“Lei de Gerson”
Com a falsa alegação de doar parte das vacinas ao governo, querem furar a fila vacinando primeiro seus funcionários.
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Zé Gotinha cabisbaixo e amordaçado | Foto: Diário do Centro do Mundo/Fernando Brito
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Zé Gotinha cabisbaixo e amordaçado | Foto: Diário do Centro do Mundo/Fernando Brito

Esta semana foi reaberta a discussão e tentativa de aquisição de vacinas pelos empresários privados das grandes empresas do país. Novamente os monopólios tentaram se antecipar ao governo e comprar vacinas com seus próprios recursos. O objetivo é adquirir as vacinas e utilizá-las para a imunização dos seus funcionários.

Com a segunda e terceira onda de novas cepas, mais mortais ainda, e com a possibilidade do contágio generalizado, fechamento de lojas, shoppings, etc.  eles temem pelos prejuízos nos negócios. 

Por isso estão se organizando para comprar as vacinas, e para não pegar mal junto à população, falam em doar parte delas para o SUS. Pura demagogia, estão preocupados com seus negócios, e não com a saúde da população e de seus empregados.

É evidente que vacinando seus funcionários, estarão se preservando de prejuízos, reduzindo o contágio e mortes entre eles. Com isso salvam, em parte, os ricos recursos que têm, enquanto o trabalhador continuará com os baixos salários, sem assistência médica, com a inflação alta e tendo que recorrer a empréstimos bancários para compensar as perdas salariais.

Não conseguem salvar toda a riqueza porque não há como evitar perdas com a crise econômica gravíssima que assola o país e o mundo todo. O sistema capitalista dá claros sinais de exaustão total, com os já treze anos de crise e sem perspectivas de solução. E agora a pandemia piora ainda mais a crise.

A notícia foi amplamente divulgada pela imprensa golpista, como o jornal Estadão Uol, citando uma carta que circulou entre os empresários, planejando a compra das vacinas da Oxford/AstraZeneca, que estariam disponíveis para a compra, e que seriam 33 milhões de doses.

Alegaram que o preço cobrado estaria ainda mais alto que o já alto preço pago pelo governo brasileiro, comparado ao preço pago pela União Européia. Referem-se ao lote que chegou ao país recentemente. Sairiam por  US$ 23,79, sendo que o governo havia adquirido por US$ 5,25. E ainda o fornecedor já havia atrasado a entrega para a União Europeia.

Não houve consenso entre os empresários, onde uns queriam a doação total do lote ao SUS e outros apenas uma parte. A falta de consenso evidencia que entre furar a fila, passando seus funcionários na frente dos idosos, deficientes, funcionários do SUS na linha de frente do combate ao vírus, etc. isso causaria enorme convulsão social, expondo a patifaria de furar fila por ter mais recursos que os demais.

Ao mesmo tempo fica evidente que o poder econômico pode deixar que países mais pobres possam não ter acesso às vacinas em tempo hábil, provocando uma mortalidade muito alta nesses países. Ao passo que os países mais ricos teriam prioridade e poderiam salvar mais vidas nesses países. 

É assim que funciona o sistema capitalista, tudo ao capital e nada aos trabalhadores. E estamos chegando perto do “nada” aos trabalhadores, como no período de escravidão humana. Com o desemprego elevadíssimo, as reduções de salário, perda de direitos trabalhistas, precarização das condições de trabalho, perda de direitos sociais, inflação em escala crescente, e sem assistência médica estamos chegando perto disso. Morte e miséria.

A imprensa com base nos dados do SUS informa que foram vacinados no Brasil 4,5 milhões com a 1ª dose, isso equivale a 2% do total da população. E que na quinta-feira tivemos recorde de mortes num só dia, foram 1.452.

O fundador da Multiplan, rede de 19 shoppings no país, José Isaac Peres, criticou prefeitos e governadores por fechar shoppings e com isso criar a falsa ideia de que estão salvando vidas. E que o fechamento é medida arbitrária, pois são locais seguros e seguem os protocolos de higiene e distanciamento social. Devemos nos perguntar, é mesmo assim?

A lógica dos governos brasileiro e de todo o mundo tem sido a mesma, salvar os negócios e portanto, o capitalismo, e deixar morrer a população, que são os trabalhadores. 

Isso é comprovado pelo fato de que nenhum governo se antecipou à pandemia, expandindo os recursos médicos, como testes em quantidade suficientes para isolar os infectados dos sãos, respiradores suficientes para enfrentar a pandemia, aumentar a produção de medicamentos, isolamento social adequado para que todos pudessem ter condições mínimas de passar pela crise com o número de mortes muito mais reduzido. 

A saída para os trabalhadores é criarem organizações populares nos bairros, empresas e escolas, elaborarem pautas de reivindicações e saírem às ruas para lutar por elas até a completa realização, sem recuar um milímetro sequer.

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