Mato Grosso
“…há candidatos que dizem que, se eleitos, vão apresentar um projeto de educação ambiental. Poderia ser uma piada, mas não é.”
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André Antunes participa de evento do PCO. | Foto: Reprodução

André Antunes é o candidato do PCO à prefeitura de Cuiabá (MT), André é servidor público do município de Várzea Grande, mas reside na capital, atua como coordenador do PCO no Mato Grosso e milita no Partido desde 2016 na Aliança da Juventude Revolucionária (AJR).

O DCO entrevistou André Antunes nessa quarta feira (14/10) por videoconferência. Vejamos abaixo a transcrição desta entrevista.

Essa é a primeira vez que você é candidato?

Sim, essa é primeira vez que sou candidato.

É a primeira vez que o partido lança candidato na cidade de Cuiabá. Como você acha que serão as eleições em Cuiabá?

Bom…. penso que será uma oportunidade de intensificar a campanha pelo “Fora Bolsonaro” e impulsionar o crescimento do partido. Mesmo com toda a característica antidemocrática dessas eleições. Independente do quão antidemocráticas serão as eleições, nós iremos realizar a campanha. E estou convencido de que essa campanha será muito útil a construção de um partido revolucionário. Inclusive, gostaria de aproveitar essa entrevista para convidar os leitores a se juntarem a nossa campanha. Queremos convidá-los a votar e lutar com o PCO.

Como as pessoas podem contribuir com a campanha do PCO em Cuiabá?

É possível contribuir com a campanha do PCO de várias formas, a principal delas é participar do Comitê de Campanha Eleitoral que estamos organizando e que deverá se reunir pela primeira vez no próximo sábado dia 10. Esse comitê não é diferente dos comitês de luta contra o golpe que temos organizado desde 2016. É um comitê suprapartidário, no qual podem participar pessoas que não são do partido também e no qual iremos organizar as atividades de campanha. As atividades de rua que já realizávamos antes, e vamos continuar realizando.

E por que vamos continuar realizando o que já fazíamos antes? Porque o PCO não tem dois programas. Isso já foi falado por outros companheiros, mas é preciso enfatizar. O PCO não irá interromper sua campanha pelo “Fora Bolsonaro” e por um governo de trabalhadores para fazer promessas vazias. Nossa campanha eleitoral é a continuidade do nosso programa de luta. Mesmo para aqueles que não puderem participar do comitê, há outras formas de ajudar. Comparecendo às atividades, por exemplo. Aos atos, panfletagens etc.

Há um número para contato ou redes sociais?

Sim, temos uma página no Facebook (PCO – Partido da Causa Operária – MT). Além disso, os interessados podem nos contactar por Whatsapp pelo número 65 999154552.

Onde o PCO costuma realizar suas atividades?

Nós temos geralmente realizado nossas atividades em regiões centrais da cidade, principalmente nas praças. Agora pretendemos expandir nossa atividade e realizar ações nos bairros também. O que pretendemos é que todas essas atividades se mantenham também após as eleições.

Quais são os principais problemas da população de Cuiabá e do Mato Grosso de maneira geral?

Os problemas do povo cuiabano e mato-grossense não se diferem muito dos problemas de todo o povo brasileiro. Mas existem algumas especificidades, por exemplo: o Brasil inteiro viu que uma imensa parcela do Pantanal foi devastada pelo fogo. Muito se fala da fauna e da flora que se perdeu, mas pouco se houve falar do prejuízos causados ao povo. A cidade de Cuiabá há meses se vê coberta de fumaça, agravando os problemas respiratórios do povo. Todo esse mal, é preciso dizer, é causado pela ação dos latifundiários, que são os verdadeiros criminosos que estão causando esses incêndios. Aliás, esse é um grande problema no estado de Mato Grosso: o latifúndio. E é um problema que só pode ser resolvido com reforma agrária, com a completa expropriação do latifúndio. Esse é um problema que não é só de Mato Grosso. Trata-se de um problema do Brasil como um todo, mas que se sente mais intensamente em estados como o nosso. Para que possamos ter uma ideia, é de Mato Grosso o maior produtor individual de soja do mundo. Além disso, temos outros problemas que também são compartilhados com todo o Brasil.

Não podemos esquecer a questão do novo coronavírus, que tem atacado o povo mato-grossense sem que o governo ou as prefeituras direitistas façam qualquer coisa pra conter o avanço do vírus. Nada realmente serio é feito em relação a isso. Prova de que o povo está abandonado diante dessa e de outras ameaças é que já há prefeituras obrigando até mesmo os servidores do grupo de risco a voltarem ao trabalho presencial. É importante enfatizar que tudo isso é o resultado da política direitista do governo do estado e das prefeituras. Trata-se de uma política genocida, que se desenvolve no Brasil desde o golpe de Estado e que está se aprofundando no governo Bolsonaro.

O problema da repressão policial também é algo que vem aumentando muito. Sobre isso há o exemplo recente no município de Chapada dos Guimarães, próximo a Cuiabá, no qual o ocorreu o assassinato pela polícia de um jovem negro no centro da cidade. É a famosa orientação de atirar e depois perguntar. Isso também é o resultado do golpe de Estado. O povo explorado e oprimido cada vez mais sofre nas mãos do aparato repressor do Estado. A juventude de Chapada tomou a iniciativa correta de ir para a rua. Como resposta a essa mobilização o policial que assassinou o jovem foi preso. Mas é preciso dizer que isso não é o problema de um PM apenas. Essa é a característica de toda a PM, então não adianta prender um policial apenas. Além derrubar esses governantes fascistas e genocidas, a começar por Bolsonaro, reivindicamos a dissolução da PM, que um verdadeiro exército em guerra contra o povo do próprio país.

Enfim, são tantos problemas, que se quisermos falar de todos aqui, teríamos palavras suficientes para um livro. Mas o que é importante é enfatizar que nenhum deles pode ser resolvido por uma simples eleição. Eles só podem ser resolvidos através da luta, da mobilização dos setores explorados e oprimidos da sociedade. E nós estamos nas eleições justamente para utilizar esse momento para impulsionar essa luta, impulsionar o crescimento do PCO, um partido para mobilizar e organizar por meio da luta revolucionária os anseios populares

A esquerda acredita que as eleições municipais podem barrar o bolsonarismo…

Sim, há muitas ilusões no processo eleitoral. Ilusão em alguns casos, oportunismo em outros. Por exemplo, diante das queimadas, há candidatos que dizem que, se eleitos, vão apresentar um projeto de educação ambiental. Poderia ser uma piada, mas não é. É trágica uma promessa dessas, até porque não é o cidadão comum que está nos condenando a viver no meio da fumaça, mas sim os latifundiários. Mesmo que haja pessoas que colocam fogo em seus quintais, isso não é nada comparado aos incontáveis hectares queimados a mando dos latifundiários. É algo de um oportunismo eleitoral sem tamanho. É tentar enganar a população, dizendo que um projeto vai resolver o problema das queimadas que estão nos atormentando. Nós não estamos nas eleições para isso. Nós estamos nas eleições para dizer que um problema como esse só pode ser resolvido pela luta no campo pela expropriação de todos os latifundiários, que são aliados de Bolsonaro.

O PCO defende um governo dos trabalhadores da cidade e do campo, correto?

Sim, é isso o que defendemos. Até porque sem um governo dos trabalhadores da cidade e do campo nenhum desses problemas pode ser resolvido. Enquanto o Estado for um Estado capitalista, teremos conviver com todos esses problemas sociais. Por isso, o PCO defende um governo dos trabalhadores da cidade e do campo. E isso não é possível sem a mobilização popular.

Muito obrigado pela sua entrevista, companheiro!

Obrigado, companheiro!

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