Outro nome para subemprego
Colocam um nome pomposo para mascarar a dura realidade para esses trabalhadores, baixos salários, ou renda, péssimas condições de vida em plena barbárie só para os trabalhadores
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Camelôs em Brasília (DF) | Foto: Pedro Antuña
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Camelôs em Brasília (DF) | Foto: Pedro Antuña

Com o desemprego atingindo cerca de metade da população, conforme dados da PNAD Contínua do IBGE, o número de empreendedores aumentou em 2,3 milhões no país, conforme dados do relatório “Mapa das Empresas”, divulgado nesta terça-feira, em videoconferência, pelo Ministério das Economia, referentes ao ano de 2020.

Conforme matéria do jornal O Globo,o percentual de empresas abertas é 6% superior ao registrado em 2019. Foram 3.3 milhões de empresas abertas e 1 milhão de empresas fechadas, resultando no saldo de 2,3 milhões de novas empresas.

Medidas empreendidas pelo governo federal, como facilitação ao crédito e adiamento do pagamento das dívidas em 2020, devem continuar para evitar mais fechamentos.

No ano de 2020 o setor de comércio e serviços correspondiam a 81,2% das empresas abertas e ativas no país e foi nesse setor que houve maior número de aberturas. Os microempreendedores  individuais (MEI), a força desse movimento, é responsável por 56,7% das empresas abertas e ativas no país.

Nesse ano foram abertas 2,6 milhões de novas MEIs, número 8,4% maior que em 2019, e foram fechadas 625 mil, com queda de 14% em relação ao mesmo ano. São os trabalhadores que estavam nas atividades informais e que agora são MEI.

O tempo médio de abertura de empresas foi de 2 dias e 13 horas, e o Ministério tem como objetivo reduzir para 1 dia. Mesmo assim, o tempo médio foi reduzido em 43% comparado com 2019.

A matéria aponta como uma evolução para os trabalhadores sair da condição de trabalhadores informais e chegando ao empreendedorismo. E não mencionam por quê eles chegaram à situação de trabalhadores informais.

O normal e correto seria que todos os trabalhadores pudessem ter emprego registrado em carteira, ter todos os benefícios dessa situação, como salário suficiente para arcar com seu sustento e o da família em nível minimamente digno, pagando aluguel em casa com condições de habitação, pagando água, luz, internet e supermercado sem ter que se preocupar se o dinheiro não irá acabar antes de terminar o mês, e também ter atendimento médico de qualidade.

Essa situação, que deveria ser padrão para todos os trabalhadores, hoje parece estar na esfera dos sonhos. Algo muito difícil de conquistar dada a degradação das condições e renda do trabalho. A barbárie parece ser o padrão dos dias atuais. E não há espaço para lutar por melhores condições de vida.

Esse é o padrão imposto pela burguesia, e que parece estar sendo aceito pelos que produzem toda a riqueza que existe hoje no planeta. Aceito não pelos trabalhadores, mas sim por suas lideranças, que aceitam as imposições de duras penas e perdas de direitos e renda pelos trabalhadores, enquanto suas lideranças estão bem situadas, em casa, com bom rendimento e seus empregos garantidos por benevolência da elite monopolista e imperialista.

Os trabalhadores, que definitivamente estão perdendo, precisam enfrentar o transporte público lotado, se expondo ao vírus, vendo a renda diminuída e perdendo o emprego e todos os direitos sociais. E a solução é tentar ser um MEI para sobreviver sem emprego, sem médico e sem renda em meio à pandemia.

Eles estão nessa situação graças à política neoliberal, que destrói o parque industrial, o comércio, serviços e privatiza o estado para benefício dos grandes monopólios imperialistas.

Se aumentou o número de empreendedores individuais foi porque perderam o emprego com as crises econômica e pandêmica, por política do estado capitalista monopolista, não por iluminação divina, mas para sobreviver teimosamente diante da maior crise na economia e na saúde.

Sem emprego e sem perspectiva de voltar a ter um emprego registrado novamente é que leva os trabalhadores a serem empreendedores, não o contrário como diz a imprensa burguesa, colocando o empreendedor como iluminado a arriscar e ter seu próprio negócio e vitorioso. Nada mais falso. 

A realidade é que empurra esses ao desconforto, sem renda adequada, como camelôs, ambulantes, entregadores de aplicativo, etc. a questão é de sobreviver num mundo que cada vez mais é só para os ricos e afortunados que fazem parte dos 10% mais ricos do planeta, o restante 90% que se vire se e como puderem. Isso é uma barbárie para os trabalhadores. 

E esse é um processo em construção ainda, se hoje é assim, como será quando estiver concluído? Não podemos esperar por milagres, temos que arregaçar as mangas e ir à luta por melhores condições de vida e de trabalho. Só o povo organizado em conselhos populares nas empresas, vilas, e escolas consegue reverter essa situação que se agrava a cada dia. É hora de dar um basta e ir para as ruas, com as reivindicações definidas nos conselhos e lutar até conseguir tudo que queremos.

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