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Desmonte do ensino público
Em São Paulo, pais passam 5 dias em fila para tentar vaga em escola
Sucateamento das escolas estaduais levam pais a buscarem escolas de tempo integral, que servem como peça publicitária, mas atendem à apenas 6% dos alunos.
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Desmonte do ensino público
Em São Paulo, pais passam 5 dias em fila para tentar vaga em escola
Sucateamento das escolas estaduais levam pais a buscarem escolas de tempo integral, que servem como peça publicitária, mas atendem à apenas 6% dos alunos.
Fila com acampamento de pais.
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Fila com acampamento de pais.

O desmonte na educação pública estadual paulista ganha novas feições à medida em que o modelo neoliberal é aplicado pelos sucessivos governos tucanos. Nessa passagem de ano de 2019 para 2020, uma cena lamentável ocorreu em frente à Escola Estadual José Geraldo de Lima no Jardim Ipanema, região do Socorro, Zona Sul de São Paulo. Pais, mães e alunos formaram uma grande fila com acampamento para tentar vagas na instituição no dia 28 de dezembro, passaram a virada de ano acampados em frente à escola, e permaneceram lá até dia 3 de Janeiro, quando foram atendidos pela direção da escola, sem qualquer garantia de conseguirem uma vaga para seus filhos.

Esse tipo de fila era comum em São Paulo para fãs disputando um ingresso para um show musical de alguma celebridade pop, mas para conseguir uma vaga em uma escola pública é uma “inovação” do governo paulista do playboy João Dória, do PSDB.

Uma matéria veiculada pelo canal de TV golpista Rede Globo procura apresentar a ideia de que a fila ocorre devido à qualidade da instituição, que é de tempo integral. Tratando-se assim, não de uma situação vexatória para pais em busca de uma vaga em escola pública, mas algo bom, uma vez que mostra que a escolas estaduais estão atingindo um nível de grande excelência.

O que a matéria da Rede Globo oculta é, em primeiro lugar, um processo crescente de fechamento de salas de aula em todo estado, levando as escolas a ficarem com turmas superlotadas de alunos e muitas vezes, com os alunos estudando em locais distantes do local de moradia. Essa situação, combinada com os constantes cortes nos salários dos professores e servidores, com os crescentes cortes para a infraestrutura e gastos básicos das escolas (para itens elementares como papel higiênico, por exemplo), tem levado à uma situação de caos completo na rede pública estadual paulista. As escolas se transformaram praticamente em presídios, sem a menor condição de estudo. Como exemplo disso, um terço das escolas públicas estaduais não possuem sequer uma biblioteca ou sala de leitura. O resultado são péssimas condições de aprendizagem para os alunos e de trabalho para os professores, que sofrem cada vez mais com doenças causadas por transtornos mentais.

Para maquiar esse processo de destruição da rede pública estadual de ensino, o governo do tucano Geraldo Alckmin, sendo seguido pelo governo de João Dória, iniciou um programa para transformar escolas regulares em escolas de tempo integral. Entretanto, por coincidência, essas escolas estão localizadas de uma maneira geral em áreas de maior poder aquisitivo, onde a demanda por vagas nas escolas públicas são menores. De forma de que esse processo acabou excluindo os alunos mais carentes de áreas periféricas, que são a maior parcelas dos alunos.

Os pais desses alunos em áreas periféricas obviamente preferem as escolas em tempo integral, que independentemente da avaliação da qualidade de ensino dessas instituições, possuem uma maior grade horária, permitindo aos pais trabalharem sem a preocupação de pegar o filho em horário de trabalho (para aqueles que trabalham em horário comercial), além disso a escola conta com 3 refeições diárias. Algo que em tempos de crise econômica e arrocho salarial são de grande valia para os pais trabalhadores. Entretanto, as escolas de tempo integral atendem a apenas 6% do quadro de alunos das escolas estaduais. Ou seja, é uma peça de propaganda eleitoral que atende à uma minoria da população, enquanto o ensino é destruído em todo estado.