Autodefesa
Com lanças, paus e pedras, equatorianos se defendem da polícia, em protestos radicalizados contra a política neoliberal de Lenín Moreno, capacho do FMI
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Povo está na rua desde a semana passada, enfrentando a repressão. Foto: Rodrigo Buendia/AFP |

Se radicalizaram ainda mais as manifestações populares no Equador, com uma forte presença de povos indígenas nas ruas. Nos últimos dias, milhares de pessoas tomaram as ruas, principalmente da capital, Quito, contra o pacote de medidas neoliberais do presidente traidor Lenín Moreno.

No último final de semana, os manifestantes se enfrentaram com a polícia, indignados com a brutal repressão que têm sofrido desde o início dos protestos, na semana passada, quando o governo decretou o estado de exceção. Assim como vêm fazendo alguns dos que bloquearam as vias de acesso a Quito, muitos dos manifestantes que enfrentaram a polícia usaram paus e pedras e lanças para se defender, como é possível ver nos vídeos abaixo. 

Essa foi a forma encontrada, até o momento, pelos equatorianos, para se defender da violenta repressão da polícia e do exército. Quinze pessoas morreram e quase 500 foram detidas por se manifestar contra as políticas reacionárias de Moreno, além de haver relatos de manifestantes assassinados com tiros de bala letal.

Diante de tal ditadura imposta pelas forças de segurança após o decreto de estado de exceção, o povo equatoriano radicalizou os métodos de protesto, iniciando a organização de sua autodefesa. No entanto, mesmo que tais armas brancas, como lanças, ou improvisadas, como paus e pedras, possam servir para se defender, é preciso entender que a polícia e o exército detém uma força repressiva muito maior, com armas pesadas. Exatamente por isso os oprimidos devem lutar por seu direito de armamento, para que não sejam vítimas do terror policial e militar.

Além de colocarem as forças de repressão para correr em alguns casos, os manifestantes também incendiaram carros-tanque do exército ao fecharem vias. Comunidades indígenas fecharam a maior parte das autoestradas pelo país e a mobilização tem sido muito intensa também fora de Quito.

Contra o estado de exceção decretado pelo governo, as comunidades indígenas também decretaram um estado de exceção paralelo, desta vez em seus territórios – no Equador, durante o governo de Rafael Correa, foi estabelecido o direito de autodeterminação dos indígenas e seu maior controle sobre as suas terras tradicionais. Assim, quem está controlando, inclusive pela força, esses territórios, são os próprios índios, e não o Estado. Exemplo disso foi a detenção de cinquenta militares pelos indígenas no último final de semana em Alausí, província do planalto andino de Chimborazo. O Conselho de Governadores da Confederação de Nacionalidades Indígenas afirmou que “militares e policiais que abordam territórios indígenas serão mantidos e sujeitos à justiça indígena”.

Na segunda-feira (07), o governo de Lenín Moreno anunciou a mudança da capital para Guayaquil, principal cidade do Estado de Pichincha, centro financeiro do Equador. Isso se deu pelo medo da ira popular, uma vez que no mesmo dia os manifestantes indígenas chegaram a Quito após uma grande e combativa marcha.

Entretanto, ao contrário do que pode parecer devido às informações veiculadas pela imprensa internacional, não se trata de uma manifestação indígena. Embora tenham um papel de destaque e representem grande parte da população equatoriana, os indígenas estão sendo acompanhados pela classe operária e seus sindicatos e associações. As aulas foram suspensas, os caminhoneiros chegaram a realizar uma greve e três campos de petróleo no noroeste do país foram ocupados. A repressão levou à prisão de inúmeros trabalhadores grevistas, que continuam detidos. Também é notável a presença de estudantes e de mulheres.

A revolta popular no Equador revela como é um fracasso a política neoliberal e o próprio golpe de Estado “branco” dado pelo imperialismo, ao comprar Lenín Moreno, ex-aliado do nacionalista Correa e que traiu totalmente sua base popular. O que ocorre no Equador é também uma amostra do que está ocorrendo por toda a América Latina, em maior ou menor medida, que começa a se convulsionar em meio à crise dos regimes golpistas.

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