Manipulação e chantagem
Através da política do “mal menor” e de acordos escusos com a direita, a esquerda pequeno-burguesa ajudou a burguesia nas eleições da capital fluminense
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Eduardo Paes e Marcello Crivella | Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As manobras da frente ampla nas últimas eleições deram lugar a uma série de “papelões” feitos pela esquerda. Em São Paulo, vimos a campanha encabeçada por Boulos de jogar o PT para escanteio e apoiar este que era um candidato extremamente pequeno-burguês e minoritário, mas que recebia o apoio da grande imprensa. Em Porto Alegre, o PT optou por lançar Miguel Rosseto como candidato a vice-prefeito na chapa da identitária e bastante impopular Manuela d’Ávila, que deixou de batalhar por sua candidatura no 2º turno, permitindo a vitória do candidato do MDB. Isso sem falar nos casos de Fortaleza, Salvador ou Recife, em que o PT foi sabotado por seu próprio partido, através de sua ala direita.

Os partidos da esquerda pequeno-burguesa fizeram acordos vergonhosos com a burguesia, onde sua principal função era a de isolar o PT em todos os lugares, a fim de auxiliar no aprofundamento da política golpista. Em troca disso, receberam migalhas da burguesia, como o apoio do PSDB ao candidato do PSOL em Belém. O PC do B de Manuela d’Ávila e Flávio Dino não foi diferente. Em São Luís (MA), Dino não apoiou o candidato de seu próprio partido, possibilitando a vitória da direita.

O local onde se observa a manobra mais criminosa, no entanto, é no Rio de Janeiro. A burguesia, através da política da frente ampla, com o auxílio da esquerda pequeno-burguesa, conseguiu colocar dois direitistas no segundo turno das eleições.

A cidade sofreu com o sucateamento da esquerda promovido pelo PT na época em que estava no governo federal, em troca do apoio do PMDB e de outros setores do centrão. Foi surpreendente, portanto, que a candidatura de Benedita da Silva, do Partido dos Trabalhadores, tenha obtido um grande apoio popular. Durante todo o primeiro turno, houve uma preocupação grande da direita e do setor da esquerda dominado pela frente ampla em procurar isolar a candidata do PT.

Para conseguir realizar esse isolamento, foram colocadas várias peças em jogo. Primeiramente, o lançamento da candidata Renata Souza, do PSOL, que possuía perfil semelhante ao de Benedita – mulher e negra – e que poderia roubar dela alguns votos, sem prejudicar o verdadeiro aliado do partido do “solzinho” nessas eleições, que era Eduardo Paes (DEM). A manobra, no entanto, não foi suficiente e Benedita continuava se mostrando bem colocada nas pesquisas, por mais fraudulentas e não confiáveis que elas fossem. Quando foi se aproximando o dia da votação, as pesquisas começaram a mostrar uma queda na intenção de voto para Benedita. Diante disso, setores ligados a Caetano Veloso lançaram manifesto pedindo voto na candidata do PDT, delegada Martha Rocha, alegando que sua candidatura seria a melhor chance de tirar Crivella do segundo turno. No entanto, era óbvio que isso foi feito com a finalidade de enfraquecer a candidata petista.

Um destaque deve ser feito para a atuação nociva do psolista Marcelo Freixo. Considerado uma das principais lideranças nacionais do partido, Freixo sempre deu mostras de sua boa relação com a direita e com a Rede Globo no Rio. Freixo é um dos principais apoiadores das UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora – que aterrorizam os moradores das favelas na capital fluminense. Além disso, Freixo foi apoiado pela Globo e pela imprensa capitalista nas eleições municipais anteriores, quando foi para o 2º turno contra Marcelo Crivella, candidato ligado à Igreja Universal de Edir Macedo e que foi o vencedor em 2016.

Por conta de seu bom desempenho nas eleições anteriores, Freixo seria o candidato natural do PSOL para a disputa em 2020. Porém, antes de começar a campanha, ele retirou sua candidatura, sob a justificativa de não ter conseguido promover uma unidade entre os “setores progressistas”. O motivo real, entretanto, era de que sua candidatura acabaria atrapalhando a votação de Eduardo Paes, do DEM, o verdadeiro candidato da frente ampla. Freixo não fez realmente campanha pela candidata do PSOL Renata Souza durante o primeiro turno, já que a candidata funcionava meramente como uma espécie de “tapa-buraco” e sem nenhuma chance de ganhar, particularmente com seu candidato a vice sendo um ex-coronel do Bope, figura nada popular entre os eleitores da esquerda.

O resultado de toda essa atuação venal da esquerda pequeno-burguesa foi a chegada de dois direitistas ao segundo turno das eleições no Rio. De um lado, havia o já prefeito Marcelo Crivella (Republicanos), apoiado principalmente por Bolsonaro e setores evangélicos. Do outro lado, o ex-prefeito Eduardo Paes, candidato principal do setor mais poderoso da burguesia. Toda a esquerda apoiou, mesmo que de forma discreta, o candidato Eduardo Paes, entregando a prefeitura nas mãos do candidato que irá promover os piores ataques contra a população e que representa a ala que verdadeiramente detém o domínio da política nacional desde o período da ditadura.

É fundamental salientar que o principal argumento usado para justificar o absurdo voto da esquerda em Eduardo Paes é a política do apoio ao “mal menor”. A ideia seria que Crivella é um bolsonarista apoiado pela extrema-direita e que seria um mal muito pior do que o candidato do partido da ditadura militar. Aqui, se vê que esse argumento é verdadeiramente uma chantagem política, criada com a finalidade de fazer serem eleitos os candidatos mais minoritários e impopulares, que são geralmente os apoiados pela burguesia. Em todos os locais, os setores da esquerda pequeno-burguesa procuraram se utilizar dessa chantagem para criticar a política do PCO de votar nulo em todos os locais. No entanto, em eleições cheias de fraudes e manobras como essas que vimos nesse período, a única posição realmente revolucionária é não votar em nenhum dos candidatos apresentados.

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