Ataques ilegais
A latifundiária bolsonarista incitou a ação policial, pretendendo um despejo forçado sem decisão judicial.
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Foto de uma criança na retomada, após ataque contra indígenas Guarani Kaiowá, em Mato Grosso do Sul | Reprodução

Os ataques contra as retomadas próximas à Reserva Indígena de Dourados, dos Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul continuam sobre a tutela ilegal do Estado. Na última terça-feira (25) a Força Nacional chegou com quatro viaturas apontando armas para os indígenas do Tekoha Yvy Rovy Poty.

A ação foi ilegal, pois a área retomada pelos indígenas está sendo disputada judicialmente, e as audiências de conciliação no Supremo Tribunal Federal estão suspensas por conta da pandemia. Mesmo assim, a fazendeira tentou passar por cima da justiça. De acordo com lideranças locais, a latifundiária bolsonarista incitou a ação policial, pretendendo um despejo forçado sem decisão judicial.

A ação foi truculenta. “Ela já chegou mandando queimar as nossas casas. Eles podiam ter mandado um papel pra nós, não precisava chegar desse jeito. Nós temos muitas crianças aqui. Ficamos muito assustados”, contou um indígena, que prefere não se identificar. Para a comunidade indígena, não é a primeira vez que este tipo de violência acontece. “A polícia já chegou atirando uma outra vez. Não precisa disso. Conversando a gente se entende”, ressaltam, acrescentando que também vivem idosos e grávidas no Tekoha. “Ficou todo mundo assustado. Foi uma gritaria”. Segundo nota publicada pela assessoria de comunicação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Os indígenas encaminharam uma carta ao Ministério Público Federal denunciando o ocorrido e pedindo segurança, no dia seguinte da ação criminosa. O documento foi apresentado também em reunião realizada com urgência, na última sexta-feira (28), pela Aty Guasu, Grande Assembleia Guarani Kaiowá – principal organização política e social do povo, a Aty Jovem (RAJ) e a Kunãngue Aty Guasu (das mulheres Guarani Kaiowá), que decidiu monitorar a situação. A organização que recentemente declarou estado de emergência devido a disseminação da Covid-19, vem acompanhando e denunciando os diversos casos violência devido ao processo retomada das terras.

O histórico de conflitos na região, com casos de tortura e assassinato, trabalho escravo, dentre outros já denunciados aqui, ao lado da situação de precarização dos povos indígenas Guarani e Kaiowá em Mato Grosso do Sul, agravada pela pandemia, só aumentam a situação de vulnerabilidade desses povos e evidenciam a total ausência de políticas públicas do Estado e dos governos locais, tanto para impedir a dispersão do coronavírus entre os povos indígenas, como para garantir os poucos direitos que esses povos ainda tem. Ademais, o próprio Estado incentiva atos ilegais e favorece os latifundiários bolsonaristas que dominam a política e a economia da região.

O Partido da Causa Operária chama todas as populações indígenas e tradicionais a se unirem aos trabalhadores da terra e da cidade para o expulsar o governo fascista do poder. E reivindica a expropriação dos latifúndios, a demarcação de todas as terras indígenas e políticas sociais e econômicas para que os povos indígenas possam usufruir do seu direito à terra e a vida.

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