Genocídio indígena
Funai anuncia míseros R$10 milhões para combater o COVID-19 nas comunidades indígenas do Brasil inteiro
Foto: Flickr/OBORÉ/Projeto Repórtes do Futuro Licença: CC BY 2.0
Foto: OBORÉ/Projeto Repórter do Futuro - Licença: CC By 2.0 |

O governo fascista de Jair Bolsonaro continua sua cruzada genocida contra os indígenas. Agora, a Funai, sob direção de homem ligado a ruralistas, anuncia, com uma dose cavalar de demagogia e cinismo, orçamento de R$10 milhões para ações de combate ao Coronavírus nas aldeias indígenas de todo Brasil. Trata-se, mais uma vez, de dar migalhas às camadas necessitadas enquanto são dados, de mão beijada, recursos na ordem de trilhões para banqueiros e grandes capitalistas

Os indígenas no Brasil somam, segundo o Censo de 2010, mais de 800 mil pessoas, sendo aproximadamente meio milhão na zona rural. Os habitantes das comunidades indígenas possuem uma taxa de mortalidade maior, o que demonstra a falta de assistência de saúde a estas comunidades. Assim, esse total de R$10 milhões liberado à Funai é insuficiente se não um ato de escárnio com a população indígena.

No estudo de Kyra H. Grantz (2016) sobre a gripe espanhola em Chicago foi mostrado que quanto mais analfabetos havia em uma dada região, maior a mortalidade (ver artigo sobre a gripe espanhola no caderno 2 do Jornal Causa Operária nº1101). A população indígena possui, ainda segundo o Censo de 2010, um nível de alfabetização bastante menor que o restante da população. Deste modo, é possível chegar a conclusão, partindo das semelhanças estatísticas do Covid-19 e da gripe espanhola e que a taxa de mortalidade entre os índios é mais elevada, que as comunidades indígenas serão fortemente atingidas pela doença.

Quem ganhará com essa situação são os atuais “patrões” da Funai, os latifundiários. A expectativa de alta taxa de mortalidade pelo Covid-19 enfraquecerá brutalmente a resistência dos povos indígenas que ou serão assassinados por forças repressivas do Estado e serviçais dos ruralistas ou serão expulsos de suas terras pelos mesmos.

No Amazonas, 4 casos de Coronavírus, dentro da mesma família, foram confirmados recentemente. Um destes casos é de uma criança de menos de 2 anos e outro de uma agente de saúde, mãe da criança. O fato da mãe ser agente de saúde levanta outra discussão que tem como raiz a paralisia criminosa do governo federal que é a falta de condições de trabalho para os profissionais de saúde.

Até agora, estes foram os 4 casos de Coronavírus na população indígena confirmados, além dos 26 casos suspeitos. Trata-se de um número bastante abaixo da realidade, pois, como já denunciado pelo Jornal Causa Operária nº1101, se os testes são quase inacessíveis para a população de grandes metrópoles como São Paulo, é lógico que tão cedo não chegarão a localidades mais isoladas como as aldeias indígenas na região norte do país.

Derrubar Bolsonaro e os demais golpistas é da mais urgente importância para a manutenção da saúde da classe trabalhadora, incluídos aí, os indígenas. Somente, assim, será possível implementar políticas reais e efetivas de combate ao coronavírus e a crise capitalista.

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