Hecatombe da Educação
Universidade já inicia plano de retomada das atividades após determinação do MEC, estando prevista para dia 13 de julho
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Prédio UFPR - 12-12-2017 - Prédio histórico da UFPR, na praça Santos Andrade, no Centro de Curitiba.
Universidade Federal do Paraná. | Foto: Reprodução.

Instala-se, cada vez mais, o plano da burguesia para a crise na qual o Brasil se encontra. Desde o começo da pandemia, setores alegadamente científicos e moderados da direita apresentam soluções “inovadoras” para os inúmeros problemas que perpassam a sociedade brasileira. Na educação não seria diferente.

Desde o começo da pandemia, para resolver o problema da educação brasileira, foi apresentado o chamado ensino à distância (EAD). Supostamente, é uma grande inovação tecnológica que representa o próximo nível do ensino, elevando sua sofisticação e eficiência. Já sabemos – há muito – que não passa de um mecanismo à serviço do capital que atribui gigantescos lucros às empresas e, consequentemente, aos empresários. Prova disso é que é um modelo propagado desde o governo Temer, ocupando, além disso, importante papel na campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. Somente estes fatos já devem causar grande desconfiança acerca da verdadeira motivação por trás dessa política.

No dia 17 de junho, concatenando toda a pressão exercida sobre os órgão de educação pública, o MEC divulgou uma portaria que determina que as instituições de ensino superior têm até 15 dias para decidir se irão aderir ao ensino remoto ou não. Com isso, a Universidade Federal do Paraná começou a organizar a retomada de suas atividades. Segundo a universidade, o ensino remoto emergencial – nomenclatura puramente demagógica – terá início a partir do dia 13 de julho. Ademais, o período especial será realizado entre 29 de junho e 26 de setembro para os cursos semestrais e entre 29 de junho e 7 de novembro para os cursos anuais.

Em meio ao anúncio citado, entra um fato que tem como objetivo amenizar a reação dos estudantes frente ao estabelecimento do modelo na instituição. De acordo com o plano de retomada das atividades, toda e qualquer disciplina ofertada de forma remota seriam optativas, não acarretando nenhum prejuízo àqueles que se recusarem a realizar a matrículas ou simplesmente estiverem impossibilitados de fazê-lo. Logo, não precisamos nos preocupar, certo? Afinal de contas, está posta a condição que garantiria igualdade ao processo. Todavia, infelizmente não é o caso.

Não se pode esquecer de um fato de extrema importância: a política da direita é a de “comer pelas bordas”. Nesse sentido, o estabelecimento do EAD de forma optativa não passa de um prelúdio para sua permanência. Não precisamos ir longe para comprovar essa questão. Governadores já têm dito que o EAD é o avanço que a pandemia trouxe, algo que deve permanecer até mesmo depois da quarentena. Ademais, diretorias já informar seus alunos que devem se acostumar com o modelo. Bom sinal não é.

Além da UFPR, outras universidades ao redor do Brasil já começaram a planejar seus respectivos planos de volta às aulas. Vale citar a Universidade Federal do Ceará (UFC), que já programa o início das suas atividades para dia 20 de julho e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Em Brasília, a situação não é muito diferente. Há quase um mês que a Universidade de Brasília (UnB) começou a planejar a retomada de suas atividades de forma remota. A reitoria tem se articulado para introduzir o modelo sem que ninguém seja prejudicado – uma tarefa no mínimo impossível dadas as condições materiais da instituição. Dentro desse projeto, foi feita uma pesquisa para aferir a condição dos alunos, docente e técnicos para, depois, formular uma estratégia de implementação – método adotado pela maioria das instituições de ensino. Todavia, é nítido que esse plano de ação não está voltado em momento algum para assegurar a qualidade do ensino em si. Acima de tudo, procura garantir que o maior número de estudantes tenha acesso aos recursos tecnológicos e, além da capacitação dos professores, nada tem sido feito para repensar e/ou reformular o ensino à distância em questão.

No final das contas, fica nítido que a campanha é mais um plano arquitetado pela direita para maximizar seus próprios lucros. A estratégia de garantir amplo acesso ao modelo sem se preocupar com a qualidade do ensino ofertada por este não passa de um artifício para garantir que o maior número possível de alunos seja explorado pelas empresas que ficarão responsáveis por fornecer a infraestrutura necessária. Deve ficar claro que o EAD não passa de um projeto de privatização e, por conseguinte, de sucateamento do ensino público brasileiro.

No fim, é imprescindível que a juventude se mobilize para pôr um fim aos avanços feitos sobre a educação pública por parte da burguesia. Somente a mobilização popular pode se contrapor ao enorme aparato capitalista que explora diariamente milhões de trabalhadores e estudantes. Caso a inércia permaneça reinando dentro do setor, o EAD não será passageiro. Muito pelo contrário, será a norma, concluindo, finalmente, a plano neoliberal do grande empresariado educacional de destruir por inteiro o sistema público do Brasil.

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