Um regime em chamas!
Com essas novas acusações conclui-se que há um avanço substancial nas ações dos promotores contra os membros do Proud Boys, sendo mais de 170 pessoas indiciadas pelos distúrbios.
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Capitólio: centro legislativo do Estado americano. | Reprodução
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Capitólio: centro legislativo do Estado americano. | Reprodução

O regime político norte-americano aprofunda a ditadura à medida em que as contradições internas se acirram. Como medida de contenção ante os protestos que seguem abalando a estrutura política dos Estados Unidos, os promotores federais anunciaram na sexta-feira, 29, o prelúdio da batalha entre os interesses do imperialismo e as manifestações que detonaram a vidraça “democrática” do país mais rico do mundo e inciaram as primeiras acusações de conspiração contra membros dos Proud Boys (organização política de extrema-direita) sobre o papel do grupo no tumulto de 6 de janeiro no Capitólio.

Segundo a promotoria, em comunicado à imprensa, dois membros do grupo de extrema-direita “chauvinista ocidental” teriam conspirado para obstruir os esforços dos policiais cujo objetivo era proteger o Capitólio da população. As acusações remetem aos nomes de Dominic Pezzola de Rochester e William Pepe de Beacon, ambos de Nova York, cujas fichas corridas já somam acusações de delitos menores em suas atividades. Os promotores foram bem claros ao dizerem que ambos “se envolveram em uma conspiração para obstruir, influenciar, impedir e interferir com os policiais envolvidos em seus deveres oficiais na proteção do Capitólio dos EUA e seus fundamentos em 6 de janeiro de 2021”.

Com essas novas acusações conclui-se que há um avanço substancial nas ações dos promotores contra os membros do Proud Boys, sendo mais de 170 pessoas indiciadas pelos distúrbios. Além disso, acusações de conspiração já haviam sido anunciadas anteriormente contra três membros do grupo de milícia The Oath Keepers, com as mesmas alegações: um suposto papel no caos no Capitólio.

“Alega-se que Pezzola e Pepe tomaram medidas para evadir e tornar ineficazes o equipamento de proteção implantado pela Polícia do Capitólio em medidas ativas de controle de distúrbios, incluindo ações para remover barricadas de metal temporárias erguidas pela Polícia do Capitólio com a finalidade de controlar o acesso aos arredores do Capitólio , e o roubo e furto de propriedade pertencente à Polícia do Capitólio”, disse o Departamento de Justiça no comunicado à imprensa.

No tumultuo, segundo acusações, Pezzola teria arrancado o escudo anti-motim de um oficial da Polícia do Capitólio enquanto o oficial tentava empurrar os manifestantes. Além disso, em arquivos recuperados quando agentes do FBI invadiram sua casa, indicavam que ele estava examinando “explosivos improvisados avançados”, “Poeiras explosivas” e “O Grande Livro de Armas Caseiras de Ragnar”. Na noite de sexta-feira, 29, Michael Scibetta, advogado de Pezzola, disse ao The New York Times que ainda não tinha visto as novas acusações de conspiração e que estava sendo impedido de ver seu cliente. “A questão está evoluindo”, acrescentou Scibetta.

O cerco, no entanto, não se restringe aos membros presentes nas multidões. O apresentador de programa de rádio de extrema-direita Infowars, Alex Jones, destacado doador do Partido Republicano supostamente cumpriu um papel maior do que desempenhara no comício pró-Trump realizado perto da Casa Branca antes da rebelião no Capitólio. Segundo informações do The Wall Street Journal, do último sábado, 30, Jones teria prometido dinheiro além de fazer com que outros doassem consideráveis quantias destinadas ao evento de 6 de janeiro. De acordo com a matéria, Jones planejou decididamente doar US$ 50.000 em capital inicial para garantir um “lugar de destaque de sua escolha”, segundo consta em documento de financiamento relatado pelo jornal. Ainda segundo o jornal, com o mesmo propósito, Julie Jenkins Fancelli, a herdeira da rede Publix Super Markets Inc., teria entrado em contato com Jones e pedido uma doação para o mesmo evento. Jones, por sua vez, supostamente teria ajudado Fancelli a efetuar a doação de US$ 300.000 por meio de um oficial de arrecadação de fundos que ajudou na campanha do ex-presidente Trump (Republicanos). Ademais, consta na reportagem que a doação de Fancelli representou a maior parte do financiamento para o comício de US$ 500.000 no Ellipse, local onde Trump prenunciou o caos ocorrido no Capitólio. Fanceli, uma das principais apoiadoras de Trump, durante o ciclo eleitoral de 2020, doou quase US$ 1 milhão para a campanha de Trump e o Partido Republicano, reiterou a matéria.

Mediante tal avanço do regime em direção a uma ditadura interna, é importante destacar que não só os elementos de extrema-direita, bem como diversos cidadãos e grupos que participaram da ocupação (manifestação de método democrático e até reivindicação democrática) do Capitólio estão sendo perseguidos judicialmente. Não somente os manifestantes como também um financiador de Trump estaria supostamente envolvido na invasão do Congresso. Malgrado as características dos elementos e grupos envolvidos, é nítido que há uma perseguição judicial e da imprensa contra os trumpistas, e a lei antiterrorismo usa eles como bode expiatório para a perseguição geral contra o povo. Estão tentando impedi-lo de voltar à presidência retirando seus direitos políticos com o impeachment, minando sua base de apoio (com a perseguição a empresários que são ligados a ele e aos manifestantes). É disso que se trata na democracia norte-americana.

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