Até os assassinos reconhecem
Desesperado, o governo do Amazonas suspendeu o Enem em contraposição às decisões da Justiça em SP. A carnificina que prossegue deve ser cancelada, pela mobilização, em todo País.
enem2dia1 (1)
Na fila para fazer se inscrever no exame | Foto: Patrick Marques
enem2dia1 (1)
Na fila para fazer se inscrever no exame | Foto: Patrick Marques

Com data marcada para o extermínio de milhares de estudantes, o regime político impõe o agravamento da pandemia para sustentar suas bases econômicas falidas. O Enem, que não foi suspenso ou adiado pelo governo federal, e muito menos pelas sonhadoras entidades estudantis, começará no dia 17. Apesar disso, a contestação pública contra a realização do exame é tamanha que, contra as decisões e colocações do MEC e do Inesp, a Justiça Federal do Amazonas optou por suspender a prova no estado. 

Não por coincidência, Manaus, a capital, foi o primeiro local a abrir as escolas e teve como resultado milhares de contaminados. Logo após a confusão, as escolas precisaram ser novamente fechadas. Finalmente, o estado passa pelo auge da pandemia, e está em situação de calamidade pública.

Nesta quarta-feira, por exemplo, Manaus bateu o recorde de novas hospitalizações, foram 2.221 apenas nos 12 primeiros dias de janeiro. Na terça (12), já estavam ocupados 90% dos leitos de UTI da rede pública e 93% da rede privada. E também no começo do ano, no caso, nos primeiros dias, Manaus bateu o recorde de sepultamentos, com uma média diária de 111 enterros, taxas ainda maiores que as dos meses de abril e maio do ano passado.

Assim, a suspensão do Exame Nacional do Ensino Médio não se trata, em nenhuma escala, da boa consciência do governo do Amazonas que quer poupar as condições de vida dos estudantes. Na realidade, é uma política de desespero por não conseguir conter a crise da pandemia. Uma outra medida que ainda deixa isso mais claro, foi o toque de recolher também declarado no estado, para aumentar as forças repressivas.

Afinal, sem um programa de combate à crise sanitária, sem vacinas, testes, hospitais de campanha, etc, não é possível combater o vírus, e por isso, os golpistas preferem optar por medidas absurdas e demagógicas contra a população. No geral, é importante compreender que a situação no Amazonas é apenas a ponta do iceberg para o panorama político nacional.

A decisão de suspender as provas, veio após a Justiça em São Paulo rejeitar o pedido da Defensoria Pública da União (DPU) para o adiamento. Agora, a decisão assinada pelo Juiz Ricardo Augusto de Sales, determina a suspensão do exame até o fim do estado de calamidade pública decretado pelo Governo. Em caso de descumprimento, o juiz determinou multa de R $100 mil por dia, até o limite de 30 dias, valor que deverá ser pago “pelo patrimônio pessoal da autoridade administrativa máxima do Inep”, como também pelas escolas públicas que descumprirem com a norma.

Por um lado, parece até autoritária a medida do aparato burocrático do estado, que fez inclusive com que o Governo Federal recorresse da decisão que suspendesse as provas. Entretanto, é apenas um reflexo da enorme crise política instaurada no País. 

No Amazonas, mais de 5 mil pessoas confirmadas já morreram pela doença. A revolta popular contra as provas, que reuniriam cerca de 160 mil estudantes, era catastrófica para os golpistas que regem o estado. De fato, não só lá, mas em todo o País, será uma carnificina sem igual. As “medidas de distanciamento” não são nada além de paliativos, o que já foi provado na Fuvest e em outros exames. Vale colocar que os estudantes vão, inclusive, comer durante a prova, em salas fechadas, por vezes, com ar condicionado. Sem contar, que no ano passado não houve ao menos ensino, os estudantes, principalmente os da classe trabalhadora, não terão nenhuma chance real de ingressar no ensino superior.

A decisão do estado deve ser a mesma para todo o Brasil. Não é possível admitir tamanho crime contra o povo brasileiro. A pressão da burguesia para assassinar a população em nome de manter sua economia moribunda já passa de inadmissível. O Enem apenas não é suspenso, para manter o calendário mortífero da volta às aulas e a privatização do ensino à distância.

Nesse âmbito, a Advocacia-Geral da União está tão desesperada que não tem nem a vergonha de declarar que:

“Qualquer decisão que afete os procedimentos referentes ao cronograma do Enem refletirá nos cronogramas do Sisu, do Fies e do Prouni, resultando, necessariamente, em graves danos ao candidatos, a todas as instituições públicas e privadas envolvidas, e ao interesse público como um todo”

Aqui já se esclarece que não existe nenhuma postura “humanitária” da burguesia. No Amazonas o estado já bateu recorde no quesito de assassinatos do povo durante a crise, e no resto do Brasil, os golpistas não só fazem o mesmo, como preferem ocultar a situação nefasta que está sendo imposta.

A esquerda, em especial as organizações estudantis, fazem o mesmo. A UNE e a UBES não tomam nenhuma posição concreta sobre a realização do exame, e muito menos, chamam a juventude a se mobilizar. Enquanto milhares morrem de doença, os carreiristas do PCdoB que controlam o movimento estudantil estão em casa assistindo. 

O Enem precisa ser imediatamente cancelado em todo país, bem como o calendário letivo suspenso, para que verdadeiras organizações dos estudantes possam decidir sobre quando os vestibulares devem ocorrer e quando as aulas devem retornar. Isso não acontecerá sem um enorme levante dos estudantes e dos trabalhadores, para não só suspender o Enem, mas principalmente para derrubar o governo golpista e organizar um programa real de combate a crise sanitária e a crise econômica.

Relacionadas
Send this to a friend