Eleito com votos do PT, Cid quer frente de esquerda sem PT

O ex-governador do Ceará Cid Gomes

A fachada “progressista” da dupla Ciro e Cid Gomes (PDT) continua caindo, conforme ambos escancaram seu alinhamento com a burguesia. Enquanto sobram declarações das lideranças pedetistas contra Lula e o Partido dos Trabalhadores, avançam as negociações para formação de uma frente “democrática” com os mesmos partidos golpistas que jogaram os direitos democráticos na lata do lixo.

Esta frente inicia com Rede, PSB e PPS, mas pretende incluir PRB e PHS. São, todos, partidos da burguesia habituados a venderem suas legendas para os setores que lhes prometerem maiores chances eleitorais, independente do programa ou orientação. Agora, Cid se mostra dócil aos setores dominantes na Câmara e no Senado, elogiando os golpistas Rodrigo Maia (DEM) e Tasso Jereissati (PSDB), e evitando se indispor com Renan Calheiros (MDB).

Em suma, a tal “frente democrática” é um bloco de partidos que não venceram a última eleição presidencial mas procuram se alinhar ao governo vencedor. Nas palavras de Cid, uma frente que não pretende (ou não consegue) ser “situação automática”, mas não pretende ser “oposição sistemática”. Desta forma, evitam um choque direto com o governo e recebem deste alguma migalha, enquanto se preparam para as próximas eleições.

O único partido contra o qual Cid não poupa críticas é justamente o PT. Depois de cobrar mea culpa, fazer pouco caso da prisão do ex-presidente Lula e chamar a militância petista de “babacas”, o pedetista volta a demandar um “amadurecimento” do partido, para que este pare de fazer “oposição sistemática” ao governo. Como típico oportunista, Cid Gomes foi eleito senador graças à aliança estadual entre PT e PDT. A partir de então, passou a hostilizar o PT para tentar crescer em Brasília.

Trata-se do tradicional jogo eleitoreiro dos partidos políticos dados ao cretinismo parlamentar. Um jogo que procura manter o sistema representativo sob o controle da burguesia e, para isso, precisa enfraquecer o partido com a maior base trabalhadora e popular do País. As organizações populares precisam ter muita clareza sobre estes disfarces, e não se alinharem com setores golpistas disfarçados de progressistas. Do contrário, afundarão junto com eles.