Italian former communist militant Cesare Battisti (L), wanted in Rome for four murders attributed to a far-left group in the 1970s, is escorted by Italian Police officers after stepping off a plane coming from Bolivia and chartered by Italian authorities, after landing at Ciampino airport in Rome on January 14, 2019. - Former communist militant Cesare Battisti landed in Rome on January 14 after an international police squad tracked the Italian down and arrested him in Bolivia, ending almost four decades on the run. (Photo by Alberto PIZZOLI / AFP)
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Domingo (13), o ex-militante de esquerda Cesare Battisti foi detido na Bolívia. Ele estava há um mês no país pedindo refúgio por ser perseguido no Brasil, diante da chegada da extrema-direita ao governo brasileiro. O governo da Bolívia, liderado pelo presidente Evo Morales, não concedeu o refúgio e colaborou com a prisão de Battisti, que foi mandado em um avião no mesmo dia para a Itália, onde chegou na segunda-feira (14), depois de quase 40 anos fugindo da perseguição dos fascistas.

Battisti foi entregue ao governo fascista italiano com a maior rapidez pelas autoridade bolivianas claramente para impedir qualquer ação em contrário e sob o absurdo pretexto de que se encontrava ilegalmente no País.

Em 1993 Battisti foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos no final da década de 70. Ele nega a participação nesses crimes. Em 1982, Battisti fugiu da Itália, depois de fugir da prisão, à qual tinha sido condenado em 1981 por “participação em grupo armado”. Suas supostas vítimas eram fascistas ligados à repressão e grupos paramilitares.

Na época em que Battisti entrou para o grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), durante os anos 70, a esquerda era perseguida pelos fascistas na Itália. Grande parte do Estado italiano estava tomada por fascistas, herdeiros políticos de Mussolini que continuaram dentro do aparato estatal. A extrema-direita realizava atentados terroristas e assassinava militantes de esquerda, caçando os militantes nas ruas. É essa extrema-direita que continua perseguindo Cesare Battisti até hoje, uma vingança pelo fato de ele ter se organizado e militado na resistência aos fascistas.

Resumidamente, esse é o cenário da perseguição a Battisti, que passa por uma série de arbitrariedades judiciais na Itália e embates diplomáticos. No Brasil, Lula concedeu a Battisti o direito de ficar no país no final de 2010, foi o último ato de seu governo. Mesmo assim, a direita nunca deixou de fazer campanha contra sua permanência no Brasil, exigindo que Battisti fosse mandado para a Itália para cumprir sua pena de prisão perpétua.

Diante desse histórico, ao entregar Battisti para o governo italiano, sem qualquer direito de defesa, Evo Morales cedeu à pressão da direita, do imperialismo e dos golpistas de direita que tomaram o poder em quase todos os países da região. Aparentemente, trata-se de uma tentativa de buscar uma conciliação com a direita em um momento delicado de isolamento. De qualquer modo é a mais vergonhosa ação política do governo de esquerda boliviano.

A traição de Evo Morales é um fortalecimento da extrema-direita no momento em que está está crescendo no mundo interior. A onda de golpes que varreu o nacionalismo burguês no continente vai continuar agora em direção à Bolívia e com uma intensificação do golpismo na Venezuela. O grupo político de Evo Morales será obrigado a enfrentar a direita se quiser resistir à ofensiva golpista que vem pela frente. A entrega de Battisti foi um passo no sentido da liquidação do governo nacionalista boliviano.

 

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