Entrevista com o movimento de apoio a Cuba: abaixo o bloqueio!

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No dia 26 de julho, diversas associações e organizações de apoio a Cuba farão mobilização contra o bloqueio criminoso que os EUA estão impondo à ilha caribenha.

No Rio de Janeiro, o Partido da Causa Operária (PCO) apoiará o ato que ocorrerá das 15 h às 17 h, na Praça 4 de Julho, em frente a embaixada dos Estados Unidos.

Este diário entrevistou a companheira Lícia Hauer, vice-presidenta da Associação Cultural José Martí – RJ (ACJM-RJ).

DCO –  O que é a Associação Cultural José Martí e como as pessoas podem interagir com a associação?

Lícia Hauer – A Associação Cultural José Marti – RJ (ACJM-RJ), Casa de Amizade Brasil-Cuba foi fundada em janeiro de 1984 e integra o movimento brasileiro de solidariedade a Cuba, que é constituído por outras associações e comitês existente em diversos estados do Brasil. A ACJM-RJ tem como principal objetivo realizar ações de solidariedade com o povo cubano através de atividades de caráter informativo, cultural e/ou político, como o ato que vamos fazer neste dia 26 de julho, e participa das convenções nacionais de solidariedade a Cuba e organiza as brigadas de trabalho voluntário que ocorrem em Cuba duas vezes por ano. Em janeiro a Sul-americana e em maio a internacional.

Os companheiros que estão atuando na ACJM-RJ organizam e participam das atividades que são realizadas tanto pela associação ou conjuntamente com outras entidades que estão nesta mesma luta.


DCO – Desde a revolução, Cuba sofre com os boicotes e embargos econômicos praticados pelos EUA e por outras potências capitalistas ou pelo menos com o apoio delas. O que mudou com relação a esse cenário nos últimos tempos e que está levando a organizações como a Associação Cultural José Martí a se mobilizar para reivindicar o fim do bloqueio?


LH – Cuba é vítima de um genocida bloqueio econômico, comercial, financeiro e midiático, imposto, desde 1962, pelos Estados Unidos. Tal bloqueio é a maior expressão de uma política cruel, carente de legalidade e legitimidade e deliberadamente desenhada para provocar fome, doenças e desespero da população cubana.

Este ano, a partir de maio, os EUA resolveram recrudescer o bloqueio, que se tornou mais agressivo com a intensificação da pressão política e ideológica e a aplicação da Lei Helms-Burton com o principal intuito de provocar desestabilização econômica e política do Estado cubano para asfixiar mais ainda o povo cubano.

Com essa lei, por meio do título III, os EUA podem processar legalmente em tribunais americanos empresas cubanas e estrangeiras que tenham algum tipo negócios que envolvam bens ou propriedades nacionalizados por Cuba e se valendo do Título IV dessa lei impedem o ingresso nos Estados Unidos de gestores de empresas, e seus familiares, que estejam investindo legalmente em Cuba nas propriedades que foram nacionalizadas. A partir da ativação dessa lei fica, também, impedido o turismo de norte-americanos a Cuba, proibindo cruzeiros norte-americanos de atracar em território cubano e, também, autoriza a aplicação de sanções mais duras a qualquer barco que transporte petróleo a Cuba, dentre outras atrocidades.

DCO – Diante do cenário político atual, como a Associação Cultural José Martí se posiciona perante ao golpe de estado contra a presidenta Dilma em 2016 e como esse golpe afetou as relações entre Brasil e Cuba?

LH – Sabemos que tudo que vem acontecendo no Brasil e na América Latina não passa de mais uma manobra das elites econômicas locais, apoiadas pelo império, para implementar uma política de aprofundamento do neoliberalismo, que, neste momento, visa beneficiar, principalmente os grandes bancos internacionais. Isso somente é possível com o desmonte do Estado. É com este objetivo que a Dilma sofre o golpe em 2016. O impeachment foi um artificio montado para possibilitar, pela via da legalidade, um regime que favoreça a superexploração do povo retirando os parcos diretos conquistados.

Em 2016 Raul Castro denunciou o golpe dizendo “a história demonstra que, quando a direita chega ao governo, ela não tem dúvidas em desmontar as políticas sociais, beneficiar os ricos, restabelecer o neoliberalismo e aplicar terapias de choque cruéis contra os trabalhadores, as mulheres e os jovens”.

Durante o governo da Dilma o Brasil investiu em diversos projetos em Cuba, como a modernização e ampliação do Porto de Mariel, a exploração de petróleo, a produção de energia renovável e de vacinas e continuou como um dos principais parceiros comerciais de Cuba tendo participado, em 2010, da Feira Internacional de Havana.

Atualmente, os investimentos estão muito reduzidos e toda essa parceria, construída nesses anos, está sendo abalada por esses últimos governos. Isso prejudica, em diversos âmbitos, a relação entre os dois países. Devemos lembrar o grande prejuízo que está sendo para o Brasil a saída dos médicos cubanos.

DCO – Por que a ONU não se manifesta contrária a esse embargo econômico covarde e por que os outros países não se revoltam contra a política assassina dos EUA contra Cuba?

LH –  Há 25 anos Cuba vem submetendo à votação na Assembleia Geral das Nações Unidas moção contra o bloqueio. Em novembro de 2018 a ONU aprovou a resolução contra bloqueio econômico a Cuba apoiado por 189 países houve na ocasião somente duas rejeições sendo os votos dos Estados Unidos da América e de Israel. Infelizmente o bloqueio se mantém.

DCO – O Brasil atualmente vive um regime de exceção onde Lula é mantido como preso político. A Associação Cultural José Martí – RJ reconhece Lula como um preso político?

LH – Está mais que evidente que o Lula é um preso político. E também fica cada vez mais claro que tudo teve seu inicio até antes mesmo do impeachment da Dilma. O caminho foi traçado pela classe dominante para tomar o governo, assegurar que a direita retomasse o caminho para a superexploração. Para isso foi necessário a utilização de todo o aparato burguês com “supremo, com tudo” para tirar o Lula e a esquerda do caminho e fazer do Brasil um país submisso aos EUA.