Uma semana de protestos
1.699 pessoas foram presas em 22 cidades dos Estados Unidos. Cerca de 25 cidades em 16 estados declararam toque de recolher
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Viatura da polícia de Nova Iorque (NYPD) incendiada por manifestantes. | Foto: Reprodução.

A morte de Goerge Floyd, asfixiado por um policial na cidade de MIneápolis (estado de Minnesota), na última segunda-feira (25), serviu como detonador de mobilizações populares que se alastraram por todos os Estados Unidos e canalizaram a atenção do mundo.

Na primeira semana de protestos, foram presas ao menos 1.699 pessoas em 22 cidades. Cinco morreram em confronto entre a população, a polícia e as forças de extrema-direita. Cerca de 25 cidades em 16 estados determinaram toque de recolher. 30% das prisões ocorreram na cidade de Los Angeles (estado da Califórnia), onde o governo estadual declarou estado de emergência e pediu ao governo Trump que enviasse a Guarda Nacional para apoiar o contingente de 10 mil policiais da cidade.

A Guarda Nacional foi convocada neste domingo (31) para reprimir os protestos em 15 estados e na capital Washington D.C. Ao todo, 5 mil membros treinados e fortemente armados foram postos à disposição para reprimir a população. Os seguintes estados receberam contingentes da Guarda Nacional: Indiana, Kentucky, Georgia, Colorado, Ohio, Minnesota, Carolina do Norte, Pensilvânia, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Tennessee, Utah, Texas, Wisconsin e Washington.

Em Los Angeles, aproximadamente 400 pessoas foram detidas na madrugada deste domingo (31). Já em Nova Iorque, verificaram-se 340 prisões neste dia. No total, 33 policiais ficaram feridos, alguns de forma grave. Em Seattle e Denver, ocorreram 27 e 83 prisões respectivamente. Também ocorreram protestos na frente da Casa Branca, localizada em Washington D.C., residência oficial do Presidente Donald Trump.

Trump recomendou que os prefeitos e governadores, que controlam as forças de repressão nos municípios e Estados, por sua vez, ajam de forma “muito dura” com os manifestantes nas ruas. O presidente ainda prometeu a utilização das forças de repressão federais para atacar o povo. Por fim, ele disse que os protestos tinham “pouco a ver” com o assassinado de George Floyd.

A burguesia norte-americana, a mais rica e poderosa do mundo, está colocando todo o aparelho de repressão estatal em todos os níveis – municipal, estadual e federal – para sufocar as mobilizações populares, expressões legítimas do ódio contra a exploração capitalista, a miséria, a pobreza e a opressão política e racial no país. Diversas medidas ditatoriais estão sendo tomadas, como a implementação de toque de recolher, repressão a repórteres e jornalistas e prisões massivas de cidadãos.

Em muitas localidades, as mobilizações se transformaram em verdadeiras insurreições contra o Estado e as forças de repressão. Em Mineápolis, diversos estabelecimentos policiais arderam em chamas. A morte de Floyd, de forma brutal por um policial em plena luz do dia, serviu como uma faísca que incendiou os campos.

A ação do poderoso aparato repressivo deixa evidente o caráter ditatorial da dominação da burguesia dos EUA sobre o conjunto da população. A aparência de democracia se esfacelou diante de todos. A mobilização popular nas ruas está colocando em xeque o regime político burguês nos Estados Unidos, e esse é o caminho para conquistar todas as aspirações populares.

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