Em Curitiba, Gleisi defende aliança com PSB por “agenda de desenvolvimento”

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A política da direção nacional do PT de buscar uma aliança com o PSB em nível nacional, abrindo mão, inclusive, de lançar governadores petistas em cinco estados da nação, está na contramão da necessidade do partido de impulsionar a mobilização popular contra os golpistas e pela liberdade do ex-presidente Lula, encarcerado ha mais de 100 dias na masmorra da Polícia Federal de Curitiba.

A presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu novamente a política da direção nacional do partido de abrir mão de lançar candidatos em estados do Norte e Nordeste, em busca do apoio do PSB. De acordo com Gleisi, apoio do PSB seria importante para resgatar uma agenda de desenvolvimento inclusivo com partidos de esquerda. A declaração da presidenta revela a profunda confusão que há no interior da direção do PT. É preciso ter claro que o PSB não pode ser considerado um partido de esquerda, o PSB apoiou em sua maioria, o impeachment de Dilma Rousseff em 2014.

Na campanha de 2014, o PSB lançou a candidatura de Eduardo Campos e Marina Silva para presidência, abrindo caminho para que Aécio Neves do PSDB chegasse ao segundo turno contra a candidata do PT, Dilma Rousseff. O governador do PSB de Pernambuco, Paulo Câmara, e representante da ala mais direitista do partido, a qual apoiou a candidatura de Aécio Neves em 2014.

E preciso frisar também que uma ala do PSB tentou emplacar como candidato o ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que em 2012 liderou o julgamento fraudulento do mensalão, que condenou sem provas ex-dirigentes do PT, como José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares.

Outro ponto a ser analisado e o próprio caráter do acordo, o PSB não ira apoiar abertamente a candidatura de Lula a presidência, pelo contrario ira manter uma posição de neutralidade, ou seja, seus candidatos poderão apoiar qualquer outro candidato, inclusive, os candidatos da direita golpista, como Geraldo Alckmin.

Outra questão importante e o fato de que não é o PT que necessita do apoio do PSB, mas sim o PSB e seus governadores desgastados que necessitam do apoio de Lula e do PT. Lula aparece em primeiro lugar disparado nas pesquisas eleitorais, nesse sentido, o prestigio popular do PT é muito maior nesse momento do que qualquer apoio do PSB, o fato desse partido não estar obrigado a fazer campanha para Lula é mais uma demonstração dessa confusão politica.

A aliança entre PT e PSB expressa, na realidade, a pressão dos setores direitistas dentro e fora do partido, do PT, os quais tem interesses mesquinhos, diante da grave situação política do país, de eleger ou manter cargos dentro do aparato do atual governo. Essa política abre caminho também para fortalecer a política da própria direita das alas golpistas da esquerda do chamado plano B, ou seja, de abandono da luta contra o golpe e pela liberdade de Lula, em nome de uma outra candidatura, alinhada com os interesses da direita golpista.

Contra essa política de capitulação, chamamos toda a militância de esquerda a se manter unida em torno da perspectiva de luta e de independência de classe aprovada na Conferência Nacional de Luta Contra o Golpe, realizada dias atrás. Fortalecer a organização independente dos explorados nos Comitês de Luta; unificar a esquerda que luta contra o golpe, contra o “plano B”, em defesa da imediata liberdade de Lula, contra o golpe, pela anulação do impeachment e de todas as medidas do regime golpista, e por Lula presidente contra o golpe. É Lula ou nada! Pois eleições sem Lula, é fraude!