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Lula em Entrevista
“Estão entregando tudo…. o povo tem que se manifestar”
Falando à TV 247, o ex-presidente falou da atual situação no País e na América Latina, atacou a operação lava jato e assinalou que ataques do governo podem ser pretexto para golpe
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Lula em Entrevista
“Estão entregando tudo…. o povo tem que se manifestar”
Falando à TV 247, o ex-presidente falou da atual situação no País e na América Latina, atacou a operação lava jato e assinalou que ataques do governo podem ser pretexto para golpe
Foto: Arquivo DCO.
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Foto: Arquivo DCO.

O ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, concedeu nessa quarta (dia 28), entrevista ao canal 247, do Youtube, que obteve grande repercussão com mais de 130 mil visualizações.

Mostrando-se bastante animado e disposto física e politicamente, Lula destacou que havia percorrido mais de 9 km em sua esteira e que nos mais de 580 dias em que passou na prisão procurou encontrar forças e energias para seguir lutando.

De início considerou um erro sua prisão pelo regime golpista, assinalando que  “erraram duas vezes ao me prender: em 80, quando estava com uma greve para acabar… me prenderam e a greve ganhou mais força” e no ano passado, quando “podia ter fugido”.

Lula reconheceu, mesmo que não intencionalmente, que foi levado a acreditar que sua prisão não lhe tiraria seus direitos políticos, apontando que “advogados me diziam que não tinha como eles me impedir de ser candidato”, e acrescentou que  – com base nessas análises, “tinha convicções de que ia para as eleições e iria ganhar.” Uma situação que considerou como um dos momentos mais tristes da sua vida “foi muito triste… me senti como mulher grávida, que indo para dar a luz, não tinha ninguém para acompanhá-la”, referindo-se à situação na qual via crescer enormemente o apoio popular à sua candidatura, com as pesquisa apontando sua possível vitória no primeiro turno, enquanto os tribunais golpistas lhe cassavam o direito de ser candidato.

Crise na América Latina e ameaça de golpe

Na entrevista, o ex-presidente falou de uma certa surpresa sua com a evolução dos acontecimentos, afirmando que “não podia prever que ia acontecer o que aconteceu”, citando os casos do Equador e  Bolívia, onde a esquerda cedeu terreno para a evolução da política da direita, seja por meio da passagem para o lado dos golpistas (Lênin Moreno) seja renunciando ao mandato popular (como fez Evo Morales). Afirmou que “o que aconteceu deve servir de lição”, que evidencia que “falta muito para consolidar a democracia na América Latina” e [ara “dar direitos de cidadãos para o povo latino americano”.

Mesmo dizendo que “teria dito ao Evo, se me perguntasse, não seja candidato pela quarta vez”, Lula falou de sua solidariedade ao presidente boliviano diante do que chamou de “golpe insano da extrema direita fascista”. E afirmou que da mesma que a situação nos países vizinhos, as declarações e ameaças contra a mobilização por parte do ministro Paulo Guedes e de outros elementos do Governo Bolsonaro “podem ser pretexto para golpe” e que “chega de inocência como no caso da Dilma”.

Diante do que defendeu que “o povo tem que se manifestar para defender a democracia e defender os bens públicos como a CEF, Petrobrás”já que “estão entregando tudo de graça…como podemos ficar quietos?”

Lula candidato?

Se opondo à política dos que gostariam te-lo como mero cabo eleitoral, afastado da luta política, Lula afirmou “essa garganta não vai parar de gritar contra as injustiças no País”. E sobre uma possível candidatura presidencial, mesmo afirmando que “não posso dizer que vou ser candidato” e dizendo que poderia apoiar Haddad (“que não tem tanta experiência como os quadros históricos do PT”, segundo disse), Lula declarou “não vou descartar”, acrescentou que as coisas dependem da situação “quando o cavalo passar” e disse querer “recuperar seus direitos políticos” e que só aceita “ser cassado pelo povo”.

Contra a campanha contra a polarização, que 1a esquerda está liderada por ele, afirmou que “Deus queira que eu seja o polarizador” e que espera que “o PT que polarizou desde 1989” vá “polarizar em 2022”.

Como de costume o ex-presidente buscou ainda que em tom conciliador, como lhe é característico, defender a mobilização e a polarização contra o governo e suas medidas. E deixou evidente a pressão que – desde a sua prisão – sofre por parte de setores mais direitistas da própria esquerda burguesa e pequeno burguesa, muitos dos quais apoiaram o chamado “plano B” que significava excluir Lula da disputa eleitoral, como queria e conseguiu a direita.

Está política está de novo vigente, não apenas para as programas eleições de 2022, mas agora, diante da necessidade de luta e enfrentamento contra o governo Bolsonaro e seus ataques contra a maioria do povo. Que se manifesta, intensamente, na forma de um clamor popular pelo “Fora Bolsonaro” e por “Lula livre”, liberdade plena que garanta os direitos políticos de Lula e sua candidatura, como alternativa ao governo golpista e ilegítimo.

Nestas condições, trocar de candidato não é uma política combativa, não responde aos anseios e esperanças da classe trabalhadora (e também suas ilusões) que são um fator importante para impulsionar sua luta e potencializar  suas possibilidades de vitória que, como mostram as experiências no Brasil e na América Latina, só pode advir da derrota da direita por meio da mobilização nas ruas e da sua organização revolucionárias.

Como reconhece o próprio companheiro Lula, sua situação de “liberdade provisória” é perigoso, está ameaçada pela direita, assim como todo o povo brasileiro e seus direitos democráticos.

Lula está solto, mas não tem liberdade. Está virtualmente preso, condenado, ameaçado.

É preciso intensificar a campanha pela anulação da criminosa operação lava jato e pela derrota definitiva da direita, por meio da anulação das eleições fraudulentas de 2018 (eleição sem Lula, foi fraude!”), pelo fora Bolsonaro, realização de novas eleições livres e democráticas, com lula livre e lula candidato.