Enquanto Bolsonaro destrói o País, a esquerda brinca de esconde-esconde

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As manifestações do último dia 26 de maio, organizadas pela direita golpista, foram um fiasco completo e demonstraram o cada vez menor apoio ao governo fraudulento e ilegítimo de Jair Bolsonaro. Por outro lado, as mobilizações da juventude, dos professores, da classe trabalhadora, dos movimentos populares do último dia 15 e do dia 30 de maio, as quais tiveram como estopim os ataques do governo contra a educação, mas que se colocaram abertamente contra o golpe de estado e o governo ilegítimo de Bolsonaro, reuniram milhares de pessoas nas ruas de todo o país aprofundando ainda mais a crise política não apenas do governo, mas de todo o regime golpista.

As mobilizações do dia 15 e do dia 30 de maio, não foram apenas contra “os cortes na educação”, mas se colocaram contra toda a política golpista de conjunto de destruição das condições de vida da população. Desde a queda da presidenta Dilma Rousseff, por meio do golpe de estado, o País vem sendo devastado pela direita e pelo próprio imperialismo. São inúmeros os ataques feitos contra a população desde o governo golpista de Michel Temer, como o congelamento dos investimentos públicos, os cortes e os ataques a cultura e a ciência, a privatização do patrimônio nacional,  a reforma trabalhista, o aumento da repressão do estado contra a população pobre, o extermínio progressivo da população negra e pobre nas periferias, as mortes das lideranças e dos trabalhadores no campo, o ataque aos direitos e às liberdades democráticas, aqui se destaca a prisão política do ex-presidente Lula, a perseguição e o assassinato de lideranças de esquerda, como foi o caso da vereadora carioca Marielle Franco, etc.

O próprio Bolsonaro é consequência direta de todo esse processo golpista. Diante do cada vez maior repúdio popular ao golpe de estado, a crise dos setores da direita tradicional, como o PSDB, o imperialismo foi obrigado, por meio da fraude e da exclusão do principal candidato popular, a recorrer a um candidato improvisado da extrema-direita, uma manobra, que como vemos agora, foi e é muito arriscada.

O governo ilegítimo de Bolsonaro, com muitas crises internas, mas que tem como objetivo impor o programa golpista do imperialismo no País, a política de terra arrasada, de destruição de todos os direitos da população, como a aposentadoria, de entrega total e completa da riqueza nacional, de repressão e extermínio da população mais pobre, de desmantelamento das organizações operárias, como os sindicatos e os movimentos populares. Ou seja, Bolsonaro está a serviço dos grandes capitalistas para destruir o país.

As mobilizações do dia 15 e do dia 30 foram uma resposta a toda essa política de conjunto, foram a continuação de toda a luta que se desenvolveu no período anterior, contra o golpe de estado, contra a prisão de Lula. As palavras de ordem mais ouvidas nas ruas de todo o país foram o Fora Bolsonaro e a Liberdade para Lula.

A despeito da cada vez maior revolta popular contra o governo golpista de Bolsonaro, as direções da esquerda pequeno-burguesa se negam a impulsionar essa perspectiva política do movimento, restringindo as reivindicações a questões secundárias, como os “cortes na educação”. Trata-se de uma política de total capitulação ao golpe e ao próprio bolsonarismo. Diante do medo e da consequente pressão feita pela burguesia e sua imprensa venal contra o fato da mobilização estar assumindo cada vez mais um caráter abertamente contra o governo golpista de Bolsonaro, a esquerda capitula e procura restringir o movimento, de maneira deliberada e organizada, às chamadas reivindicações pontuais.

Isto ficou escancarado nos atos do último dia 30, nos quais, em várias cidades importantes, os companheiros do PCO foram proibidos de falar, de chamar pelo Fora Bolsonaro e pela Liberdade para Lula, assim como nenhuma liderança da esquerda pequeno-burguesa defendeu essas palavras de ordem. É preciso deixar claro que essa política adotada por determinados setores da esquerda pequeno-burguesa serve apenas para estrangular cada vez mais a mobilização, atendendo aos interesses da própria burguesia.

É necessário fazer uma campanha no sentido oposto, é necessário impulsionar em todos os lugares uma perspectiva política para o movimento. Tal perspectiva passa necessariamente pela denúncia da política golpista de conjunto e pela exigência da queda do governo Bolsonaro e de todos os golpistas. É necessário também se opor a política imposta pela burguesia e adotada por determinados setores da esquerda de tentar “silenciar” a reivindicação de Liberdade para Lula. A prisão de Lula é parte fundamental de todo o golpe de estado, a sua prisão política, a sua exclusão arbitrária do processo eleitoral, abriram caminho para a “vitória” da extrema-direita. É necessário, portanto, impulsionar uma perspectiva de derrota completa do golpe: Fora Bolsonaro! Eleições Gerais! Liberdade para Lula! Lula candidato!