Entenda a “orientação fascista do general Villas Bôas”, com Rui Costa Pimenta

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Transcrevemos abaixo, trecho do programa Análise Política da Semana, com Rui Costa Pimenta, presidente do PCO – Partido da Causa Operária, no qual ele aborda os últimos acontecimentos políticos de relevância e os contextualiza, segundo uma ótica fundada no método marxista de observação, o materialismo histórico e dialético.

Segundo Rui Pimenta, é possível extrair das manifestações dos militares proeminentes que participam da montagem do governo Bolsonaro, e por dedução, a orientação fascista na qual eles têm pautado a conduta que consideram coerente com seus princípios.

Acompanhe o trecho da análise, onde Rui tratou, em particular, da declaração que o general Vilas Boas deu sobre a Intentona Comunista, vejamos:

“Para nós aqui que ouvimos todo esse tempo o elogio do caráter democrático do comandante do exército, o General Vilas Boas, que ele seria o setor democrático e nacionalista. Bom, primeiro é evidente que o Vilas Boas dá apoio integral a esse, deu durante esse tempo apoio integral a ascenção dos militares e do Bolsonaro, se alguém tinha dúvida as dúvidas estão dissipadas; se alguém tinha dúvida de que esses militares são profundamente entreguistas, as dúvidas estão dissipadas também.

“Mesmo assim, é interessante notar uma determinação no comando das forças armadas, do próprio general Vilas Boas; no dia 27 de novembro ele disse o seguinte, está no seu tweeter: “determinei ao Exército oficial que rememorem a intentona comunista ocorrida há 83 (oitenta e três) anos, em 27 de novembro de 1935. Antecedentes, fatos e consequências, serão apreciadas para que não tenhamos nunca mais, irmãos contra irmãos vertendo sangue verde e amarelo em nome de uma ideologia diversionista”.

Bom, muita gente pode não ter, assim, a noção exata do significado disso. Mas, depois de 1935, ou seja, da fracassada tentativa de levante organizada pela Aliança Libertadora Nacional, sob o comando de Luiz Carlos Prestes, os militares e a extrema direita – a maior parte dos militares naquele momento – era muito próxima do integralismo, o fascismo brasileiro, fizeram uma intensa campanha de calúnias dizendo que levante tinha sido uma traição, que os que se levantaram em determinados lugares tinham matado gente dormindo, criaram toda um a mitologia típica das forças armadas, com um único e exclusivo de atacar a esquerda, atacar o comunismo, atacar a esquerda em geral.

Fazia tempo que o assunto estava, senão extinto, completamente secundarizado. Agora a gente vê o general Vilas Boas chamando a atenção para a Intentona Comunista. O que significa isso? Isso aqui está totalmente de acordo com as inúmeras declarações de Bolsonaristas de que o objetivo deles é acabar com a esquerda brasileira, acabar com os vermelhos. Essas declarações se multiplicaram aí em grande quantidade.

Qual a ideia? Liquidar a força política, a organização política da esquerda do Brasil. É uma orientação, essa orientação em si, é uma orientação tipicamente fascista. O fascismo, como nós já dissemos várias vezes, tem como objetivo erradicar a democracia operária. Ou acabar com os sindicatos, como já aconteceu em alguns países, como por exemplo a Itália, a Alemanha, etc e tal; ou anular completamente os sindicatos, acabar com os partidos de esquerda, e acabar com todas as organizações de luta social, o que seria uma anulação absoluta da capacidade de luta e de reivindicação do povo brasileiro.

Seria o mesmo que desarmar todo o povo brasileiro e colocar em prática uma política duríssima de ataque contra o povo brasileiro. A política duríssima já foi anunciada. Então o que é que acontece? Acontece que, provavelmente, essa política duríssima vai encontrar resistência. Qual a resposta da extrema direita para essa resistência: erradicar e esquerda. Por que o Vilas Boas é tido como o general democrático, isso, logicamente, é que é uma fantasia.

Ele lembra a chamada Intentona Comunista. Intentona é o nome que os militares deram ao acontecimento. Por que é que ele lembra isso daí? Porque ele quer armar politicamente e ideologicamente as forças armadas para um ataque geral contra a esquerda. Então, por exemplo, se as reivindicações sociais e sindicais não vão ser enfrentadas assim como: “não é justo; o que está sendo reivindicado é muito…”. Não, isso são comunistas, tem que acabar com os comunistas, acabar com os vermelhos, etc e tal.

Quer dizer que há toda uma preparação para uma política que aponta no sentido de uma guerra civil contra o povo. Essa declaração é muito significativa. Se a declaração que nós lemos aqui fosse do Bolsonaro, você diria que ele está cheio de declarações como essa. Não, essa declaração é uma declaração oficial do Comando do Exército para o conjunto do Exército discutir, relembrar o problema da insurreição de 1935. Então nós temos aí mais um fato significativo que mostra a direção em que caminha o governo Bolsonaro.”