Uma esquerda pró-imperialista
À Folha de São Paulo, Nicolás Maduro escancara o papel golpista de parte da esquerda e as mentiras da imprensa sobre a Venezuela
Presidencia de Venezuela (17 03 2016) - Foto - Francisco Batista
Presidência de Venezuela (17 03 2016) - Foto: Francisco Batista |

A Folha de S. Paulo publicou entrevista da Monica Bergamo com Nicolás Madura, presidente da Venezuela, furando um bloqueio da imprensa brasileira em relação ao país caribenho.

Apesar disso, a Folha se trai logo na abertura da reportagem que contém a entrevista, designando Maduro de ditador.

Um destaque da entrevista é sua denuncia de como a esquerda burguesa e pequeno burguesa atua de forma pró-imperialista ao repetir a campanha da direita de que a Venezuela seria uma ditadura, de que há abusos, de que a oposição seria perseguida, quando a realidade é que o país sofre um bloqueio econômico, tem contas bloqueadas, têm uma companhia de petróleo roubada pelos EUA, impedem a entrada de alimentos e remédios no país, são constantemente ameaçados pela Colômbia, uma espécie de cão de guarda do imperialismo norte-americano.

Maduro afirma que “no momento em que a Venezuela sofre seu maior assédio, atacá-la desde a esquerda, a centro-esquerda, é uma covardia contra um povo nobre, que tem sabido resistir e vai seguir resistindo e vencendo com votos.”

E assim o fariam personagens como Pepe Mujica, Alberto Fernández, Michelle Bachelet, Rui Costa, Ciro Gomes, que parecem ser “informados” e doutrinados pela imprensa burguesa e nela acreditam.

Enquanto o povo venezuelano faz imenso esforço, nas palavras de Maduro, em meio ao assédio do bloqueio econômico, absolutamente criminoso, afirmar que a Venezuela “é uma ditadura é uma estupidez histórica. E quem o diga é um estúpido”.

Nesse ponto, portanto, essa esquerda, Trump e Bolsonaro são idênticos.

No término da entrevista, Maduro após expor a torpe tentativa de terrorismo contra o país, de ameaças de guerra, do papel da Colômbia e de outros países alinhados com o imperialismo norte-americano, deixa claro o papel da imprensa que busca mostrar ou reforçar qualquer aspecto negativo possível, como parte de uma estratégia conjunta de criar uma narrativa.

Não admite, por isso, que se venha buscar erros quando o país é tão perseguido, literalmente torturado. Como falar de erros em um país que sofre tamanha perseguição, bloqueio e agressão comercial, financeira, petroleira.

Bloquearam as contas no exterior o que impossibilita importar alimento, por exemplo.

Apesar disso, a Venezuela resiste e tem um plano econômico, um programa econômico. O país declarou a economia em fase de resistência. Tudo para assegurar, por meio da resistência, que o povo venezuelano não seja vítima dos que a querem torturar, desejam destruir a economia do país para controlar suas riquezas. Não têm podido, nem poderão. 

 

E o que faz a esquerda, segundo comparação feita pelo próprio Maduro:

“ Você tem um amigo que está sendo torturado. Você entra na sala de tortura e diz: ‘Amigo, por que gritas tanto?’. O que é isso? Estão torturando e ameaçando a Venezuela, impedindo que importe alimentos e remédios. Por favor.”

 

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