Chico Buarque:
A vida cultural brasileira está perdida com estilo ignorante dos golpistas
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Chico 1
Arte de rua em Embu das Artes-SP | Foto: Eve Dias

A recente entrevista de Chico Buarque com o produtor musical Marcelo Cabanas e o jornalista Beto Feitosa derivou para uma denuncia explícita sobre a perseguição a tudo e todos que divergem da orientação ideológica da extrema-direita bolsonarista.

O compositor e cantor de belas músicas, que além da escrita polida e musicalidade, compõe versos políticos que encantaram diversos jovens nos idos dos anos 60, em plena ditadura militar, disse que na época da ditadura muitos jovens foram torturados, mortos e desapareceram, mas tudo era muito velado. Hoje, tudo está muito escancarado pela facilidade da internet, onde publicações de ódio e racismo transcendem a sensatez republicana.

A conversa de Chico com os entrevistadores aconteceu no dia 19/09/20 data que comemora o aniversário do educador Paulo Feire. Vale salientar que Bolsonaro criticou com insultos a fantástica obra do educador. “Esse sujeito” quando não tem nada para falar tenta desqualificar figuras importantes da realidade brasileira. Quem ele acha que é?

Chico continuou o bate papo lembrando que existiam grupos de direita, tal como o Comando de Caça aos Comunistas (CCC) – ele disse: “ninguém torturava ninguém na rua, ninguém saía com taco de beisebol para matar mendigo na rua”. Para ele, hoje, tudo é paranoico e insensato na democracia conquistada as duras penas. Sua fala criticou de forma contundente do comportamento do presidente Bolsonaro, eleito por meio de um golpe Estado. Ele disse:

esse governo, essas pessoas que estão no poder e às margens do governo são paranoicas. São doentes, completamente doentes, e alguns poucos se orgulham da violência.”

Uma das falas mais duras de Chico foi à crítica que ele fez a Bolsonaro sobre assumir a tortura e todas as formas de violência aos setores minoritários da população, onde se incluem os moradores de rua, indígenas e, sobretudo, as questões raciais e de homofobia. Para ele, não existe pudor, coerência política dos extremistas de direita, que são estimulados por “esse sujeito”. Assim:

Esse sujeito foi eleito presidente da República, um cara que exalta a tortura, não é? Então, não há mais vergonha da tortura, não há mais vergonha de se assumir como partidário da tortura, da violência contra os mais fracos…”.

Chico lembrou em detalhes do ataque CCC aos artistas na época da ditadura, sobretudo as ameaças que recebia por telegramas que dizia “a próxima vítima”. Para ele foi uma atitude covarde de agredir os artistas da peça “Roda Viva”. Ele escreveu a peça em 1967, que estreou em dois momentos, no teatro Ruth Escobar, em São Paulo e, posteriormente, foi apresentado no Rio Grande do Sul. Em ambos locais, os grupos extremistas de direita agrediram os artistas e, escandalosamente, depredaram o cenário, mostrando o estado de barbárie. A diferença entre a ditadura e a democracia é grande, mas ele reitera:

Nós vivíamos debaixo sim de uma ditadura. Não que agora seja um regime democrático absoluto. Há sérios arranhões à democracia que a gente está assistindo agora e que a gente procura…  essa democracia é frágil ainda, a gente procura… evitar que a gente caia realmente em uma ditadura. Na época era uma ditadura militar, não era outra coisa. Não era dissimulada.

Portanto, Chico criticou o golpe de 2016 que derrubou a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), fazendo algumas ponderações, sobre a instabilidade econômica atual. Ele apontou a classe média como o principal vetor da baderna política. A classe média vive de passado, quando no milagre econômico na década de 70 não tinha preocupação com os preços, muito menos com o que se passava nos porões da ditadura. A classe média “pequeno-burguesa” está doente, onde se envolveu no discurso de ódio do ex-capitão e deputado federal, exaltando o conhecido torturador Ustra.

Para finalizar o bate papo, Chico completamente aborrecido, pelo caminho triste que trilha a cultura, abriu a boca para denunciar…

O desprezo que eles têm pela cultura brasileira… não falo só da gente, músicos…, é de tudo, é da cultura brasileira. Basta ver onde estão os museus? Onde? Está tudo parado, está tudo desbaratado. Não é porque eles são perversos, são… eles não gostam… desprezam.”

Em um tom mais ainda crítico, continua a dizer sobre os infieis Bolsonaristas…

“A cabeça deles está em outro lugar. Quer dizer, a música brasileira é uma porcaria, o cinema brasileiro é uma porcaria, o teatro, a literatura brasileira… Nada disso presta…”

Chico Buarque apela, apontando que eles não gostam do Brasil.

“Eles têm uma visão colonizada, eles têm… na verdade, eles não gostam do Brasil, não é? Eles não gostam do povo brasileiro, eles não gostam das manifestações culturais do povo brasileiro, eles possuem um desprezo por isso.”

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