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Grileiros atuando no Amazonas
Em 15 dias grileiros de terra atacam duas vezes indígenas no Amazonas
Em cinco dias jagunços vão duas vezes ameaçar o povo Mura e MPF recusa obrigatoriedade de auxílio da Polícia Federal e exército brasileiro
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Grileiros atuando no Amazonas
Em 15 dias grileiros de terra atacam duas vezes indígenas no Amazonas
Em cinco dias jagunços vão duas vezes ameaçar o povo Mura e MPF recusa obrigatoriedade de auxílio da Polícia Federal e exército brasileiro
Há nove anos, grileiros derrubaram casas dos Mura (Foto: Arquivo do povo Mura)
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Há nove anos, grileiros derrubaram casas dos Mura (Foto: Arquivo do povo Mura)

Indígenas do povo Mura, da Terra Indígena (TI) Lago do Piranha, localizada na cidade de Careiro Castanha, a 88Km de Manaus, foram atacados, por capangas de dois grileiros de terra da região, duas vezes durante os dias 15 e 20 de agosto. Há 9 anos tiveram suas casas destruídas por ordens dos mesmos bandidos, especificamente Fernando Ferreira Lima e Valdira Barreto Lima. Além disso, os golpistas lotearam e venderam a famílias não-indígenas as terras pertencentes aos Mura.

As ações dos jagunços nas aldeias foram de franca intimidação. No dia 15 ameaçaram dois índios com um revólver 38 e toda a aldeia, dizendo que voltariam para derrubar novamente suas casas e a escola que está em construção na aldeia. Mesmo com denúncia realizada à coordenação regional da FUNAI, os capangas retornaram no dia 20 para reafirmar o compromisso de destruir a aldeia, juntamente com um suposto convite para que uma liderança fosse sozinha falar com Fernando. Ao reafirmar a ameaça disseram que seria realizada até o sábado, dia 24 de agosto.

Ainda que até agora a ameaça não tenha se realizado, a apreensão por parte dos Mura é grande e com razão. Desarmados, não têm chances de se protegerem, não podem circular nas próprias terras, pois os que compraram as terras griladas passam informações diretamente para os dois bandidos. Muitos indígenas já deixaram suas terras em direção às estradas e cidades, pois sem ter onde plantar, extrair, caçar ou pescar, simplesmente não tem chance de manter suas tradições culturais, além do medo de um ataque.

As autoridades do Ministério Público Federal definiram uma multa no valor de R$50 mil reais diários para a ocupação ilegal de terras na região, mas, claramente, os burgueses não serão afetados por uma medida desta, no máximo os posseiros ou rendeiros que habitam a região da TI. Além disso, o MPF, apesar de que a FUNAI tenha pedido apoio do Exército e da Polícia Federal na região para impedir a ação dos jagunços, deixou em aberto a questão e afirmou que isso é por conta das próprias instituições.

Óbvio que deixar nas mãos do Exército e da PF a escolha de intervir no caso de grilagem de terras é absurdo, como instituições da própria burguesia, não têm o menor interesse em defender questões relacionadas a povos tradicionais, que muitas vezes não têm a palavra ganância em seus vocabulários. Isto é abandonar os Mura à própria sorte para serem massacrados, como foram desde a colônia, por aqueles que têm interesse exclusivo na exploração e esvaziamento destas terras.

Aqui a política correta para os indígenas é a autodefesa, organizar-se para combater a ferro e fogo os que ousarem ocupar seus territórios, da forma que lhes for conveniente e com os métodos que acharem necessários. É importante entender que a autonomia dos povos indígenas deve ser respeitada dentro de seus territórios. Expulsar os jagunços, grileiros e posseiros de suas terras seria, ainda, um ataque a Bolsonaro que, em campanha, afirmou que não haveria mais demarcações.