Eleições 2020
Caio Túlio fala sobre Mauá, polo industrial que sofre com a crise do desemprego; do programa democrático do PCO, do Coletivo João Cândido e a luta pelo socialismo
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Caio Túlio fazendo panfletagem em Mauá | Foto: DCO

Estamos entrevistando o companheiro Caio Túlio, militante do Partido da Causa Operária, residente na cidade de Mauá, um dos polos industriais da grande São Paulo e candidato a prefeito nas eleições de 2020.

Sabemos que Mauá é uma cidade operária. Como está a situação dos trabalhadores de Mauá atualmente?

Temos aqui um polo industrial, relativamente grande na cidade, em comparação à cidade que é pequena, Mauá sofre de um déficit muito grande devido à situação em que se encontra, completamente paralisada no tempo, inclusive o polo industrial de Mauá está diminuindo com a crise, sobretudo com a crise nacional, que acompanha o golpe de estado e que se aprofundou agora na pandemia do Coronavírus. Há também o fenômeno de que muitos trabalhadores não encontram aqui na cidade meios de trabalho, então tem que trabalhar em outras cidades muitas vezes bastante longe. Você tem o transporte público que é bastante precário na cidade, como em geral. Desta forma a situação dos trabalhadores é muito difícil em uma cidade bastante deteriorada, podemos dizer paralisada no tempo.

Há muitos anos não há nenhum tipo de desenvolvimento na cidade, nada, nada. Esse é o quadro da cidade de Mauá, que não foge das outras cidades brasileiras, em geral, incluindo as cidades das capitais, cujo processo de degradação, que corresponde ao processo de decadência capitalista é muito grande. As dívidas dessas cidades são enormes e Mauá não foge a essa regra.

Como tem sido a atuação da esquerda na cidade?

Em Mauá a esquerda tem uma atuação, inclusive o PT já elegeu prefeitos em algumas ocasiões, bem como, representantes na Câmara de Vereadores, o que existe até hoje, tem uma atividade da esquerda em geral, tem partidos mais geral, que têm alguma presença na cidade, nessas eleições, por exemplo, candidato do PCO, PT, PSOL e da UP.

A esquerda, no ponto de vista político, tem uma atuação bastante restrita que, de um modo geral é puramente parlamentar, a gente vê que os governos do PT não foram governos esquerdistas, no entanto, bastante conservadores, hoje Mauá é dirigida pelo PSB, que não é de esquerda, por uma elemento direitista, carreirista que já atuou em outros partidos e, o PSB é mais um partido de sua atuação e que está participando do processo eleitoral na tentativa de reeleição.

A esquerda tem tido, no máximo, uma atuação eleitoral ou ultra esquerdista. Ao longo do golpe você teve uma orientação, tanto em Mauá, quando no ABC e, em geral, de pessoas que não viam o golpe de estado e até hoje não veem, o que pode ser estranho, mas até hoje mantêm essa posição. Aposição da esquerda, na realidade se resume a uma posição tipicamente pequeno burguesa.

Quais as atividades que o PCO tem feito?

Nós temos feito uma série de atividades, estamos fazendo panfletagens na estação de trem, aqui é um local de grande concentração, muita concentração de pessoas mesmo, estamos realizando atividades nos bairros operários, como na Vila Magine, onde temos tido atividades constantes, todos os sábados realizamos um ato em frente ao Shopping, na Praça Vinte e Dois de Novembro, no centro da cidade, onde realizamos ato pelo Fora Bolsonaro. Essas têm sido as nossas atividades, as visitas de casa em casa, nos bairros, panfletagens e os atos pelo Fora Bolsonaro aos sábados.

Sobre você, Caio. Quando conheceu o PCO?

Conheci o Partido da Causa Operária (PCO) em 2015, pela internet, e também pude acompanhar um pouco das atividades do partido na greve dos professores daquele ano, uma greve que durou mais de 90 dias em toda a esquerda e, eu que acompanhei essa greve, procurei ver que estava acontecendo, participei de assembleias que na avenida Paulista, e eu vi a atuação do PCO, procurei me aproximar um pouco, logo fui convidado para conhecê-lo e, nesse mesmo ano de 2015, no fim do ano, ingressei, o que, através do partido pude ter uma maior experiência política e teórica, entender melhor o marxismo, a luta da classe operária, eu que tinha uma posição anterior de esquerda, mas não tão bem definida. Foi com o PCO que tive a oportunidade de me desenvolver um pouco do ponto de vista político e do programa revolucionário. Em suma, foi no PCO que pude aprender mais sobre a política e teoria.

Você é militante do coletivo de negros do Partido também, não?

Sim. Eu participo do Coletivo de Negros João Cândido do PCO, que agrupa a população negra em geral, não precisa ser membro do partido para fazer parte do Coletivo. Mas que agrupa a população negra para lutar por suas reivindicações, inclusive para fazer uma luta teórica sobre os problemas os fundamentos da luta do negro, que há uma enorme confusão em toda a esquerda sobre esse problema.

O Coletivo tem essa atividade que consideramos fundamental, ou seja, de esclarecer a população de um dos problemas nacionais, problemas políticos mais importantes do país, que é a opressão que o negro sofre, tanto pelo estado nacional, procuramos esclarecer as questões relativas ao problema do e agrupar o negro em torno de um programa democrático que atenda às reivindicações do negro, para que ele possa se libertar dessa opressão.

Como resolver a situação da população negra?

O problema do negro é um problema democrático, o ele foi excluído de desenvolvimento capitalista do país, que é muito imperfeito, o negro ficou como um cidadão de segunda classe vamos dizer assim, sob ele recai o peso do atraso nacional, o negro é uma população que é duramente perseguida pelo estado, uma coisa verdadeiramente selvagem, o negro é colocado numa situação de pobreza extrema, miserabilidade, o negro enquanto grupo social, não individualmente, há uma diminuto espaço para que o indivíduo possa se ascender socialmente, mas não o negro enquanto grupo, quer dizer, o negro está preso numa situação de opressão, como se fosse uma espécie de nacionalidade oprimida dentro do país.

Para acabar com essa situação, para que haja efetivamente a igualdade entre negos e brancos e preciso que tenha toda uma revolução democrática. Nós consideramos que essa revolução democrática implicaria num desenvolvimento inclusive industrial do país, para que haja mais empregos, mais recursos para que possa investir e que todos tenham seus direitos garantidos, o que é uma questão central. Nós, no entanto, entendemos que a burguesia, como um classe reacionária é incapaz de realizar essa revolução, desta forma, nós entendemos que é tarefa da classe operária, do socialismo realizar essa transformação. Por isso que a luta do negro se liga da luta indissociável da luta da classe operária.

Um meio de você avançar nessa luta é a luta parcial, a luta por um programa democrático efetivo, para o dia a dia, por exemplo, nós temos como campanhas centrais para essa mobilização, uma tropa de assassinos da população negra, de perseguidores, o fim dos presídios, tal como são hoje, que são um campo de concentração da população negra e pobre, que faz parte dessa perseguição, a democratização do judiciário, uma instituição, um poder estatal profundamente racista, persecutório da população negra, dissolver o judiciário, tal como é antidemocrático, inconstitucional até e, eleições para os juízes, tem que ter um judiciário democrático representativo da população inclusive e que esteja sob o controle popular. Hoje o judiciário é um tirano, é controlado por eles mesmos, não se tem por onde apelar.

O que o PCO propõe para a população em geral?

O programa político do PCO é um amplo programa democrático, de reformas democráticas nacionais, tem a ver com o desenvolvimento industrial, nacional do país, bem com os direitos democráticos da população, logicamente que este programa democrático, como o do negro, ele é um meio para mobilizar a população, não acreditamos que a burguesia tenha condições, nem ela quer realizar um programa democrático para o Brasil.

A burguesia não é democrática, é reacionária e procura cassar qualquer direito democrático da população a todo o momento. Isso porque o direito democrático é custoso para a burguesia, tanto no ponto de vista político, quanto econômico, desta forma esse programa democrático visa mobilizar a população entorno do ponto de vista dessas reivindicações imediatas e fundamentais, como por exemplo, defendemos o salário mínimo de R$ 5 mil, o valor que atende, ainda que minimamente, o que está escrito na constituição brasileira, inclusive, defendemos uma transformação da sociedade, é preciso dissolver a PM, tropa de choque da burguesia contra os trabalhadores, criar policias municipais, controladas pela população, democratizar todas as instituições estatais, controle popular da população, que a população se organize em comitês de bairro, de fábrica e, que essa população esteja representada, de maneira mais igualitária, mais real no poder. Essas são algumas propostas que o PCO defende, como um programa democrático. Essas propostas tem como principal objetivo, a mobilização.

No ponto de vista mais fundamental, onde queremos chegar e mostrar à população, fazer com que a consciência dos trabalhadores evolua nesse sentido, e que é necessário para que o povo possa ter seus direitos e suas garantias, é necessário ter um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, é preciso expropriar os capitalistas, estatizar os bancos e que os trabalhadores efetivamente governem o país, que será só dessa maneira que seus direitos serão garantidos. É preciso derrubar a burguesia enquanto classe, que é hoje, uma classe parasitária, reacionária, de verdadeiros genocidas que atuam em todos os lugares, para explorar e oprimir a população mundial.

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