Entrevista exclusiva
Em entrevista ao Jornal Causa Operária, Antônio Carlos fala a respeito da intervenção do partido nas eleições de São Paulo.
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Toninho é pré-candidato à prefeitura da cidade. | DCO

Quem é Antônio Carlos Silva?

Antônio Carlos Silva, é militante político há cerca de 40 anos, iniciou a militância nas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, anos depois, participou da fundação do PT. Foi no partido candidato a deputado constituinte em 1986, militando desde o inicio na corrente Causa Operária, quando ainda estava no Rio de Janeiro.

Há cerca de 30 anos, mudou-se para São Paulo, e hoje trabalha como professor da rede publica estadual, lecionando matemática. Faz parte do movimento de oposição na APEOSP, organizando a corrente Educadores em Luta, a nível local e nacional.

Antônio Carlos é membro da executiva nacional do Partido da Causa Operária, como também um dos seus fundadores, além de ser responsável pela Corrente Sindical Causa Operária. Tem 57 anos de idade, é casado, e tem uma filha de 17 anos que também milita no PCO. Toninho, como é carinhosamente chamado, esteve à frente da luta contra o golpe, pela Liberdade de Lula, impulsionando mobilizações pelo país, participando das atividades da CUT e da Frente Brasil Popular.

Segundos suas próprias palavras: “Nós não temos uma participação de tipo panfletária, efetivamente tivemos uma participação de quem organiza as mobilizações. Convocando atos, organizando caravanas. Nossa campanha não é para marcar presença, o fundamental é a mobilização dos trabalhadores”.

Entrevista com Antônio Carlos Silva, pré-candidato à prefeitura de São Paulo pelo PCO

Pergunta: O PCO fala que está nas eleições para intervir pelo Fora Bolsonaro e em nome da mobilização popular, contudo, antes mesmo de concorrer já declara que não há chances de ganhar. Afinal, o que seria considerado uma “vitória” para o PCO nas eleições de São Paulo?

O PCO não participa das eleições como os outros partidos, e particularmente nessas fraudulentas, as primeiras sob a reforma eleitoral de 2017, em que 10 partidos estão fora do horário eleitoral -como é o caso do PCO-, servindo apenas para eleger a direita. Participamos para denunciar a fraude, nesta situação de pandemia não vamos criar a ilusão de que esta situação pode ser resolvida por promessas eleitorais, vamos fazer das eleições uma tribuna popular, colocando que apenas a mobilização popular pode resolver o problema da miséria, do desemprego, etc. Nosso eixo nas eleições é impulsionar esta campanha, pelo Fora Bolsonaro; Não há solução no marco das eleições municipais, e não há solução sem a luta dos trabalhadores. O PCO está nas eleições para impulsionar esta luta.

Pergunta: De acordo com os órgãos de imprensa em São Paulo, a esquerda não-petista estaria hoje apostando em candidaturas “pós-Lula”, com nomes renovados e que estão ligados ao antipetismo. Esta também, é a aposta do PCO?

Entendemos que esta é uma política que aponta para um fracasso total, em que a esquerda não se coloca como alternativa à burguesia. Estes setores, como PSOL e PCdoB, apontam uma política de frente ampla com os golpistas e a burguesia, e desprezam a figura do ex-presidente Lula, a única capaz de unir a esquerda com um imenso apoio popular para levar a frente uma luta contra o regime golpista, sintetizada na figura do Bolsonaro. Não da para substituir Lula, independente das críticas, por uma manobra artificial, a liderança dos trabalhadores não pode se criadas dessa maneira, e sim são um produto da história das mobilizações populares. Nesse sentido, vamos as eleições como eixo fundamental fazer o chamado da unidade da esquerda e dos trabalhadores na defesa da restituição dos direitos de Lula e da sua candidatura à presidente.

Pergunta: O partido nas últimas eleições foi acusado de ser um partido sem programa. Hoje, o PCO fala em mobilizar pelo Fora Bolsonaro, não seria jogar areia nos olhos da população falar em derrubar um presidente quando o que o povo espera de um prefeito é atender as necessidades locais?

O que vemos nas eleições municipais é um desfilar de promessas, principalmente daqueles que estão administrando os governos locais. Temos governos que destruíram a saúde pública, no caso de SP, temos o governo campeão mundial em abertura de covas, sendo a cidade no mundo com maior número de mortes. Agora teremos essas pessoas prometendo melhorar a saúde, o transporte, etc. Propor que as transformações podem ser feitas apenas no âmbito do município é vender uma ilusão, por isso nosso programa coloca que os problemas mais elementares dos trabalhadores não serão resolvidos por projetos de vereador mas só podem ser resolvidos por uma mobilização nacional da classe trabalhadora, começando a por a baixo o regime golpista. Nesse momento é ainda mais claro este problema, pois as prefeituras estão em grande maioria falidas e em crise, logo é uma ilusão tentar resolver a situação no âmbito municipal sem resolver antes a nível nacional.

Pergunta: A população sofre com uma pandemia catastrófica, naturalmente esse será o centro da maioria das propostas dos candidatos nestas eleições. Que propostas o PCO irá trazer para combater a pandemia?

Em primeiro lugar é preciso fazer a denuncia que todos os governos que apresentaram como científicos, por um lado, e o governo Bolsonaro, por outro, se unificaram para realizar um genocídio contra o povo. SP é exemplar, com inúmeros recursos que poderiam levar um efetivo combate a pandemia nada foi feito. Não houve testes em massa, não houve devido tratamento, medidas essas que foram realizadas em outros países que buscaram ter um efetivo combate à pandemia.

Investimentos da saúde foram desviados pelas máfias políticas burguesia, não há construção de hospitais, etc. Tudo que seria efetivo em um combate em larga escala contra a pandemia. Para os funcionários da saúde não houve matérias de proteção suficientes, sendo que em SP teve 30 mil mortos e na cidade 11 mil, por isso precisamos construir novos hospitais, aumentar as verbas, contratar novos funcionários, etc.

É preciso deixar claro que dias atrás fui submetido a uma cirurgia. Me chamou que no hospital -um dos melhores de São Paulo- sequer havia teste de temperatura, algo comum em supermercados, para separar possíveis pessoas infectadas. Por mais de 12 horas internado, descobri que havia outra pessoa no local que estava infectada, essa é a situação da saúde promovida pelo PSDB. Diante disso precisa ser criado os conselhos de saúde nos bairros, em conjunto com os trabalhadores para levar uma política que nada tem a ver com a dos governos da direita.

Pergunta: Outro ponto muito importante é o desemprego, que maneira o PCO pretende promover a geração de empregos na cidade de São Paulo? Além disso, você poderia falar sobre o salário vital? R$5.000 é possível?

Sobre o desemprego entendemos que os trabalhadores precisam levantar a reivindicação de redução de horas de trabalho, abrindo frentes de trabalho, atendendo um plano de obras como nesse momento fazer hospitais, aumentar o número de salas de aula, além de outras necessidades dos trabalhadores, como a construção de casas populares. Redução de jornada de trabalho por um lado, e por outro com um plano de obras públicas que se torna responsável por gerar empregos e impulsionar a economia em áreas fundamentais do interesse da população. Isso só pode ser conquistado meio dos comitês de luta, dos sindicatos. São Paulo tem tradição desse movimento de desempregados, precisamos resgatar isso, inclusive com reivindicações fundamentais, um conjunto de medidas efetivas de combate ao desemprego. Não podemos usar o desemprego para restituir a escravidão, Dória queria contratar trabalhadores por R$330, precisamos ter medidas efetivas.

Já a respeito o salário, São Paulo é um bom exemplo que a questão do salário mínimo não tem nada haver com a viabilidade econômica. São Paulo tem um PIB de um país rico, e mesmo a nível nacional, só o salário minimo que Bolsonaro está propondo, é 20% do que era nos anos 40. O país tem uma das maiores economias do mundo, mas paga um dos piores salários mínimos do mundo. Não é questão de inviabilidade, há condições reais de se pagar um salário mínimo vital, assim como diz a constituição. É evidente que a economia brasileira tem condições de pagar esse salário, porém só através da luta podemos arrancar esta reivindicações dos patrões, um exemplo é a prefeitura de São Paulo, um das mais ricas, com dinheiro desviado para os interesses capitalistas.

Pergunta: Para finalizar, neste momento a questão da educação virou foco de ainda mais atenção com o problema da pandemia. Qual o programa do PCO para a educação nos municípios? 

Os golpistas estão aproveitando o problema do coronavírus para atacar, com ainda mais profundidade, a educação pública brasileira. O EAD é um exemplo claro disso, destruindo o ensino para os estudantes e servindo para os capitalistas como uma maneira de redução dos custos.

Por outro lado, agora temos um problema ainda mais grave: a volta às aulas. Esse sim, se dará sob um enorme genocídio no Brasil, a rápida proliferação do vírus na retomada das atividades no estado do Amazonas reflete bem esta situação. Em São Paulo, já foi dito que ao menos 46% dos alunos e funcionários vão ficar infectados com a retomada das escolas, e só a mobilização dos estudantes e professores poderão barrar este ataque.

Em São Paulo, já realizamos um ato com a APEOSP contra a volta às aulas, um grande acerto que precisamos expandir para uma verdadeira mobilização, por uma greve da educação. O PCO defende a completa estatização de todos os níveis de ensino, o fim dos vestibulares e o livre ingresso à universidade. Além disso, neste momento onde as intervenções em Universidades e Institutos Federais se tornaram uma política chave dos golpistas, precisamos defender a autonomia das escolas e universidades, o direito dos estudantes e funcionários decidirem sobre os rumos do local.

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