Não ao futebol moderno!
Empresarização dos clubes: avançam os ataques contra o futebol
Para tomarem conta do futebol, os capitalistas precisam neutralizar as torcidas organizadas
Gremio x Palmeiras
Não ao futebol moderno!
Empresarização dos clubes: avançam os ataques contra o futebol
Para tomarem conta do futebol, os capitalistas precisam neutralizar as torcidas organizadas
Grandes empresários capitalistas buscam controlar totalmente os clubes.Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA
Gremio x Palmeiras
Grandes empresários capitalistas buscam controlar totalmente os clubes.Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O imperialismo é o domínio das grandes companhias monopolistas sobre toda a economia capitalista mundial. O futebol, como esporte mais popular do mundo, praticado e consumido por bilhões de pessoas, obviamente não poderia escapar das garras da grande burguesia internacional.

Principalmente a partir do final da década de 1980, com a consolidação do neoliberalismo como política dominante dos capitalistas ao redor do mundo, o futebol tem sido cada vez mais atacado pelos mesmos sanguessugas que oprimem o proletariado, sendo ele o esporte por excelência da classe operária.

Os clubes de futebol, surgidos da ou transformados pela organização independente dos trabalhadores, sempre foram associações sem fins lucrativos e com uma estrutura com alguma democracia interna, na qual os associados podiam participar, de alguma forma – mesmo que restrita -, da tomada de decisões.

Com a crescente predominância dos interesses capitalistas interferindo diretamente nos clubes, essa característica popular tem sido reduzida ou mesmo totalmente suprimida. Em alguns campeonatos, como o inglês ou o italiano, a maioria – senão a totalidade – dos clubes é controlada por acionistas bilionários, transformando-os em propriedade privada e não mais coletiva.

No Brasil, o imperialismo tenta impor a mesma política para o futebol. Há alguns anos já existem os chamados “clubes-empresa”. Inicialmente, os grandes capitalistas tomaram conta de clubes menores. Ou clubes maiores têm sido controlados de forma indireta, através de “parcerias” nas quais os empresários influenciam as tomadas de decisões políticas dos dirigentes, mas cada vez mais avançam para uma tentativa de verdadeira compra dos clubes, a fim de que sigam o caminho das equipes europeias.

Para conseguirem dominar totalmente os clubes, os capitalistas sabem que é preciso acabar com qualquer vestígio de democracia, de participação popular. E essa participação, no futebol, se expressa na organização das torcidas dos clubes. É preciso neutralizar as torcidas organizadas, por isso toda a campanha que a imprensa burguesa e a direita vêm fazendo contra os torcedores, pela censura e repressão sob a desculpa, por exemplo, de “combater a homofobia” nos estádios.

Isso serve apenas para colocar o torcedor (trabalhador, pobre, oprimido) na cadeia, incriminar e desarticular as torcidas organizadas, porque elas são a expressão da democracia operária no futebol, particularmente nos clubes profissionais.

As torcidas organizadas, por representarem os interesses da ampla parcela dos torcedores dos clubes, têm totais condições – se seguirem uma política correta de enfrentamento com os inimigos do futebol – de impedir o controle dos capitalistas sobre as equipes.

Já foram registrados casos de torcidas que, indignadas com o destino arruinado de seus clubes, destruíram sedes e prédios onde trabalhavam seus dirigentes-acionistas. Ou seja, as torcidas organizadas têm condições de enfrentar as empresas para impedir a rapinagem sobre seus clubes. E mais: dependendo de seu nível de organização, têm condições de tomar os clubes para si, das mãos dos capitalistas e dos dirigentes burocratas a seu serviço, e transformá-los em verdadeiras entidades geridas pelos próprios torcedores. É por isso que são tão brutalmente atacadas.