerdista para um candidato neoliberal e agente do imperialismo contra o governo nacionalista de Rafael Correa.

Send this to a friend