Vestibular na pandemia
INEP põe em prática a política genocida do governo federal com o Enem
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- Estudantes chegam à UERJ para realização do primeiro dia de provas do Enem 2014 (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Estudantes na entrada da UERJ para o primeiro dia de provas do Enem 2014. | Tomaz Silva/Agencia Brasil
Rio de Janeiro- RJ- Brasil- Estudantes chegam à UERJ para realização do primeiro dia de provas do Enem 2014 (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Estudantes na entrada da UERJ para o primeiro dia de provas do Enem 2014. | Tomaz Silva/Agencia Brasil

O sonho de entrar na Universidade é uma realidade para grande parte da juventude brasileira. Historicamente, o acesso às oportunidades de continuidade dos estudos sempre esteve nas mãos da burguesia, e de alguns segmentos da pequena burguesia tecnocrata e burocratizada, muitas vezes a serviço do estado.

Os avanços, ainda que modestos e feitos de forma incorreta, ocorridos no espaço de quase uma década e meia nos governos de conciliação encabeçados pelo PT, auxiliaram um setor das crianças da classe operária a entrarem nas Universidades. Com o advento do governo golpista de Temer, a política de desmantelamento da educação em todos os níveis está fechando cada vez mais as portas do ensino superior para a classe operária.

Não é de se estranhar, que, com o atual governo, abertamente genocida, esse projeto tenha se aprofundado, a ponto de, em 2019, o INEP, sob nova direção, ter montado uma comissão para censurar temas que conflitassem com a ideologia bolsonarista, em uma política verdadeiramente fascista, que ainda por cima aponta para uma política de censura nas salas de aulas. Isso sem falar na continuação do sucateamento da educação, que leva ao estreitamento das possibilidades de prosseguimento dos estudos à população mais pobre, majoritária no país.

Também não há como negar a postura propositadamente irresponsável desse governo e dos governos estaduais ditos “científicos” que, com sua política genocida e negligente, já levou à morte, segundo dados oficiais bastante subnotificados, mais de 200 mil pessoas, em nome de uma cínica ‘‘defesa da economia”, que continua não engrenando e, que, no entanto, nesse atual contexto de pandemia do coronavírus, tem enriquecido cada vez mais a burguesia, mesmo em meio ao crescimento da pobreza absoluta e do abandono no qual se encontra a população.

Agora, mesmo em meio a uma taxa absurda de mortes e transmissão (cerca de 1000 mortes por dia), resultado das ações políticas de normalização da pandemia levadas a cabo pelos governos federal, estaduais e prefeituras, sem qualquer previsão de controle e diminuição da mesma pelo país, o INEP resolveu aplicar o Enem, demonstrando mais uma vez que a vida dos estudantes e trabalhadores não é uma de suas prioridades.

Trata-se de uma política fascista, e genocida. Ao mesmo tempo em que o governo prometeu cumprir todas as normas sanitárias, quando, ao invés disso, deveria adiar as provas, planejou salas com até 80% de lotação, porcentagem superior à recomendada (50%), o que impossibilita o distanciamento de 2 metros, e demonstra total desprezo aos mais de 5,8 milhões de estudantes, que correm o risco de serem infectados e agirem como correntes de transmissão para outras pessoas.

Essa pressa na realização do exame também se justifica pelo completo sucateamento da educação pública, especialmente com a implementação forçada do EAD e o consequente processo de exclusão e aprofundamento das deficiências no sistema educacional acarretado por essa opção, o que facilita o caminho para que os filhos da burguesia ocupem majoritariamente esses espaços e digam que entraram pelo ‘‘mérito”, com os seus velhos discursos falaciosos.

É preciso mobilizar os estudantes e trabalhadores da educação de todo o país, a fim de enfrentar a política genocida do governo Bolsonaro e dos governadores “científicos”, aderindo à greve chamada pela corrente sindical do PCO, Educadores em Luta, para o dia 1º de fevereiro!

 

Relacionadas
Send this to a friend