Sem testes e sem controle
Tanto que mesmo com uma população de 127 milhões de pessoas o Japão só tinha realizado até o dia 20 de abril somente 100 mil testes
Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe 
(Davos - Suíça, 23/01/2019) Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante reunião Bilateral como o Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe.

Foto: Alan Santos/PR
Foto: Alan Santos/PR Presidente Bolsonaro e o Primeiro-Ministro Shinzo Abe. |

Apontado em março pela imprensa burguesa como modelo para superar a crise provocada pelo coronavírus, devido aos poucos casos reportados à época, o Japão tem visto sua situação se agravar rapidamente. Tanto que segundo a sua agência pública, a NHK, os representantes do governo japonês avaliam como bastante provável que o estado de emergência, iniciado sete de abril, em sete de suas províncias, seja prolongado para além do dia seis de maio como anteriormente anunciado.

É verdade que quando a imprensa burguesa brasileira quer baixar a autoestima do povo brasileiro ou fazer propaganda da ideologia neoliberal busca usar o Japão como exemplo a ser seguido. Assim, no dia 14 de março era possível ler reportagens em vários sites dos jornais burgueses que elogiavam o controle da disseminação do vírus e a preparação para as Olimpíadas. Eram também comum as explicações que os motivos para isto acontecer era que o povo japonês era muito disciplinado.

Na época, diferente da Coréia do Sul que buscava testar o máximo de habitantes, o Japão, ainda que fosse a terceira maior economia do mundo, só testava pessoas com sintomas de pneumonia e encaminhava os casos mais graves para o hospital. Logo enquanto até o dia 11 de março a Coréia tinha testado 222 mil pessoas, o estado nipônico somente 10.205 pessoas até 13 de março.

Vale ressaltar que o Diário da Causa Operária não entrou nesta onda de admiração do estado imperialista oriental e apontava os seus equívocos apontava os seus equívocos. Assim em uma matéria mostrou que existia uma grande resistência em adiar a olimpíada para não perder os patrocínios mesmo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarando a existência de uma pandemia em 11 de março. Adiamento que só foi declarado em 24 de março, após a chegada da tocha olímpica ao arquipélago nipônico. Chegada esta que provocou a concentração de 50 mil pessoas na estação Sendai para ver a tocha olímpica.

Além disso, já no dia 25 de março também era denunciado que a política de restrição de testes escondia o iceberg que estava se aproximando e colocando em risco a população japonesa. Tanto que já era alertado do risco do colapso do sistema hospitalar japonês. Ainda assim, o presidente ilegítimo, Bolsonaro, postava vídeo de turista brasileiro dizendo que em Tóquio estava tudo normal e aberto para criticar o isolamento social.

Realmente, o isolamento ou quarentena somente não é solução. Mas agora, o Japão chega a um feriado prolongado que lá é chamado de “Golden Week” por se estender do dia 29 de abril a 6 de maio pedindo para as pessoas não viajarem ainda mais que seja para visitar os parentes mais próximos, mudando a denominação do feriado para “stay-at-home-week” de modo a atingir a meta de 80% de distanciamento social.

Vale ressaltar que assim como no Brasil os operários no Japão não podem permanecer em casa já que o estado de emergência declarado não inclui as fábricas. Logo tanto no Japão como no Brasil a classe trabalhadora precisa se organizar e se defender de políticos que estão preocupados somente com os interesses dos capitalistas.

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