Peru em ebulição
Com a crise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus, o país andino passa por um momento de intensa agudização da luta de classes
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Peru
Crescem manifestações e greves após a derrubada de Martín Vizcarra | Foto: Reprodução

O Peru vive um clima de tensão. Desde que desferiram o golpe contra Martín Vizcarra, o regime político tornou-se um imbróglio em que os meios institucionais denotam uma profunda debilidade em contornar a convulsão das massas. Com a crise econômica agravada pela pandemia do novo coronavírus, o país andino passa por um momento de intensa agudização da luta de classes. Por meio de greves, bloqueios de estradas e manifestações de rua, a pujante mobilização popular dirige-se contra a ordem estabelecida e exorta os diferentes setores da classe trabalhadora a assumirem o leme do curso político.

Com o governo completamente à deriva, o Sindicato Unificado dos Controladores de Tráfego Aéreo do Peru (Sucta Peru) anunciou a paralisação de seus trabalhos entre os dias 22 e 25 de dezembro. Todavia, a Corporação Peruana de Aeroportos e Aviação Comercial (Corpac), prevê que a greve seja suspensa antes do anúncio da greve de 72 horas. “Temos fé de que podemos chegar a um acordo antes das 07h00. em 25 de dezembro, quando termina o período de 72 horas (antes de 25 de dezembro)”, afirmou o gerente geral da Corpac Jorge Chávez, em entrevista ao Canal N. A categoria, por sua vez, exige a mobilidade de ida e volta para casa, testes preventivos de PCR semanais, condições adequadas para descanso no turno de trabalho e disponibilidade de banheiros climatizados para o pessoal da torre de controle em todo o país.

Assim como os controladores, os pequenos produtores agrícolas anunciaram uma greve nacional de 24 horas na próxima terça-feira, 29 de dezembro. Segundo os agricultores, isso se deve ao pouco interesse do Estado em ajudar o setor agrícola.

“Atualmente a agricultura familiar e o setor de água estão abandonados e o desinteresse do governo está se tornando cada vez mais visível. Por meio de uma assembleia, concordamos em realizar uma greve agrícola preventiva por 24 horas na próxima terça-feira 29. Pedimos às nossas bases que cumpram a greve de forma pacífica e mantendo o distanciamento social necessário”, informou Carlos Ravines Oblitas, presidente do Conselho Nacional de Usuários do Setores de Irrigação Hidráulica do Peru.

No entanto, segundo o gerente da citada Junta Nacional, Cesar Guarniz Vigo, não há interesse político em solucionar os problemas dos agricultores. “Solicitamos uma reunião com o presidente, mas não recebemos resposta. Nos encontramos brevemente com o ministro do setor que nos deixou com o vice-ministro, mas não vemos um compromisso sério por parte das autoridades. Já se passaram 15 dias desde aquela reunião e não há interesse em nos comparecer ”, afirmou Guarniz.

Além da greve, os trabalhadores do setor agrícola têm bloqueado estradas como forma de protesto contra o total descaso do governo. Somente neste mês já ocorreram dois bloqueios. Um no início de dezembro em Ica e no norte do Peru, que culminaram com a revogação da Lei de Promoção Agrária, e o último, desde segunda-feira, 21 de dezembro, onde os trabalhadores agrícolas buscam a aprovação do nova lei agrária.

“A imobilização devido à pandemia gerou a quebra de 30% da atividade empresarial no transporte interprovincial; os táxis coletivos impactavam 15% da receita. Antes que a lei fosse aprovada pelo Congresso-; e agora, com o bloqueio rodoviário, foram apreendidas entre 1.500 e 2.000 unidades na rodovia ”, disse Martín Ojeda, gerente geral do Transporte Interinspetorial COTRAP-APOIP.

Ademais, segundo Ojeda, “é preciso acrescentar que, de 100% de ocupação nas rotas, a frequência foi reduzida em 40%”. Isso porque nem todas as empresas entraram em operação, justamente por conta da crise econômica.

Os bloqueios, sem dúvida, forçam o governo a buscar um entendimento com a população. A experiência comprova que, com o bloqueio de rodovias, permite-se, por parte das demandas populares, exigir de uma forma mais contundente o atendimento de uma norma. Nesse sentido, ao se bloquear uma estrada, o efeito é quase que imediato, visto que já foi aprovada a regra de circulação de carros coletivos. “Entendemos que no dia 29 de dezembro já estão convocando outra greve agrícola, e mais uma vez o bloqueio das estradas”, complementou.

Como se pode observar, a greve agrária e também a do setor aéreo no Peru revelam o recrudescimento da luta de classes no país. A população, de fato, vem perdendo as ilusões no regime burguês peruano e lança-se contra as manobras do regime golpista de forma independente, organizando-se e utilizando de meios próprios para conquistar direitos e avançar contra os interesses da burguesia. Essas mobilizações desaguam num fluxo constante de mobilizações e com tendência de aumento expressivo, uma vez que outras que podem estar sendo realizadas. Os efeitos dos métodos judiciais do regime golpista peruano romperam as amarras das massas. Ao atuar por meio do judiciário e da Lava Jato, assim como no Brasil, a direita objetiva uma guinada neoliberal, pondo-se frontalmente contra a população; esta já aterrada pela crise econômica e do novo coronavírus, emite em alto e bom som: paralisaremos o país se não atenderem aos nossos pedidos! A crise aberta a partir do golpe contra Martín Vizcarra visivelmente não cessará de imediato; muito pelo contrário – revela-se ainda mais profunda. A situação no Peru se acirra cada vez mais.

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